terça-feira, 15 de março de 2011

O que é que faz o sujeito desistir?

Sem pauta para hoje, resolvi colocar aqui nesse espaço o texto produzido por uma amiga, a dona Sabrina Demozzi, que após algumas conversas, escreveu esse texto que deve além de provocar, ajudar a gente a refletir o que fazemos de nossa vida!

O que é que faz o sujeito desistir?

Trânsito, juros, falta de educação, grandes portais de notícia, Windows, o Brasil.

Afinal, o que faz alguém desistir e largar mão da vida?

Se você espera encontrar respostas lendo esse texto sinto desapontá-lo (la), mas você não vai encontrar. Se você está a fim de discutir com alguém na internet ou fazer comentários anônimos, ok vá lá, mas não diga que eu prometi alguma coisa.

Quero perguntar por perguntar, lançar o negócio pra quem quiser falar também ou pra quem não quer, ou não tinha nada melhor pra fazer e precisava matar um tempo até dar 18h.

Quando foi a última vez que você falou “Eu desisto”? Tenho quase certeza que algum dia desses você mencionou isso, quando alguém te deu uma fechada, quando pela enésima vez você teve que reiniciar o computador ou quando num *conglomerado de notícias havia uma “notícia” sobre um carnavalesco baiano que raspou a barba pela primeira vez em 30 anos ou sobre o término do relacionamento de alguma celebridade.

Alguém já falou “eu desisto” quando tentou cancelar uma linha em qualquer empresa de telefonia ou tentou explicar pro cara da TV a cabo que “não, eu não pedi 100 canais pornôs e nem assinei o canal da terceira divisão do campeonato sergipano”.

Confesse, no terceiro mês de 2011, quantos “eu desisto” foram pensados ou falados por você?

A diferença entre o cara que desiste e nós, eu me incluo porque só falei até agora, é essa: a gente fala e ele larga mão. Larga os bets, no popular. Chega pra mulher e diz: cancela todos os cartões, liga pra tudo que é empresa e vai cancelando o que der. Ela pergunta: Até luz? E ele: Tudo. A mulher obedece. O filho chega e já vai pedindo. Ele nega. A sogra precisa de ajuda. A partir de agora não é mais com ele. “Estou largando mão, declara. E decidido, começa a se despir e colocar fogo na roupa. O lance agora é a pura e simples sobrevivência.

E tem aquele que como diria Eduardo Galeano resolve “abreviar sua existência” e pula de um prédio. Um desistente romântico combalido pela ingratidão da vida. O que adota um estilo de vida pra desistir de outro, o que desiste de mulher, a que desiste de homem, o que muda de profissão porque “desistiu de brigar por um espaço”, o que desiste de ser magro, a que desiste de ser gorda e aquele que simplesmente exclui todas as contas das redes sociais possíveis e das que vão surgir.

Vislumbre: a partir de agora ele poderá voltar a ser desinteressante, gordo, chato até. Ele não mais precisa “Curtir isso” “Compartilhar aquilo”. Não. Suas fotos estarão guardadas e quem quiser ver terá que visitá-lo, marcar um café e uma conversa. Assim cara a cara, à moda antiga. Ele não vai mais precisar resumir o que pensa em míseros 140 caracteres, aliás, ele não vai mais precisar emitir opinião sobre tudo. Está realizado. Desistiu de parecer ser interessante.

Mas, qual é o limite pro sujeito realmente desistir de sua condição? Uma úlcera? Uma resposta cínica? Um “vamos estar transferindo?”. Eu não sei. Mas prometi desde o início que esse texto não traria respostas.

Um comentário:

  1. Eu desisti de diversas coisas. Antes eu só falava e não fazia. Hj eu vejo que muitos "desisti"que falei, eu pude cumprir. Desisti de ser gorda, desisti de entender meu pai, desisti de um trabalho que não me fazia feliz, que não me dava perspectiva de crescimento. E sabe que doeu no início. Mas, assim como dizer não, saber desistir é um aprendizado.

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