quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Desafio DLQ II - Capítulo final

Não foi exatamente como esperávamos, mas estamos satisfeitos.

Quem, por dever de ofício ou vocação, costuma questionar o que esta errado nesse mundão véio sabe bem que enfrentar o 'sistema' é uma tarefa um tanto árdua. Recentemente, atendendo ao apelo de um dos leitores do nosso Diário Leite Quente, lançamos um desafio. Contamos a história de um casal de estudantes que veio do interior para Curitiba.

Gente simples, trabalhadora, que não conseguiu se encaixar no modelo que hoje é praticamente predominante nas escolas brasileiras. Recusaram drogas e viraram as costas para o crime e para os maus hábitos. queriam apenas estudar. Queriam aproveitar a chance que a migração do interior para a capital lhes proporcionou e batalhar para serem alguém na vida. Mas o abuso das drogas e a falta de segurança na escola prevaleceram. Reclamaram, foram até a pedagoga da escola, pediram auxílio e ganharam as costas.

A partir daí entramos em ação. Relatando o caso, pedimos o auxílio das autoridades para tentar melhorar a situação na mencionada escola. Garantimos o anonimato do casal e da escola nos relatos, mas citamos o estabelecimento aos deputados, vereadores e ao poder público. Não citamos o nome dos estudantes. Achamos melhor assim.

Recebemos algumas respostas e promessas de providências.

Um tempo depois encontrei o casal. Abalados, fizeram um relato emocionante e perturbador. A diretora da escola, pressionada pela secretaria de educação (que atendeu ao pedido de alguém. Ou nosso, ou de algum político) chamou os dois alunos para uma 'conversa'. Sem o mínimo de controle emocional, coagiu os dois a admitir que não existia aquele tipo de problema e os fez assinar uma ata que validar aquilo que eles foram obrigados a dizer.

Mentira. Só fizeram isso para tentar por fim ao calvário que se transformou o dia a dia deles na escola. Que deveria ser de paz e aprendizado, mas que virou um ambiente de pressão e nervosismo. Após o ato tresloucado da diretora, os 'tutores' do casal preferiram tirá-los da escola para não prejudicar ainda mais os estudos dos alunos.

O que a professora em questão não percebeu é que o caso poderia representar a chance as vezes esperada em uma vida inteira de dar um basta no que esta errado. Aproveitar que as atenções estavam voltadas para o problema e chutar o pau. Pedir socorro. Declarar guerra contra as drogas e a falta de segurança. Pedir a presença da polícia, a transferência de alunos. Educar na melhor acepção da palavra.

Mas não. Provavelmente se vendo como alvo de um processo administrativo, preferiu se defender. Preferiu a covardia da zona de conforto do que enfrentar as barreiras da vida e triunfar no seu intento de educar. Lamento. MUITO. Nunca atacamos a instituição e nem seus diretores nos relatos feitos. relatamos o problema e pedimos providências. Escancaramos o problema. Pena que não souberam fazer disso uma bandeira de basta aos problemas que tanto afligem quem realmente quer aprender.

Hoje o casal esta muito bem. Adoraram a nova escola e foram bem acolhidos pelos companheiros de classe. E é assim que tem que ser. Quem se 'mata' trabalhando durante o dia e vai para uma sala de aula a noite, vai porque quer ser alguém na vida. Quer vencer. E prova diariamente que sua causa é válida. É honrosa.

Fico feliz pelo casal ter se encontrado na nova escola, mas lamento muito os que ficaram na escola anterior.

Mexemos com o sistema, que aparentemente venceu de novo. Mas quem sabe não tenha sido apenas o começo. Quem sabe essa andorinha não faz um belo e promissor Verão, nem que seja num futuro não tão distante

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