quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Um basta na ignorância

Eu lido há muito tempo com a mais fanática religião brasileira: o futebol. Trabalhar com futebol é um dos maiores mixes de emoções que existe. Mexe com a cabeça do caboclo mesmo. O torna um expert em esquemas táticos (se acha em plenas condições de ser o técnico da seleção brasileira), em gestão de empresas (jura que se fosse presidente as coisas não seriam como são) e até especialista em regras (Arnaldo Cesar Coelho é o caralho. Bom é ele, que manja tudo).

Também faz com que a esse fanático torcedor se torne uma pessoa completamente ignorante. Burra, estúpida, acéfala. E o futebol também cega algumas pessoas, lhe tira o bom senso e o senso do ridículo. Faz pai de família chutar a bunda de “rivais”, advogados e médicos virarem reles vândalos maloqueiros. O futebol tem o poder de transformar o ser humano. Age de forma nefasta em alguma parte do cérebro do caboclo e o faz ver inimigos ao invés de rivais. A partir dessa transformação todos que vestem as cores malditas dos rivais viram alvos. Viram sinônimo de ódio.

O pior é que tudo isso foi potencializado pela internet. O anonimato da rede mundial faz com que o nobre torcedor agrida, humilhe e descarregue sua raiva contra Deus e o mundo. Eu, como todos os companheiros de firma, já fomos alvos dessa horda sedenta de ódio.

Um texto, uma frase, uma palavra ou uma vírgula “mal” colocada (mal colocada para ele, torcedor ignorante) é motivo suficiente para uma série de ofensas e, na maioria das vezes, injustas críticas. Não vou nem considerar a ignorância alheia de não saber diferenciar matérias de artigos opinativos, mas a maneira como o torcedor/leitor se porta diante de alguém que não escreve o que ele quer ler é absurda.

O que lhe dá o direito de disparar, sem nenhum pudor, ofensas, xingamentos e impropérios contra um jornalista? O que? O que? Espera aí rapaz. Aqui (como aí) tem um ser humano. Pai e, muitas vezes, arrimo de família. Que tem contas para pagar no fim do mês. Que trabalha, e MUITO, para ganhar o seu sustento. Que vive sob intensa tensão. Que tem nas mãos a oportunidade (quase que um prêmio, um dom ) de informar e esclarecer.

Concorda? Não concorda? Beleza. Argumente, converse, debata. Não ofenda, porra. Não te dou e não te darei JAMAIS esse direito. Não entro (seja por email ou fisicamente) aí no seu escritório para dizer que seu trabalho é uma merda. Que você não sabe fazer uma petição direito, ou que a sua sutura ficou meia-boca. Nem que seus arquivos estão bagunçados. Ah, e não peço sua demissão porque você prejudica a minha empresa (time de futebol, no caso).

Respeite para serdes respeitado. Devagar com o andor, meus amigos. Respeitem-me.

Já vesti cores de um time de futebol, mas hoje não mais. Não me dou o direito de ser mais um desses que se dá o trabalho de enviar um email cheio de ódio, rancor e impropérios para outra pessoa que sequer conheço. O futebol e seus bastidores fedem. Não bato palma (nem sofro ou choro) para jogador que ganha R$ 80 mil por mês (coisa que eu levaria anos, ANOS, para ganhar) e faz corpo mole, é chinelinho. Que desdenha da paixão de uma nação de torcedores. Que ri pelas costas e que só se preocupa com o seu numerário no fim do mês.

Amo o futebol, mas não deixo com que ele se torne a razão do meu viver (como acontece com muitos desses torcedores fanáticos). Prefiro viver para minha família, pelos meus amigos e pelo meu trabalho. Trabalho que, embora alguns tentem, não será desestabilizado tão facilmente.

Respeito é o mínimo que eu e muitos dos meus colegas jornalistas esportivos pedem. Argumentos para uma boa conversa, um bom debate. Soluções para tornarmos as coisas mais justas, honestas e, principalmente, divertidas e emocionantes. Afinal é esse o papel que o futebol tem que ter em nossas vidas.

ps: o texto surge apenas como um desabafo. Não estou mexendo com esportes no momento (estou em política, tão suja quanto) mas não suporto ver o que fazem com os companheiros de militância esportiva. Basta!

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