segunda-feira, 7 de maio de 2012

O comércio é cruel


Desde o começo do DLQ nossa intenção era debater as coisas da nossa terra. Não só entre os dois autores, mas sim entre todos os que se dispusessem a discutir, contra-argumentar e fortalecer conceitos que pudessem agregar algo no nosso dia a dia. Volta e meia somos surpreendidos com a participação mais ousada de alguns companheiros. 

É com prazer que publico a seguir o texto do Rodrigo Sibut Vieira. Um amigo virtual (afinal é assim que se dá nossa relação) que pensa como nós. Quer o bem da nossa cidade, para o bem de todos que nela vivem. Ele aborda um tema interessante (para mim inédito), num texto carregado de emoção. valeu Rodrigo.

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O Comércio é Cruel.
 
Quem aqui não viu ainda um comercial para "presentear" sua mãe com um perfume, ou um carro, um apartamento, ou ainda comprar ovos de chocolate e/ou brinquedos para as crianças.
 
A medida que os anos avançam, esquecemos que as mães também envelhecem, adoecem e algumas chegam ao desencarne. No caso da criança, elas também podem adoecer e vir a desencarnar.
 
Agora, o comércio está preocupado com isso? E alguma vez ele esteve?
 
Me pus a pensar há poucas semanas por conta dessa enxurrada de propagandas, quase que similares a um vômito, cujo foco é comprar, comprar e comprar.
 
Minha mãe desencarnou em 23 de outubro de 2008, vítima de um câncer de reto descoberto pouco mais de 30 dias do desencarne.
 
A perda de um ente querido é muito sofrida e só quem passa por ela sabe o processo duro que é ter que se reerguer e continuar o seu processo de vida, afinal, existem pessoas que dependem, direta ou indiretamente de você.
 
Sejam seus familiares, amigos, colegas, leitores, companheiros do local de trabalho.
 
Mas o comércio é cruel. Ele não se interessa se você já "superou" ou não sua perda.
 
Ele quer sim saber quando você vai entrar naquela loja e comprar algo para sua mãe, seu pai, seu filho ou sobrinho.
 
E saiba que você pode pagar em "N" vezes, com a primeira parcela a ser paga só no final do ano.
 
Não seria a hora dos profissionais que trabalham no marketing e planejamento relevar essa variável? Ou até quando o dinheiro vai manipular essas mentes, forçando-os a esquecer valores como Família?

Rodrigo Sibut Vieira

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É difícil não pensar nesse texto. Para o comércio cruel, classificado assim pelo nosso amigo, só importam as famílias felizes, com mães amorosas e, principalmente, vivas. É justo? Não sei, mas só sei que é assim. Mas será que não seria uma boa pensar em datas como essas para abordar outros temas pertinentes, que não apenas o ato de presentear? Acho que sim. E porque não ousar e ir para esse lado?

Participem!

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