sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Saudades da inocência. Do tempo da gente!

Sempre fui nostálgico. Mesmo aos 18 anos já tinah saudade dos meus 15. Aos 20, dos meus 18. A cada dois anos passados são mais dois anos para serem lembrados. Não é que me prendo ao passado não, mas é que o meu passado me construiu. Sou o que sou pelo que fui.


"Se eu soubesse antes o que sei agora, erraria tudo examente igual", disse Humberto Gessinger certa vez.


O que me motiva a escrever hoje foi a saudade dos meus bons momentos de telespectador. Sou um fã da televisão. Diferente de alguns mais radicais, a encaro como companheira, nunca como vilã. Administrada em doses regulares, pode ser um santo remédio para tudo. Pode ser como um bom livro, como uma companheira. Passatempo. Entretenimento. Informação e diversão.


No meio de tanta porcaria que nos obrigam a assistir (horário eleitoral, você certamente está entre elas), busco no passado motivos para voltar a sorrir e a me divertir.


E é justamente na diversão que quero me apegar. A grande acertada da Globo nos últimos anos foi criar um canal chamado Viva. Sensacional. Traz séries, programas e novelas "antigas" (do auge da minha meninice) e faz com que me afunde num mar de nostalgia diário. Nos últimos seis meses trabalhei demais. Quase sem parar. Antes eu ficava em casa durante as manhãs e o início da tarde. Agora é full time. Contudo, ontem e hoje, tive a chance de ficar até as 15h em casa (como antes) e tive um prazer inexplicável. Embora inexplicável, o prazer tem nome: Escolinha do Professor Raimundo.


Atuações sensacionais. Engraçadissimas. Humor genuíno. Puro e simples. É engraçado por ser engraçado. O elenco atual é o que mais marcou. Tem o Chico Anysio como o professor Raimundo, o Rolando "Amado Mestre Lero (fantástico Rogério Cardoso), Joselino Barbacena (Antônio Carlos Pires), Bicalho (Antônio Pedro), Sandoval Quaresma (Brandão Filho), Geraaaaaldo (Castrinho), Cacilda (Cláudia Gimenez), Baltazar da Rocha (Walter D'Ávila), Eustáquio "Aqui, que quéres" (Grande Otélo), Jaime Filho (Supapau Açu), Aldemar Vigário (Lúcio Mauro), Seu Boneco (filho do Chico), Samuel Blaustein (Marcos Plonka), Bertoldo Brecha (Mário Tupinambá), Ptolomeu "Queria ter um filho assim" (Nizo Neto, também filho do Chico), Seu Peru (Orlando Drummond), Sérgio Malandro, Marina da Glória (Tássia Camargo), Dona Bela (Zézé Macedo), Galeão Cumbica, entre outros.


Assito parecendo um idiota. Rio de tudo, simplesmente TUDO. Rio de como eles se divertiam fazendo aquilo. Isso era o mais bonito. Talentos reunidos fazendo o que mais gostam: rindo e fazendo rir. Para fazer rir e fazer história, ninguém precisava mostrar a bunda nem humilhar ninguém. Tem coisa mais bonita que isso?


Se eu pudesse ficaria em casa todos os dias só para assistir a Escolinhas. Assisto com o mesmo prazer que tenho quando vejo Os Trapalhões. Eramos felizes... era um tempo mais feliz. Um tempo da delicadez, talvez...


E quando essa frase me veio à mente (Tempo da delicadeza) lembrei-me de uma música do Chico, que "cansei" de ouvir na voz do Oswaldo Montenegro (fã declarado do Buarque. Aliás, quem não o é?).


Procurei no Google para escutar e encontrar a letra para postar aqui e vejam o que achei: Uma matéria do brilhante Cristian Toledo, a quem tenho o prazer de chamar de amigo (nem sei se tenho esse direito) falando sobre a obra do Chico, justamente da parte mais romântica. E, olhem o título... No Tempo da Delicadeza... Coisa maluca né?


Segue abaixo a letra dessa maravilhosa canção.


Todo o Sentimento


Chico Buarque (Composição: Chico Buarque e C. Bastos)


Preciso não dormir
Até se consumar
O tempo da gente.
Preciso conduzir
Um tempo de te amar,
Te amando devagar e urgentemente.


Pretendo descobrir
No último momento
Um tempo que refaz o que desfez,
Que recolhe todo sentimento
E bota no corpo uma outra vez.


Prometo te querer
Até o amor cair
Doente, doente...
Prefiro, então, partir
A tempo de poder
A gente se desvencilhar da gente.


Depois de te perder,
Te encontro, com certeza,
Talvez num tempo da delicadeza,
Onde não diremos nada;
Nada aconteceu.
Apenas seguirei
Como encantado ao lado teu.

Segue o video, com a música na voz do Oswaldo Montenegro






Nenhum comentário:

Postar um comentário

Desabafe!