quarta-feira, 2 de junho de 2010

Para compensar

Meus caros... o papo é sério. Minha ausência de tantos dias aqui no blog será recompensada agora, conforme eu havia prometido. Não podendo escrever, pedi ao meu véio, um dos responsáveis por me por nesse mundão de meu Deus, rabiscar algo. Puto da vida com o possível veto do Lula a queda do fator previdenciario, dia desses ele xingou todo mundo para mim pelo msn. Então tive a brilhante (vocês vão concluir se foi brilhante ou não) ideia de pedir para ele por isso no papel.

Aí embaixo vocês poderão ver o resultado deste desafio que fiz ao meu pai. Seo Gilberto, aliás, que só não é jornalista por falta de oportunidade e diploma. Escreve bem e tem opinião bem fundamentada. Puxasaquismos a parte, segue o texto do "véio".

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APOSENTADORIA! VAMOS FALAR SÉRIO?

Minha gente, o assunto é sério. Às vezes tenho a impressão de que certos políticos, ou mesmo alguns cidadãos, não usam a massa cinzenta que tem para pensar.

Cada vez que assuntos como aposentadoria, reajuste para aposentados e outros do gênero, vem à baila, o monte de asneiras que se diz e ouve, inclusive por parte de segmentos da imprensa especializada, comentaristas políticos, especialistas globais, é de doer.

É evidente que a grande maioria de quem fala contra critérios de aposentadoria, sobre os aposentados e os reajustes e modificações na lei pleiteadas por eles, não está aposentado, ou não vive de aposentadoria.
Vive não, sub-vive, já que com os valores miseráveis que se paga à grande maioria dos aposentados, não dá pra se ter uma vida digna.

E ai começa o “X” do problema.

Os “especialistas governamentais” da equipe econômica, cientistas políticos, adeptos das estatísticas e principalmente os políticos da situação, aqueles das salas luxuosas, dos gabinetes com cadeiras confortáveis, das polpudas verbas de representação, dos aluguéis pagos por nós, das mordomias, do combustível de graça, dos auxílios para compra de passagens de avião, dos altos salários, dos cargos comissionados, os amigos do rei, enfim. Todos eles adoram alardear em prosa e verso que o brasileiro, aquele do povo, aquele que precisa para ir trabalhar todos os dias, pegar o ônibus, o metrô, o trem, e que vai em pé, apertado, esmagado, empurrado, socado, aos solavancos, tem se aposentado muito cedo, muito jovem.

Eles poderiam produzir muito mais. Poderiam contribuir ainda muito mais para a Previdência, muito mais. Que a expectativa de vida deste privilegiados, hoje já está em torno de 78 anos; portanto, reclamar pra que? Que falácia destes imbecis e ignorantes representantes do povo.

É importante que se diga e esclareça que normalmente um benefício deve corresponder a uma contraprestação inicial. Ora, se durante 35 anos o aposentado contribuiu religiosamente, onde estaria o dinheiro de sua contribuição para que o mesmo tivesse pelo menos mais 35 anos de contraprestação.

Ah! dirão alguns, não é bem assim. E é como?

É claro que quando alguém se aposenta por interesse político 10, 15 milhões ou mais de pessoas que nunca contribuíram com um centavo para suas aposentadorias, há um déficit. É matemático. Quando se utiliza sem nenhum pudor ou critério o dinheiro para “construir” transamazônicas ou perimetrais, pagar empreiteiras, juros de dívidas públicas, pagar pensão de ex-presos políticos, suas viúvas e filhas, salários de congressistas, funcionários fantasmas, etc, etc, faltam recursos para pagar o “rombo na previdência”.

E os rombos das consciências?

Mas para que investir em esforços e cobrar de quem sonega bilhões e bilhões de impostos todo ano. Afinal quem iria então financiar as campanhas políticas, os caixas 2, os favores, viagens, propinas, o dinheiro nas cuecas dos nem tão inocentes laranjas.

Melhor mesmo é culpar as aposentadorias precoces é dizer que faltam recursos para pagar os proventos devidos e os reajustes dos aposentados.
Afinal os “aproveitadores” querem descansar e se aposentar muito cedo.
Vejam senhores quanta injustiça com os deputados, governadores, senadores, presidentes; os coitados só se aposentam depois de árduos 8 anos de trabalho desenvolvidos de terça a quinta-feira, durante longos oito meses do ano.

E o “zés do povo” querem se aposentar aos 35 de trabalho e só com 60 anos. Que absurdo! E tem mais... agora eles estão vivendo além dos 78 anos.

Vivendo? Vivendo como? Com que qualidade de vida?

De que adianta viver uns poucos anos há mais com um salário mínimo, sempre pedindo ou dependendo do favor de seus filhos, sem poder pagar um plano de saúde descente para ter assistência médica descente, sem dinheiro para remédios, sempre a mendigar um lugar grátis nos ônibus, uma vaga nas unidades da “terceira idade”, ou enfrentando as intermináveis filas dos idosos.

Tristes cidadãos de 2ª classe, que daqui a 20 anos serão metade de nossa população.O que pode haver de mais deprimente, mais desonroso e indigno para a sociedade que ver seus cidadãos, avós ou pais, trabalhando de contínuos, de vendedores de perfumes, de bijuterias, de bilhetes de loteria, de porteiros, de vigias ou vigilantes, para completar sua “renda” e assim poder sobreviver e, muitas vezes, ajudar a criar filhos e netos.

Notem que neste país que se intitula “pátria amada” aquela que “dos filhos deste solo é chamada ‘mãe gentil’”, o valor recebido pelo aposentado é chamado de renda. Aqui o roubo institucionalizado é chamado de incentivo, a propina paga, de agrado, a compra de votos, de apoio político, os conchavos, de consulta às bases, os acordos inomináveis, de negociações, a corrupção, de incentivo aos negócios, o nepotismo, de empregos de confiança, os passeios e viagens inúteis, de missões e onde a lenta agonia de mais um ano de vida do brasileiro que o IBGE acrescenta em suas estatísticas, é celebrada nos salões palacianos como uma “conquista” das políticas sociais do governo e dos avanços do país.

Pobre povo brasileiro!

Se com os trilhões de impostos que nos cobram hoje é assim, o que será de nós com os outros trilhões provenientes do aumento da produção, das exportações, do pré-sal, que desde já me parece terá um gosto muito amargo.
Vai sobrar algum para os nossos aposentados?

Sei que os críticos de plantão pode querer rebater minha opinião.
É normal. Só peço que o façam com o mesmo bom senso e argumentos.
Se assim o fizerem, ficarei feliz. Um dos objetivos desta reflexão terá sido alcançado. Alguém terá lido meu texto e refletido um pouco sobre ele. Só isto já será positivo. E se por acaso alguém concordar comigo e ajudar a modificar este estado miserável de coisas, conseguirei então uma grande vitória e farei com que mais um dia daqueles que me deram como aumento de “expectativa de vida” tenha valido a pena.

Senão, que Deus nos ajude!

Gilberto Luiz Klisiewicz
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Um comentário:

  1. Êita, seu Gilberto! Escondendo o ouro, Dudu? Não esqueça... Como diz Robertão... "Hoje todo mundo é jornalista", rs. A pobre criança aqui de casa faz 14 ano que vem... Diz o Robertão que o presente será uma carteira de trabalho – e no dia em que estiver com a bendita em mãos – vai pedir emprego no jornal pra botar dinheiro dentro de casa. Judiação!!!rs... Seu Gilberto manda bem? Eu já sabia... É o pai querido do meu amigo amado. Mas desconhecia o dom da escrita...
    Fiquei boba de ver!
    Beijão,
    Ana.

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