terça-feira, 22 de setembro de 2009

Qual é o valor dos "dias sem carro?"

Eu, sinceramente, não sei. É mais ou menos como o no Dia Internacional das Mulheres você não deixar sua nêga lavar louça, fazer o almoço ou levar o lixo para fora. Vem cá, tu não acha tudo isso meio hipócrita? Por 364 dias tu é um porco, machista, que chia logo quando não vê teu chinelo do lado da porta da entrada do seu barraco e rateia quando o arroz ta sem sal. Por um dia você é o gente boa, que valoriza as mulheres e que encomenda meio quilo de costela e maionese no buffet perto de casa para poupar a nêga véia de ficar com a mão cheirando alho.

Brincadeira... de mal gosto. Qualé? Um dia mundial sem carro... grandes bosta. Porque não fazem mais ciclovias? Não subsidiam a entrada definitiva de meios de transporte limpos, elétricos, sustentáveis e ecológicos? Porque não ensina para os projetos de delinquentes de hoje em dia o valor de se preservar? de separar o lixo? de não se tornar um porco, machista, que chia logo quando não vê o teu chinelo do lado da porta?

Porque não meter na cadeia quem faz racha? quem mata no trânsito? quem não usa o maldito cinto de segurança? que bebe e se recusa a fazer o bafômetro (e ainda sai ileso num julgamento futuro)? Porque não acabar com as imunidades que existem por aí? Porque ficar pensando se eu escrevi "porque" todas as vezes certo ou errado, com ^, junto ou separado?

Porque se preocupar com coisas bestas (como o acento no Porquê) e deixar de fazer a sua parte, de pensar em algo melhor para você e para os que o cercam.

Eu vou trabalhar de carro hoje. Não porque não me importo com o meio ambiente, mas sim porque minha nêga, aquela que deixa meu chinelo do lado da porta todo dia que chêgo do trabalho, fica sozinha em casa me esperando. E porque esse povo que se procupa em pagar de bonitão e politicamente correto estão se preocupando com o dia mundial sem carro, e deixam de garantir segurança para o povo. Se eu sentisse que minha mulher fica segura em casa, eu iria de ônibus e não precisaria enfrentar os maus-educados motoristas da minha cidade. Que tanto amo, mas que por muitas vezes tenho raiva.

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