terça-feira, 13 de abril de 2010

Desinformação e manipulação!

Bom, antes de mais nada, uma boa semana para todos. Meu nome é Eduardo Luiz Klisiewicz, tenho 28 anos, sou jornalista e trabalho há quase cinco na Gazeta do Povo, braço impresso e on-line da Rede Paranaense de Comunicação. Como é a vitrine do jornalismo paranaense, a RPC é constante vítima de acusações infundadas de manipulação da informação. Não serei ingênuo em defender a imparcialidade no jornalismo, mas garanto que a empresa toda se esforça em ser o máximo de imparcial que o mundo permita.

Fiz esse nariz de cêra para explicar como se produz o oposto de tudo isso, ou seja, uma matéria imparcial e manipulada. Pior tipo existente de jornalismo, ele permite ao seu criador moldar uma realidade como lhe convém e tentar empurrar para seus pares uma verdade normalmente deturpada e, naturalmente, mentirosa. Não aprendi a exercer essa prática na faculdade e nem na RPC, mas a vida e os maus profissionais que encontramos no mercado nos mostram como fazer isso. Além disso, irei mostrar como a falta de organização e a desinformação complicam muito nossas vidas.

Domingo passado, dia 11, fui com minha noiva fazer sua imunização contra a gripa A H1N1. Cientes de que teríamos dificuldades em receber a vacina (afinal resolvemos ir no fim da tarde), saímos de casa por volta das 16h30. Fomos a Unidade de Saúde do Maracanã, mas fomos encaminhados ao postinho do bairro. Preferimos tentar a US do Bacacheri. Chegamos lá por volta das 16h50, mas as portas estavam fechadas e um aviso nos encaminhava ao BIG Hipermercado e a outros pontos de vacina. Fomos ao BIG (chegamos próximo às 17h), mas as doses tinham terminado.

Fomos novamente encaminhados, dessa vez ao novo Hospital do Boa Vista (antigo postinho). Lá chegamos e tivemos que encarar uma longa fila. Não tinha jeito. Fomos lá. Deixei minha noiva plantada no final da fila e fui me informar. Primeiro, após uam observação mais cuidadosa, vi que a o atendimento seria rápido, pois existiam umas seis pessoas vacinando. O problema era a triagem. O preenchimento de uma ficha pequena, básica, tomava muito tempo, o que causou um fato patético de quatro enfermeiros ficarem com a seringa em punho, esperando a triagem (que emperrava a fila) liberar os pacientes.

Pensando em desistir e voltar outro dia, perguntei para uma moça sentada abaixo de um letreiro de "Informações" até quando a faixa etária de 20 a 29 anos poderia tomar a vacina. Ela simplesmente disse: "Olha moço, não sei não. Pergunta para aquele pessoal ali da sala 1 (local da vacina". Muita gente respondia respostas semelhantes da moça bem informada e iam até a sala perguntar, atrasando ainda mais a vacinação. Preferi não fazê-lo. Bastou eu olhar na parede logo atrás da sábia atendente para ver, em letras brilhantes, o calendário de vacinação e saber o que eu queria.

Voltei para a fila com minha amada.

(interrompemos nossa programação normal. Já continuo essa parte da história)

Agora vem a tal da manipulação.

Um rapaz, munido de uma camera fotográfica, chegou na fila depois de nós. Não demorou muito tempo para ele começar a filmar a fila e a narrar o seu "off" (para que não sabe, é o texto lido pelo repórter quando ele não esta aparecendo). Deu para entender um pouco do que ele falava. Metia o pau no governo, reclamava do número insuficiente de vacinas e das longas filas. Falava da falta de estrutura e do descaso com a população.

Mas não falava que a vacinação para essa faixa etária estava sendo feita desde o começo do mês. Nem que as pessoas que estavam na fila tiveram o dia todo e vários locais para buscar a vacinação. Nem que o que estava fazendo a vacinação demorar eram as pessoas, não o sistema (tanto é que flagrei o momento em que os atendentes, de seringa em punho, apenas esperavam os pacientes para a "picada"). Porque ir para a fila faltando cinco minutos para o fim da vacinação? Só para reclamar que tudo é uma merda e nada funciona? Façam-me o favor. Eita povo que gosta de manipular a realidade.

Qual é a verdade?

(voltamos a nossa programação normal)

Cinco minutos depois, com boa parte do caminho percorrido, me chega uma dona de jaleco e dispara: "Só será atendido quem tem esse papelzinho. O resto não receberá a vacina". Mas como, perguntei. "A vacinação aqui é até as 18h. Estava escrito na US do Bacacheri e o pessoal do Big nos disse isso também". A resposta, do jeito que as coisas vão, nem me chocou. "O pessoal do Big esta falando isso para diminuir o povo de lá e nos ferrar aqui".

Bom, pensei: Porque não colocaram uma porcaria de um aviso com o horário da vacinação na porta do posto? Porque a canalha da última pessoa que recebeu o tal papelzinho não avisava quem vinha chegando atrás dela que o atendimento estaria condicionado à posse do tal papel?

Esses são ingredientes para se estragar um sábado feliz. Mas, não caí nessa (mesmo porque a culpa de ter ido se vacinar no fim do dia era minha). Terminei o dia da melhr forma possível, mas certo de que o ser-humano é desprezível em sua maioria. Ainda acredito nele, mas cada dia mais me decepciono.

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