sexta-feira, 12 de abril de 2013

Instaurando a Desagradabilidade



Então tá! Cansei de ser sex (claro que é uma figura). Diria meu colega de profissão, Marcos Araújo: "Sejamos abjetos". Ainda que a contragosto, complemento.
Nesse mar de desmedidas, infindáveis e pouco produtivas discussões quanto à maioridade penal, ouzo um pitaco.  Meninos e meninas roubam, estupram e matam. Fato. Fazem isso crianças e adolescentes de quase todos os níveis sociais há algum tempo. Fato.
Meninos e meninas vivem sob as mais indignas condições. Sub-humanas mesmo. E isso ocorre desde logo depois da chegada de Cabral (me refiro ao Pedro, não ao da Zélia ou ao do Rio - o filho, no caso).  Ocorre que isso é uma realidade, apenas com os infantes das camadas inferiores da nossa pirâmide social.
Não carece, portanto, de grandes estudos sociológicos, nem antropológicos a fim de que se perceba o estrago que isso faz na suas cabeças e almas.  É mais que perceptível o ódio gerado por esse estado de coisas. Mais ainda: parcos conhecimentos estatísticos permitem observar que a violência sob a qual essas pessoas crescem se reproduz nos seus atos, logo assim que formam musculatura suficiente para exerce-la também, em vez de apenas sofrerem sob ela.
A exiguidade de tempo (tenho de fazer o almoço, buscar minha filha na escola e, logo depois da refeição, retomar meu trabalho de fechamento de notas escolares que está atrasado) me leva a ser curto e grosso.
Quando um menino pobre mata violentamente um menino rico é uma tragédia. Fato.  Ninguém quer isso pra ninguém. É um crime, sim. Há que se tomar providências quanto a isso e outras tantas coisas, sim.  Não me venham, no entanto, com a balela de que a suposta diminuição da maioridade penal acabará com isso, ou diminuirá a ocorrência de tais eventos.
Correndo o risco de bancar o filósofo do óbvio, digo:  nossas leis não são fracas, nem o endurecimento delas mudará substancialmente o estado de coisas.  Botar mais meninos pobres, violentos e criminosos na cadeia - ainda que venhamos a aprovar também a prisão perpétua ou pena de morte - não é solução.  Até pode ser se a gente admitir que quer mesmo completar o serviço que a exclusão a que os condenamos não deu conta. Nos livramos deles.  "É isso só. Tem mais não"!  Por hora.

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