sexta-feira, 30 de março de 2012

Eu odiei Curitiba

Não preciso dizer o quão apaixonado sou pela minha terra. Curitiba é, para mim, a melhor cidade do mundo para se viver. Não conheço tantas outras assim para comparar? Não. E nem preciso. Me basta apenas sentir o que sinto sem querer conhecer nada de diferente.

Ontem foi aniversário da minha cidade. 319 anos. Especificamente ontem não senti esse carinho toda pela minha cidade. Não a quis bem e nem desejei viver e morrer neste solo. Não projetei o futuro dos meus filhos correndo pelas praças e parques daquela saudosa Curitiba. Nem o passear pela feira livre nos domingos pela manhã. Muito menos o passeio de mãos dadas no cair da tarde.

Na verdade, ontem, odiei Curitiba. Não a Curitiba do parágrafo anterior, mas sim a Curitiba que se transformou e hoje me envergonha. Uma Curitiba que, pelas mãos de péssimos governantes e sob os olhos permissivos e letárgicos de políticos descompromissados, agoniza num mar de violência. Uma cidade onde o pavor toma conta de seus cidadãos. Seja pela falta de segurança, seja pelo trânsito caótico. Pela falta de condições básicas de saúde, seja pela corrupção.

Venho tentando apontar alguns problemas, mas também sugerir soluções. Sonho com a velha Curitiba, não essa nova. Essa nova Curitiba me feriu, ferindo os que amo.

Sem pestanejar, toparia fazer um negócio bem maluco, mas que com certeza nos devolveria um pouco de paz:

- Trocaria cada equipamento de ginástica nas academias ao ar livre para um novo policial.
- Trocaria cada buraco tapado nas ruas com aquele farelo de asfalto ridículo por novo policial.
- Trocaria cada um dos novos ônibus comprados pela prefeitura por um novo policial.
- Trocaria cada novo mobiliário urbano por um novo policial.

Preferia andar em ruas esburacadas, não poder mais me exercitar gratuitamente, andar em ônibus lotados e poluentes e até tomar chuva enquanto os espero.

Faria tudo isso se eu tivesse a CERTEZA de que estaríamos seguros.

Se eu soubesse que minha família nunca mais teria uma arma apontada para sua cabeça, faria todas essas trocas. E viveria feliz. Feliz e agradecendo por ter um ambiente seguro para criar meus filhos, brincar com meus sobrinhos e ver minha mãe e meu pai entrando na velhice sem maiores preocupações, que não a de mimar seus netos.

Odiei Curitiba ontem, mas estou certo de que voltarei a amá-la. Mas ainda dói. Vai passar, mas dói

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