segunda-feira, 2 de maio de 2011

A culpa é de quem?

O mais recente ato tresloucado do nosso senador Roberto Requião me pôs a pensar em algumas coisas. Vou tentar explicar elas para vocês, deixando em aberto réplicas nos comentários.

Para fazer estourar alguém de pavio curto, basta uma faísca. O nosso ex-governador é reconhecidamente um destes. Dia desses ele de suas "mordidas" em um jornalista da rede Bandeirantes. Não vou perder tempo explicando o que aconteceu, mas sugiro uma pesquisa rápida para quem não sabe do assunto. Vou direto à minha opinião.

Vejo mais culpa no jornalista do que em Requião.

Calma, não se revoltem. A atitude do político, como um representante público, jamais poderia ser aquela de tomar o gravador das mãos do repórter. Mas, para mim, tava na cara que o profissional estava lá para provocar Requião. A maneira como as perguntas foram feitas tinham a nítida intenção de arrancar alguma manchete das palavras do político.

No começo o tema da entrevista não era o que provocou toda a polêmica, mas nós sabemos que em entrevistas como essas os temas vão surgindo e acabamos chegando a assuntos que não haviam sido acordados. Enfim. Mesmo assim o cara perguntou sobre as tais aposentadorias e o Requião respondeu. Ai perguntou de novo, e ele respondeu. Na terceira vez o Requião estourou e arrancou o gravador da mão do caboclo. É óbvio que não concordo com isso, mas pô. Até eu me irritei ouvindo a entrevista pelo rádio.

Ok, tudo certo. Aí veio uma enxurrada de declarações via twitter ou blogs de jornalistas num corporativismo hipócrita querendo defender o companheiro de profissão. Pera aí moçada. Tentaram fazer um grande oba oba para defender um cara que visivelmente estava manipulando a entrevista para arrancar uma manchete? Uma coisa é você ser um jornalista "crica" que insiste para conseguir uma informação vital, outra é querer pescar uma manchete sensacionalista.

Porque os jornalistas não se unem realmente em prol da categoria? Cadê o movimento forte e unido pelo aumento real para os jornalistas? Aliás, cadê o nosso magro reajuste anual da inflação? Nossa data-base foi em outubro e até agora não renovamos nossa CLT. Cadê a união para isso?Aliás, nem se fala mais disso enquanto estou aqui esperando o pagamento da diferença retroativa para quitar meu cheque especial.

Todo mundo tem a sua parcela de culpa nessa história. Mas faço o mea culpa em nome da categoria. O que tem de jornalista despreparado e maldoso por aí e proporcional ao número de políticos que não merecem nosso respeito. Não que os personagens desse texto se enquadrem nesses rótulos.


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