sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Meu Brasil...

As vezes eu mesmo não me reconheço. Ou, no mínimo, estranho certas atitudes que tomo ou coisas que sinto. Eu sou um romântico. Idiota, para muitos. Saudosista, para outros. Ou simplesmente Dudu, para quem realmente me conhece.

Tenho na minha essência a ingrata mania de confiar nas pessoas. Acreditar que tudo pode dar certo. Sou um otimista por natureza. Aquele cara que até hoje a noite (agora não sei mais) tinha certeza de que o Paraná Clube tinha mais chances de subir para a Série A do que de ser rebaixado para a C (tanto que fui ao jogo do Tricolor sábado passado e tive o desprazer de ver aquele time medíocre apanhar de 4 a 0 do Figueirense). Sou o cara que acredita no futuro do país.

Mesmo sabendo (sabendo não, desconfiando) de que muita coisa obscura vai acontecer durante os Jogos Olímpicos de 2016, não sei porque vivi momentos de tensão antes do anúncio de que o Rio de Janeiro será realmente a sede da competição. Eu estava lavando a louça no momento do anúncio (imaginem a cena), larguei o fogão ensaboado, sentei no sofa e vidrei os olhos na TV da sala.

Apertei as mãos, juntei os joelhos e como um imbecil, um romântico incorrigível, como um patriota, me peguei com os olhos cheios de lágrimas com um sorriso de orelha a orelha, orgulhoso com a notícia de que o meu país será sede das olimpíadas. Na hora me reprimi. Tentei entender porque chorei com uma coisa que, além de não causar emoção nenhuma em milhões de pessoas, lhes causa indiferença. Porque?

Se todo mundo ridiculariza os Jogos no Brasil, falam da roubalheira, dos desvios, os elefantes brancos, das falcatruas e de tudo de ruim que um típico pessimista faz questão de exaltar, porque eu, um pobre jornalista curitibano de 27 anos, que viajou de avião duas vezes (as duas para o mesmo lugar, Porto Alegre), que fica feliz vendo novela, ouvindo um disco do Roberto, que acredita que o Paraná Clube ainda tem jeito, que gosta do Requião... porque eu me importo e acredito nisso que todo mundo considera piada?

Não sei... sou otimista. Sou patriota. E não ache que meu patriotismo é barato, desses que só se lembra da bandeira do Brasil de quatro em quatro anos. Acho que o Brasil ainda tem jeito. Vejo em momentos como esses a chance de crescer. Acredito, sonho, torço para que dessa vez não haja desvio de dinheiro, roubalheira e bandidos de terno e gravata. Eu acredito que possa existir um legado para os jogos. Sonho que um dia seremos respeitados mundialmente pelo que somos e, principalmente, pelo que podemos ser.

Me chamem de romãntico, mas acredito nas pessoas. Acredito que tudo vai ser conduzido de maneira correta que teremos uma Olimpíada inesquecível. Torço para ser testemunha da história. Quero fazer parte dela. Doa a quem doer.

Chorei, sim, não pelo Rio de Janeiro, mas pelo Brasil. Pelo meu Brasil. Pela minha pátria. Se eu, você, todos nós não acreditarmos que essa terra, que esse povo, não tem jeito. Vivemos para que? Por que? Para quem?

Desculpem-me pelo texto bobo. Não consegui traduzir o que sinto disso tudo. Tentei... espero que um dia eu escreva algo mais profundo para tentar deixar tudo isso mais claro.

Um comentário:

Desabafe!