terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Aventura no céu


Minha vida aérea começou bem tarde. Se por ai o povo viaja desde o berço, esse aqui só pisou num avião para tirar os pés do chão aos 24 anos. Naquele tempo resolvi que era chegada a hora de vooar de verdade (não só ficar voando na imaginação). Peguei uma super promoção daquelas da GOL e fui para Porto Alegre. Foi uma experiência muito bacana (Não só o voo mas a viagem em si) e desde ali perdi o meu selinho de virgem dos ares.

Um ano depois fiz o mesmo caminho a trabalho (fui para Porto Alegre) e esse ano embarquei mais uma vez em lua de mel (dessa vez para Montevideo). Para ninguém errar nas contas, foram tres vezes (seis se contarmos as voltas, claro) que vooei. Nenhuma delas, contudo, se comparou a experiencia que vivi hoje, dia 15 de fevereiro.

Escalado para cobrir o jogo Ypiranga x Coritiba na cidade de Erechim-RS fui ao aeroporto Afonso Pena imaginando que pegaria algo como um Fokker 100 (aquele que perde as portas no ar) ou até um Brasília (especulado pelo meu companheiro de viagem Marcelo Ortiz, narrador da rádio 98 FM). Eis que chegamos para a aventura. Nas conversas de sala de embarque já fomos nos assustando. O voo atrasou. Ninguem aparecia para falar conosco. Estavamos esquecidos no portão de embarque 3 do Afonso Pena... praticamente uma fenda no tempo.

Depois de muito tempo chegou a atendente da empresa NHT, que, alias, até então eu sequer sabia que existia. A moça, diga-se de passagem, foi a mesma que nos vendeu o bilhete e por um rápido momento pensei que seria a mesma a pilotar o avião. Sabe como é né, empresa pequena e tal. Enfim. Pegamos o onibus e fomos para o pátio/pista. A visão foi mais engraçada que assustadora.

Um tal dum aviaozinhio pequenino, para apenas 17 pessoas. Bi-motor, daqueles das antigas mesmo, com asas no teto (aliás, essa informação nos deu tranquilidade, afinal um dos passageiros disse que se der merda, esse tipo de avião consegue planar justamente por ter asas no teto). na entrada, de cabeça baixa para não acertarmos os chifres no teto, uma moça com uma bandeja em mãos e vários copos de água mineral. Pensei: "Po, tem até comissária". Sentei-me e quando me virei para aceitar uma água, a mulher desaparecera. E logo fui avisado que não regressaria mais. Ou seja, bico seco na viagem.

Para quem tinha almoçado algumas ripas de costela, o trecho ia ser longo seco.

O ponto positivo foi que pude ver bem de perto, afinal o aviao era por demais baixinho, o grooving que tanto falam na pista do Afonso Pena. A decolagem foi uma adrenalina só... depois de dar aquele "galeto"para levantar, o avião, já no ar, parecia que ia a uns 60km/h. Não pude deixar de pensar que era por medo de multa do Beto Richa.

No ar cada brisa era um convite para o simulador de touro mecânico. O avião sacolejava por demais. Descia, subia. Até que entrou nas nuvens e perdi o unico passatempo que eu tinha (olhar pela janela). Tentei dormir, mas os solavancos da estrada esburacada não deixaram. Isso e o barulho ensurdecedor das hélices. Isso, hélices. Bi-motor com HÉLICES. existe isso ainda.

Pousamos 1h15 depois em Chapecó. Aeroporto simpatico. Depois levantamos voo para mais 15 minutos de aventura até Erechim. De bonito ficou a visão do Rio Uruguai de cima. Bem bacana. O Aeroporto de Erechim é rústico. E ponto. Uma casa (menor que a minha) para receber e despachar o povo para os voos da unica empresa que pousa lá.

As emoções irão a flor da pele mais uma vez na quinta-feira, dia da nossa volta, nessa mesma aeronave. Mas essa é outra história.

2 comentários:

  1. Quem disse que jornalista esportivo não precisa ser macho, né? hehehehehe

    Bom trabalho, e boa viagem de retorno, Dudu.

    P.s.: Será que em Erechim ou Chapecó tem alguém que faz seguro de vida? Sabe como é, né? Melhor garantir... :P

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