quarta-feira, 3 de março de 2010

E as cotas estão na pauta!

Nesta quarta, no Superior Tribunal Federal, em Brasília, começam as discussões sobre as cotas das universidades, sejam elas raciais, sociais ou outros "ais". Será discutida a legalidade das políticas adotadas por diversas instituições de ensino no Brasil, que reservam certa procentagem de suas vagas para estudantes negros e pobres (podia usar um termo mais políticamente correto, como baixa condição sócio-econômica, mas no fim das contas o caboclo é pobre mesmo).

Serão três dias de discussões envolvendo quase quatro dezenas de especialistas em educação, como membros de associações, fundações, movimentos sociais ou coisas que o valham. Dali devem sair as novas deliberações sobre o assunto.

Eu, sem conhecimento de causa (afinal sou branco e, apesar de ter feito toda a minha formação em escola pública [exceto justamente a faculdade], tive uma condição muito melhor sócio-econômicamente falando do que os candidatos à essas vagas), tenho minha opinião sobre o assunto. Os defensores das cotas usam como principal argumento a tentativa de acabar com a desigualdade social, mas só consigo ver justamente isso, a DESIGUALDADE SOCIAL, quando essa questão vem a tona.

Negro tem menos capacidade intelectual e inteligência porque é negro? Desculpem-me, mas não acredito. O pobre sim, talvez encontre mais dificuldades de ter uma boa base de educação pelas discrepancias financeiras existentes no nosso país (mesmo, ressalvo, que eu tenha tido toda a minha formação de base na escola pública).

O problema não é a escola pública pela escola pública, mas sim por "n" fatores que prejudicam o aprendizado dessa criança. O desemprego do pai, que por falta de chance no mercado de trabalho vai para a bebida, para o jogo, a instabilidade emocional da mãe, saturada com as terefas da casa ou do trabalho, afinal o marido esta sem ocupação, pelas tentações das drogas e do crime que rondam a criança diariamente. O pobre sim, talvez, mereça algum tipo de cota (seja ela branco, negro ou amarelo).

Na minha humilde opinião, o negro, apenas por ser negro, não deve ser tratado de maneira diferente. Dizer que devo ter ser tratado assim ou ter privilégios apenas porque sou negro é uma puta discriminação. Acho que a maioria dos que realmente lutam e acreditam em seus ideais pensem assim. Você se sobressai por aquilo que produz e por aquilo que batalhas, independente das dificuldades aparentes ou de um vestibular qualquer.

Falam em dívida histórica com os negros, da época da escravidão. Realmente não tenho nem condições cromáticas de entrar nessa discussão, mas me parece um argumento um tanto leviano.

Voto pela pela educação igualitária entre ricos e pobres, independentemente da cor da sua pele. O que você acha dessa discussão? Quem tem razão? Opine...

A conferir...

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Um comentário:

  1. Grande amigo LG!!! Considero a questão das cotas de uma complexidade maior do que se imagina. Por um lado você tem razão, mas por outro, a única solução que daria as chances de acesso aos negros nas universidades públicas esta longe de ser alcançada a curto prazo, que é reformar todo o ensino básico público no Brasil. Para fazer isso teria que ser reformado o ensino superior, formar professores com qualidade. A gurizada termina o ensino médio, hoje, sem saber ler e escrever muito bem. Esses dias conversava com um garoto de 15 anos e descobri que ele não sabia qual é a capital do Brasil!!! Cotas sim, enquanto nossa educação for uma vergonha, sou a favor.
    Grande abraço, grande amigo!!!

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