quinta-feira, 7 de março de 2013

Por um dia-a-dia internacional das Mulheres



Há anos venho ouvindo de minhas amigas militantes do Movimento Negro - cito as amigas por razões que nas próximas linhas se tornarão óbvias - que a questão do Povo Negro no Brasil tem raízes no processo de escravização, e que o "Treze de Maio" não lhes impôs fim.  De fato, dizem elas, e eu próprio repito qual  um mantra, o problema foi o dia 14.   

A liberdade pela qual lutaram nossos antepassados (mulheres e homens negras e negros) não haveria de ser esse arremedo que tivemos com a Lei Áurea.  Não é liberto quem, depois de ter seu trabalho explorado compulsoriamente. Depois de um processo de coisificação, de transformação em mercadoria e, especialmente, tendo sobrevivido à desumanização da escravização fica obrigado a transpor ainda uma outra barreira: a da exclusão, marginalização, invisibilização e  inferiorização a que foi relegado por força de uma lei que deu fim, sim á escravidão institucionalmente e apenas isso.

haverá gente que dirá, diante do exposto que a reclamação é prova  ou ao menos evidência de descontentamento descabido.  Algo como cuspir no prato - nesse caso seria na mão da Redentora -, não reconhecendo pela liberdade concedida.  Primeiro que não foi concedida, mas conquistada. Segundo que não foi liberdade visto que se concebeu uma legislação que mais que dá fim à escravidão deu fim ao Movimento pela libertação e consequente mudança social, pela incorporação dos ex-escravizados á estrutura social econômica e política do país.

Sendo amanhã, dia 08 do mês de março, minha, talvez insólita analogia, tem o propósito de incitar à reflexão quanto ao que alguns consideram dia de homenagens às mulheres.  Muitas famílias irão jantar fora e, desse modo às mães não apenas não precisarão cozinhar, como não lavarão a louça.  Casais terão, possivelmente uma data a mais para que o distraído marido dê flores à mulher amada.  Haverá, como já hoje há, um sem número de posts no face, relativos á data. No dia 09 de março deste ano da graça será sábado.

Se nesse dia seguinte, sobrar apenas a "pílula", então meu texto fará sentido. A diferença, apenas será que, claro, não sendo dia 14 de maio e o ano não sendo o de 1888, não será o início do suplício para o qual não há lei que ponha fim.  Será, no entanto, cabível a comparação e cabe mesmo uma referência à canção do Lennon cujo verso inicial gritava às mentes psicodélicas: " Woman is the nigger of the world".
Diria esse singelo escrevinhador que seria louvável que fossem todos os dias, dias de homenagem e de reconhecimento, dado que em vez da balela de que elas vieram da nossa costela, nós é que viemos do útero delas.  Obrigadíssimo á todas!  Um obrigado especial às Candaces!

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