sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Vale pagar o preço?

Quanto vale a vida?

Tenho 28 anos, 1,74m e 135 quilos. Passei pela obesidade há algum tempo e hoje sou uma bola grande e feia de banha. No meio de um mar de pele flácida e tecidos adiposos, bate um coração. Infla e desinfla um pulmão. Corre sangue pelas veias (as vezes caminham, já que em algum dos trechos a gordura deve estar dificultando a passagem). No alto dessa estrutura desprezível pensa um cérebro.

Essa coisa que pensa as vezes não pensa muito bem. Ignora certas informações que não lhe interessam. Maquia a realidade por instantes só para supervalorizar o paladar e dar prazer para a máquina. Sabota-se, ilude-se. Mente. Corrompe. Faz de tudo para que o prazer de comer uma bela fatia de picanha ou sentir derreter um tablete de 160 grs de chocolate prevaleça sobre todo e qualquer outro sentimento ou anseio.

O pior é perceber que esse mesmo cérebro me trouxe até aqui, numa sexta-feira a noite, para escrever esse desabafo digno de diário de adolescente.

Como lidar com sanidade com sentimentos tão conflitantes? Um lado me puxa para enfiar a cara num mousse de chocolate, enquanto outro cria imagens do futuro belo que poderei ter ensinando meu filho (que um dia virá) a jogar bola.

Pensando nesse piá (na guria também, que certamente precisará de mim para subir na árvore), na minha noiva (que virará mulher dentro de alguns meses), nos meus pais, no meu irmão e em todos que desejam o meu bem, a minha saúde, declaro guerra ao infarto. Entrei para o exército da salvação das minhas artérias. Não serei apenas um vigilante do meu peso, mas sim um vigilante do meu futuro.

Meu amigo LG Gartner sabe pelo que vou lutar. Sabe o prazer que é ver teu filho lhe chamar de pai e de todo o orgulho que devem lhe dar. Ele tomou atitude semelhante ao largar o cigarro. Eu largo minhas drogas a partir de hoje.

Nunca fui viciado em nada, mas sou louco pela vida. E apostando em vivê-la em sua plenitude, cá estou, me apresentando a vocês, como um candidato a futuro novo homem. Paguem para ver. Eu vou pagar!

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