sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

DRU - Direito de Roubar Universalmente?

E a DRU (Desvinculação das Receitas da União), hein?

Este dispositivo criado pelo Governo Federal em 1994 permite que cerca de R$ 60 bilhões do total arrecadado pela União sejam torrados como os governantes bem entenderem. Ontem, em primeira discussão, os nobres políticos aprovaram a prorrogação do prazo para a existência deste dispositivo até 2015. Resta agora a segunda votação e a sanção da presidenta Dilma.

O que você faria como R$ 60 bilhões se fosse presidente do Brasil?

Se fazer essa pergunta pode ser um exercício interessante para saber qual é a sua importância para o país. E não adianta fugir, amigo... o Brasil É O SEU PAÍS. Quer você queira, quer não.

E ai? O que você faria?

O Governo diz que o montante é necessário para manter a estabilidade da economia em tempos de crise mundial.

E você, o que faria?

Eu não teria problema algum em pegar moeda por moeda desses R$ 60 bilhões para por nas mãos da Zilda Arns, por exemplo. Da Madre Tereza de Calcutá. Do Ghandi. Mas não daria um vintém para 90% dos canalhas que nos representam em Brasília, por exemplo.

E você, o que faria?

Construiria mais hospitais, ou investiria em educação para esclarecer de uma vez por todas que somos suicidas por natureza? Nos matamos diariamente com drogas, álcool, gordura e péssimos hábitos, como dirigir embriagado e ser sedentário.

Construiria mais escolas, ou investiria na capacitação e na contratação de professores que, independentemente de edifícios cumprem a nobre missão de ensinar? Um professor motivado e recompensado vale muito mais que escolas bonitinhas e cheias de frescurinhas.

Construiria mais presídios, ou derramaria o dinheiro inteiramente em educação e na melhora da distribuição de renda, para diminuir a cruel desigualdade social do nosso país?

Construiria mais parques, ou investiria na modernização do tratamento dado ao lixo urbano, melhorando a destinação dos resíduos e, por conseguinte, evitando a degradação do meio ambiente?

Construiria uma nova avenida na cidade (com pompa, propaganda e sinaleiros), ou pensaria numa ampla reestruturação do sistema coletivo de transporte para diminuir a frota de veículos nas ruas e melhorar a qualidade de vida e minimizar os impactos da poluição?

Talvez eu mesmo não soubesse o que fazer com tanta grana. A missão é complicada e a solução ideal é praticamente utópica. Mas quem seríamos nós se não sonhássemos.

Somos obrigados a viver, conviver e reviver num período bianual com um sistema político corrompido e falho. Que periodicamente revela escândalos e mais escândalos. Que não têm partido, como muitos pensam. Mas tem a alma podre. O canalha que é canalha não se importa com o número na bandeira do comício. O vagabundo é vagabundo vestindo vermelho, preto, "verde, amarelo, azul e branco também". O corrupto é corrupto na subtração ágil de um troco dado a mais, como é no desvio de milhões de uma verba qualquer por uma ONG qualquer.

O que fazer com o nosso dinheiro então? Como fazer com que a DRU não seja uma carta branca para o roubo? Sabe Deus... sabe Deus. Aliás, não sei se o todo poderoso tem essa resposta. Talvez o próximo ministro demitido saiba. Se não, o próximo saberá.


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