quinta-feira, 29 de abril de 2010

Trampo turbinado!

Trabalho. Emprego. Serviço. Ocupação. Bico. Biscate. Trampo. Definir a atitude remunerada que cada um exerce normalmente é um desafio interessante. Uns trabalham mais, outros trabalham menos, mas todos trabalham: Ou naquilo que escolheram (e, por conseguinte, gostam) ou porque foi o que conseguiram (normalmente não se gosta, mas o leitinho tem que ir para a mamadeira das crianças).

Quem trabalha com jornalismo diariamente sabe o quão árdua é nossa tarefa. Árdua e fundamental, embora um bando de engravatados de Brasília discorde disso e faça pouco caso da nossa categoria. As vezes, e o povo teima em não entender (ou faz pouco apenas para nos azucrinar) trabalhar uma hora com o jornalismo em tempo real, gera cansaço mental semelhante àquele realizado em oito horas (com uma hora de almoço) ou parecido com uma mesma hora de enxadadas em eitos de terra.

A carga horária de jornalista formado, conforme CLT, é de cinco horas diárias (pronto, para os que não sabiam o questionamento logo vem à mente: “Só isso?”). Aqui no Paraná algumas empresas mantêm acordos que permitem ao jornalista cumprir carga de seis horas, para assim incluir o sábado como dia de descanso (inicialmente é dia de labuta normal).

Escrever, lidar com a pressão de se “foder tudo” (leia-se alterar o sentido de uma informação) se uma vírgula ou ponto forem colocados em lugares errados, não é fácil. Pressão, cobrança, tudo perfeito no menor tempo possível. Em online, ainda por cima, a coisa é mais punk. Se foi errado para o ar, em segundos centenas leram a informação equivocada. Chovem e-mails (raramente bem educados) e pronto. Esta feita a sangria desatada. A vantagem é que podemos corrigir tudo rapidamente (diferente do papel impresso).

Vivo uma experiência diferente do começo dessa semana para cá, e pelos próximos dois meses e três semanas. Oficializou-se, mesmo que temporariamente, um reconhecimento por algo que fazia há tempos. Não estou reclamando, muito pelo contrário. Estou mesmo é feliz por finalmente ter esse reconhecimento. O que fiz nos últimos (quase cinco) anos foi por amor à profissão. Pela arte de informar. Pelo jornalismo. Aquele mesmo jornalismo humilhado pelo STF. Aquele mesmo jornalismo alvo da ira de muitos. Injustiçado pela cegueira da patuléia.

Aquele mesmo jornalismo sem o qual o mundo seria ainda mais corrupto, mais podre e mais injusto. Minha função é informar, entreter, formar (porque não?). Faço porque gosto.

Para quem curtia com minha cara, hoje meu trampo vai além das seis horas. Pressão e tensão redobradas, mas gozo mais intenso no final.

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