quinta-feira, 17 de março de 2011

A importância da nossa voz

Na maioria das vezes nós temos a terrível mania de criticar mesmo sem ao menos saber do que estamos falando. Note que me incluo nesse grupo, afinal jamais você, nobre leitor, vai ver esse jornalista se omitir de suas responsabilidades. Sei o que sou, ou que faço e, principalmente, o que já fiz de certo ou de errado nessa vida.

Como lido diretamente com a maior paixão de grande parte dos brasileiros, a religião chamada futebol, sem bem como é estar no fio da navalha. Uma vírgula mal interpretada vira um problemão sem precedentes. Somos, como jornalistas, alvo da fúria de pessoas cegas de paixão e de outros sentimentos normalmente irracionais, mas nem por isso repreensíveis ou questionáveis.

Mas não somos alvo apenas da pessoa comum. Do torcedor ou do religioso. Do estudante e do aposentado. Somos alvos de todos aqueles que se utilizam de alguma situação (as vezes positiva, as vezes negativas) para tentar tirar algum proveito ou esconder algum delito. Somos peças de um jogo que visa atender ao que convém a nosso interlocutor.

O que a maioria dos que mete o pau na imprensa não percebe, é que não fossem os jornalistas, estaríamos afundados num mar de silêncio constrangedor. De maracutaias escusas, negociatas sombrias e muita, mas muita corrupção.

Andei fazendo um exercício bem rápido de memória e encontrei um caminhão de absurdos que foram escancarados pela imprensa e que nos atingiram em cheio.

A série Diários Secretos apresentada pela Gazeta do Povo e a RPC TV, produto de empenho e dedicação do meu amigo Karlos Kolbach e seus parceiros revelou o maior esquema de desvio de dinheiro da história da política brasileira. Coisa digna de Premio Esso, maior honraria do jornalismo brasileiro.

A recente revelação da Máfia das Multas é outro exemplo. Todos nós desfiávamos, mas nunca ninguém conseguiu provar. Agora, graças a imprensa, desvendamos os detalhes desse absurdo que, não tenho a menor dúvida, lesou muita gente ao mesmo tempo que garantiu a eleição de muitos graúdos por aí.

Fato é que dificilmente se teria uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) se não fossem denúncias como essas. Os mesmos políticos que acusam a imprensa de manipulação se esbofeteiam para assumir a paternidade de uma CPI criada a partir de denúncias dessa mesma imprensa má e manipuladora.

Ignorar e usar a imprensa apenas quando lhes convém é ato tão imoral quanto um desvio de verba aqui ou uma licitaçao fraudulenta ali.

É importante que o cidadão saiba que enquanto estivermos com liberdade para trabalhar, cedo ou tarde os bandidos de terno e gravata cairão.

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