segunda-feira, 18 de abril de 2011

Atalho?

Então, mais uma vez, vou publicar um texto que não é meu, mas da nobre jornalista Sabrina. É profundo e gostaria que levasse ao pensamento. Acompanhe abaixo:

A cultura do “atalho”

A luta diária pela vida mais fácil

Faça, agora! É indispensável! Em cinco minutos está pronto. É apenas entretenimento. Leia agora o resumo do resumo da obra de Euclides da Cunha. Em 18x sem sair de casa. Especialista dá a dica de como apreciar azeite em 10 lições. Em apenas 5 passos você muda sua carreira. Emagreça 2 quilos em 48h. Essas frases foram retiradas e adaptadas para ilustrar esse texto que pretende divagar sobre como cada vez mais vivemos uma cultura de atalhos.

Longe de mim querer analisar aspectos sociológicos dessa “facilitação” da vida, eu divago porque preciso e vocês leem , então estamos de acordo. Parece que hoje em dia vivemos em um tempo em que é feio dizer “não sei fazer” ou “não quero aprender”. Será que precisamos saber de tudo, mesmo que de forma superficial? Qual é o problema se aos 30 anos de idade o sujeito não corresponde às “10 características comuns dos jovens bem sucedidos”? Então quer dizer que nos reduzimos a 10 pontinhos a serem seguidos? Quer dizer que precisamos de apenas 5 minutos para realizar algo que alguém inventou e levou dias, meses, semanas pra criar?

Antes que alguém me acuse de querer complicar as coisas, acho que atalhos são válidos e por isso existem. Mas, acho realmente preocupante quando vendemos essa cultura como única opção dos problemas da vida. Acho que a gente precisa vez ou outra pegar o caminho mais difícil pra ver o que tem lá. Suar um pouco a camisa, botar a cabeça pra funcionar. Senão a gente desaprende e liga a vida no automático. A pior conseqüência dessa situação pra mim é que cada vez mais, mais gente acha que sabe das coisas e não pensa sobre elas. Com ferramentas que compartilham a ignorância daí que o negócio fica perigoso.

- Ô, mulher, mas eu corro o dia inteiro e não tenho tempo de ficar pensando, eu preciso de solução. E rápido! Você, leitor indignado acaba de pensar nisso. Concordo, o tempo hoje é moeda de troca. Porém, insisto no fato de que é possível pensar diferente. Creio realmente que muito dessa cultura é resultado desse imediatismo que nós mesmos desenvolvemos e estamos passando aos nossos filhos. O que está ao nosso alcance pode ser feito e o que não está pode ser negociado. Sempre. Ou quase sempre.

Finalizo com uma frase que abre o livro “Terra Sonâmbula” de Mia Couto e que ilustra bem esse texto.

O que faz andar a estrada? É o sonho. Enquanto a gente sonhar a estrada permanecerá viva. É para isso que servem os caminhos, para nos fazerem parentes do futuro. (Fala de Tuahir)

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