terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Uma reflexão sobre nossos direitos

A luta constante pelo que acreditamos ser o certo nos leva, invariavelmente, para o mesmo caminho. Ou seja, o caminho dos oprimidos e injustiçados. Protestar e combater injustiças - seja por intermédio de textos, seja com cartazes em punho - nos define (a mim, ao meu companheiro LG e a muitos amigos também).

Uma das frases que li desde o início da grave dos motoristas de ônibus de Curitiba me pôs a pensar ainda mais sobre a questão: "Há dez anos nós ganhávamos 3 salários mínimos. Hoje ganho um e meio". Isso é chocante demais. tão chocante quando imaginar um pai de família ganhar 600 contos para sustentar uma família de seis, morando numa meia água de três cômodos.

Achar isso injusto é o termômetro que nos define. Ponto.

Mas há de se levar em consideração o tamanho do impacto das ações tomadas por determinados grupos no dia a dia dos demais. Espero que já tenha ficado BEM claro o meu posicionamento quanto ao 'se revoltar contra o que esta errado', mas é preciso muito cuidado para não se atravessar a tênue linha da responsabilidade.

Parar uma cidade para mostrar força é uma demonstração incrível, mas também egoísta. Faz bem para o ego, mas mal para um sem número de co-irmãos. E isso acontece facilmente quando médicos, motoristas de ônibus, policiais e bombeiros (os dois últimos, inclusive, constituem crime militar) resolvem cruzar os braços (expressão quase nunca usada em textos sobre greves :) .

Jamais questionarei os motivos que levaram ao protesto iniciado hoje em Curitiba (nem os dos policiais de Salvador e outras praças), mas o conceito "tua liberdade e/ou direito acaba (am) onde começa a minha (meu)" nunca fez tanto sentido.

A grande reivindicação daqueles que hoje protestam e 'param' a cidade deveria ser feita nas URNAS. Lá é que se pode responder a uma frustração e exigir mudanças profundas. É bem verdade que a categoria em questão, a dos motoristas, imaginou algo assim a eleger um de seus representantes (Denilson Pires, vereador por Curitiba), mas algo inexplicável (????) o tirou do caminho previamente planejado e hoje ele - que já foi preso - é denunciado por desvio de R$ 8 milhões do seu próprio sindicato.

Será que o protesto por melhores salários não deveria ser feito na casa do vereador? #ficaadica

Protestar é legítimo e qualquer tipo de manifestação que pense no bem comum terá o apoio da população. Contudo, é preciso agir com inteligência. E parar a cidade para mostrar força, a meu ver, não é uma das coisas mais sábias a se fazer.

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