quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Até onde vai o ser humano?

O relato feito pelo meu companheiro LG no post anterior é deveras preocupante. Mas os problemas - e a ousadia dos larápios - vão bem mais além.

Sábado passado confraternizamos o aniversário do patrão e mais um mês como líderes absolutos das medições de audiências realizadas nas jornadas esportivas e programas de esportes da Rádio 98FM Curitiba. A festança foi de arromba mesmo e ainda bem que as paredes não falam e restou pouca gente sóbrea para contar a história (ou os fiascos). No caso, para azar de alguns, eu sou uma dessas pessoas. Hehe.

Mas o papo é sério. La pelas tantas, coisa de 2h30, tive que levar um dos nobres colegas emergencialmente para a US do Boa Vista. O mencionado companheiro estava praticamente sem vida, judiado por dores de amor e a maldita cachaça. Como companheiro é companheiro, fiá da puta é fiá da puta, levei o bruto junto com outro alegre amigo para o atendimento.

No vai não vai das coisas, vencidos os trâmites burocráticos,aguardávamos atendimento de triagem. Eu estava de posse da carteira do amigo devido a sua completa incapacidade de segurar qualquer obejto (mal conseguia deixar a cabeça em pé, imagina o resto). Entre uma gorfada e outra, deixei a carteira na cadeira do lado e fui acudir o amigo para que ele não lavasse o chão da US com seus refluxos. Logo em seguida, nos chamaram para atendimento e começou minha agonia.

Depois do primeiro atendimento, voltamos para o mesmo lugar e não notei nada de anormal. Em seguida, vencidos mais alguns minutos de espera, fomos para um novo atendimento e ao ser questionado da idade do amigo, tateei os bolsos a procura da carteira dele. PUTZ!

Naquele meio tempo entre colocar a carteira na cadeira oa lado, segurar o saco de lixo indefeso que receberia em milésimos de segundos os fluídos corrosivos vindos do bucho revoltado do colega e a chamada para a triagem, alguém agiu rapidamente e surrupiou a carteira do meu colega.

Imediatamente fui falar com todos os pacientes que ainda estavam por ali, com funcionários, Guarda Municipal e tudo mais. Olhei nas lixeiras, fora da US, revirei tudo, mas não encontrei nada. Como eu poderia ter feito uma cagada daquelas. Como poderia tirar sarro da cara do cozido, se eu, sóbreo, perdi a carteira que ele nunca perdera? Merda. O único instante em que ele demonstrou o menor nível de consciência foi ao receber a notícia de que eu teria perdido sua carteira. Mas foi apenas um sopro de lucidez rapidamente dissipado por mais um apagão.

Andei quase uma quadra fora da US procurando a carteira e quando eu já tinha largado os betes, a encontrei bem no pé de uma das colunas do portal de entrada da US, cuidadosamente acomodada. Sem dinheiro, é óbvio.

Minhas suspeitas recaíram sobre duas pessoas. Um cara que demonstrou interesse até em ajudar a procurar, mas que não me inspirou a confiaça esperada. Meio dissimulado. E estava por ali quando aconteceu o fato. O outro era um pai, que pouco antes de nós, chegou ao local com a filha e a mãe da criança.

Neste caso me doeu suspeitar do casal. Era bem simples, aparentemente com poucas condições financeiras. Quase rotos. Quando fomos para a triagem, o cara ficou na sala de espera. Quando voltamos, o casal sumiu. sequer esperou o atendimento da criança. Ou ela sarou, por milagre. Ou...

Agora, pensar que um cara leva a filha no hospital as 3h e foge sem atendimento adequado por causa de R$ 70, é triste. Triste, mas real. O que será de uma filha dessas? De uma família como essa? De uma cidade como essa? De um país como esse? É muito triste. O mau-caratismo da grana fácil faz coisas horrorosas como essa. Espero, ao menos, que essa criança não seja contaminada por pais como esses. Pelo bem dela. Pelo nosso bem.

ps: Quanto ao amigo cozido, ele esta ótimo. Aliás, que coisa linda a tal da glicose na veia. Tem alto poder de ressucitamento. Impressionante. MESMO.

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