segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Desafio DLQ: Crime evitável

Hoje recebi uma notícia terrível. Talvez para os que nos leem a minha aflição não tenha tanto impacto assim, mas para mim e para um bom "tanto de gente" a informação cai como uma facada nas costas ou uma marca de ferro quente. Por intermédio de uma colega (Maria Cláudia), ex-companheira de classe de ginásio do meu irmão, mas com quem convivi um bom tempo e por quem sempre nutri muito carinho, recebi a notícia de que pretendem fechar o Colégio Estadual Tiradentes (Antiga Escola Estadual Tiradentes), que fica localizado no centro de Curitiba, na frente do Passeio Público e da Praça 19 de Dezembro. 


Mais do que nunca preciso lançar mais um Desafio DLQ. 


Quem não tem história não tem futuro.


Lá no Tiradentes passei alguns dos melhores anos da minha vida e tenho certeza absoluta que muitos também. Lá foi o destino das primeiras vezes que andei de ônibus sozinho.  Foi lá que fiz minhas maiores traquinagens. Lá aprendi o que é perder, ganhar, renascer e vencer. Lá conheci uma das coisas mais importantes na vida de um home: a amizade. 


Tive aventuras, desencantos. Me apaixonei, me revoltei. Sofri. Descobri. E descobri MUITO. Fui criança e saí de lá adolescente. Joguei bola, quebrei vidraça. Subi no telhado, pixei carteira, escoltei amigos para casa por medo do "te pego lá fora". Tomei muita bicuda por não falar "hoje não". Tirei notas baixas (1,5 no boletim de matemática). Descobri o que queria da vida enquanto jogava handebol, basquete e vôlei. 


Frequentei a sala do diretor (Jorge ou Gilda) e trepei no muro para comprar Freegels e figurinhas do Campeonato Brasileiro e Copa de 94 na banquinha do Tio Carioca. Tive professores fantásticos e outros enganadores. Aprendi a diferenciar uns dos outros. Lembro com saudade de grandes mestres que tive o prazer de ver ensinar.


Lá que conheci os mistérios do amor. Me apaixonei pela primeira vez (Né Carol?). Dei o meu primeiro beijo. Me encantei, sofri. Me apaixonei de novo e aprendi.


Tudo isso ajudou a formatar o meu caráter e a me transformar no homem que sou. Todas as experiências que um jovem pré adolescente precisa viver eu vivi ali, na Presidente Farias, 625. 


Não sei quais são as justificativas e, a bem da verdade, nem quero saber. Nenhuma delas irá me convencer de que é um bom negócio fechar uma escola. Se ali hoje moram problemas, que os expulsemos de lá. Se faltam alunos, gente querendo estudar é que não falta. Se tem violência, que arrumemos policiais para dar paz aos pais e aos próprios alunos. Se o problema tem a ver com drogas, que se criem políticas públicas decentes para o combate a esse terrível mal. 


Mais do que nunca peço a ajuda dos amigos para divulgar esse protesto. Não deixem que se fechem mais um centro de educação e formação não só de bons alunos, mas de seres humanos na completa acepção da palavra. 


Por favor nobres deputados. Estimados vereadores. Uma palavra dos senhores pode mudar uma decisão como essa. Não deixem que matem o meu Tiradentes. Não deixem acabar a linda história de uma instituição tão importante para o povo paranaense.

Um comentário:

  1. É uma pena essa intenção de acabar com o Tiradentes da forma com que conhecemos. Tenho que colocar o meu nome nesse abaixo assinado. Aguardo mais informações. Parabens pelo sucesso do Blog!
    Ass. Chitão

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