terça-feira, 2 de abril de 2013

Uma mentira que muda Leis e deixa o arrependimento de legado

É inadmissível mudar as leis de um país por causa de um evento esportivo. Um ABSURDO. Por menor ou pouco importante que seja a referida lei (aliás, se for mesmo pouco importante, nem lei deveria ser).

Vivo do jornalismo esportivo. Para profissionais como eu, cobrir uma Copa do Mundo é apontado como o auge. O ponto máximo da cobertura. Não vejo assim. Prefiro produzir uma reportagem que mude a vida de alguém do que ter o status de cobrir um mundial de futebol. Isso não quer dizer que não quero trabalhar em um campeonato como esse. Pelo contrário. Trabalharei com o mesmo profissionalismo e foco na informação e no humanismo que tenho ao cobrir um jogo entre Paraná Clube e Paranavaí, na última rodada do campeonato, quando o resultado em nada vai interferir na sequência da competição.

Mas nem por isso aceito bovinamente o que fazem com o meu país, meu estado e minha cidade por causa de uma competição esportiva que mal dura um mês.

A Lei que impede a venda de bebidas alcoólicas nos estádios de futebol é uma bobagem. Em nada diminui os índices de badernas e brigas entres torcedores no pré e pós jogos. Mas se é Lei, TEM QUE CUMPRIR. Seja pelo meu amigo Tino, que aprecia uma cervejinha vendo o seu Coxa jogar no Couto Pereira, seja pelo senhor Joseph Blatter, presidente da Fifa.

Acho que a referida Lei precisaria ser revista? Acho. Mas enquanto isso, é imoral tirar a sua validade apenas para atender aos interesses comerciais de uma entidade que se presta apenas a sugar o que o futebol tem de melhor para convertê-lo em cifras.

Tudo bem, deixa pra lá. A lei da bebida não é importante. Ok, vamos ver o que vem a seguir...

- Suspenderam a aplicação da lei do meio ingresso para que a Fifa venda os bilhetes conforme sua conveniência. Mas que palhaçada. Mais uma vez abrimos as pernas para o deleite da Fifa. Vendemos a alma. Não só dos diversos elefantes brancos que nos assombraram por anos, lembrando-nos do quão idiotas somos (povo brasileiro) ao despejar rios de dinheiro em obras sem a mínima utilidade além de 30 dias. E utilidade efetiva questionável.

O direito adquirido de várias pessoas, como estudantes, aposentados, doadores de sangue, professores e afins é jogado no lixo para atender a mais uma exigência da Fifa. Danem-se nossas Leis.

Ahhhhh, mas tem o legado da Copa distribuído por várias obras na cidade.

Rááááá. Metade não vai mais acontecer, mas teremos uma super-mega-belíssimo viaduto estaiado (que poderia ser trocado, se não legalmente com o dinheiro específico do PAC para essa obra, pelos princípios da razoabilidade e obviedade, virar uma porção de trincheiras). Teremos também uma nova avenida das Torres, com mais pistas e mais radares. Um belo paisagismo e talvez um novo muro para esconder a Vila das Torres.

Cada vez que penso, discuto ou vejo qualquer coisa relacionado à Copa já tenho uma gastura. É perda de tempo. É chover no molhado. Mas é meu dever, periodicamente, desabafar contra esses absurdos cometidos.

Um comentário:

  1. Dudu, não esquecendo que as torres da avenida das torres foram parte trocadas e o restante deverá ser, no trecho para inglês ver, por postes. Concordo contigo plenamente e ainda mais, que tudo isso sirva de lição: COPA do MUNDO não será para os brasileiros irem assistir ao vivo no estádio e sim, para os estrangeiros que já devem fazer fila até porque o Brasil, além de futebol, tem o tal turismo sexual, ops, esquece...

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Desabafe!