sexta-feira, 21 de junho de 2013

Eu, Ninador de Hipopótamos*


Ouvi de um humorista, há alguns meses, no Programa Roda Viva - falando diretamente para alguns blogueiros - que eles (os blogueiros) preferiam as inverdades ou "verdades" não apuradas devidamente, do que as noticias.  Dizia ele: vocês sabem quem é o público de vocês e falam o que eles querem ouvir, ou melhor, escrevem sobre o que eles querem ler.  Uma das blogueiras afirmou então: que "quando você posta uma nota falando que a Hebe saiu do hospital isso resulta em poucos acessos.  A informação de que a Hebe foi pra UTI rende milhares de acessos.

Outro dia, ouvi, num programa da ESPN-Brasil, um jornalista dizer em tom de brincadeira que, para a maioria das pessoas, notícia ruim é "notícia boa", notícia boa, as vezes, nem é notícia.  A cara leitora e o caro leitor há de se estar perguntando a razão desse "nariz de cera". Explico.  O terrorismo funciona melhor que a informação.  (Viu como sou capaz de ser objetivo?  O Jack ficaria orgulhoso!).

As ruas gritam ao país contra o modelo brasileiro de gestão pública e de veiculação da informação.  Diante desse quadro quase sem paralelo na historia do país a maioria dos partidos políticos tenta fingir que os gritos são dirigidos aos ouvidos "do outro partido", dos outros políticos.  A mídia prefere, em alguns casos fazer uma meia cobertura, noutros casos, uma anti cobertura.  A maioria das pessoas vem tratando da questão como uma oportunidade de fazer valer suas "verdades". Na prática, suas crenças, seja lá o que isso for.  Não me furtarei a chamar a atenção para alguns fenômenos estranhos em meio à tempestade que, infelizmente, não é de ideias.  Há riscos nisso, bem sei, mas viver é um risco.

Questão 01
Há muita contra-informação na Internet, mas há informação também. Há muita opinião disponível, a maioria, com pouco ou nenhum substrato.  Para levar a sério e inserir num processo de reflexão, convém que sejam assinadas.
Questão 02
Movimentos, manifestações, protestos ou seja lá o que for, de modo geral têm uma identidade (ideológica, coletiva ou individual) e serão sempre mais efetiva se tiverem um porquê.  Ainda que difuso.
Questão 03
Se aos jovens é permitido ter mais impulso que racionalidade e isso é, aliás saudável, visto que as pessoas adultas pensam demais, querem ter certezas demais e têm medo demais (inclusive de sair das suas respectivas zonas de conforto); por outro lado, até por isso, é justo esperar que nesses, ao contrário daqueles, se encontrem vontades e esforços no sentido de compreender tanto o contexto quanto os atos em questão.

Tenho ouvido e lido muita bobagem por esses dias.  Mais que o habitual. Isso, aliás, tem me feito lembrar de uma frase que o amigo Araújo repetia muito, citando alguém que seria o autor e, sinceramente, não me lembro quem era: "Nada mais perigoso que um idiota com iniciativa".  Marx escreveu que a historia sempre se repete e completava em tom (para nós, no presente momento) de aviso: a primeira vez é a tragédia, a segunda é a farsa.  Fico eu pensando, então a respeito das possibilidades históricas e lembro aos caríssimos e caríssimas, que esse escrevinhador registrou no texto anterior que esse nosso momento histórico é tão maravilhoso quanto perigoso.  Completo lembrando que no próximo sete de setembro, completarei 52 anos.  Quando eu tinha 3 anos de idade, vivemos algo parecido.
Houve, naquele momento, quem achasse que se tratava de eventos que poderiam ser enquadrados no contexto da "loucuragem" vivida pela juventude de então e, como dizem alguns hoje em dia, "não dá nada".  Houve gente que tentou aproveitar o momento para recuperar o espaço de poder perdido, apertando o botão do "f...-se" só pra ver no que dava.  Houve gente que tentou aproveitar o momento para tentar resgatar valores que pareciam estar se perdendo numa modernidade "ateia" e num movimento "esquerdizante".  Houve gente que, ocupada demais, não pode parar pra pensar ou contribuir...   Houve gente que deu um golpe e instalou uma ditadura.

Claro!  Devo estar sendo dramático demais.  Exagerado.  Sou também, ao meu modo, terrorista... Pode ser. Meu texto e minha reflexão, no entanto, vai assinada.  Quase todo mundo sabe onde me achar pra discutir sobre o que aqui exponho e o que não cabe aqui.  Adoraria poder fazer o mesmo com muita gente que anda batendo no peito e cantando o Hino Nacional Brasileiro, como também fizeram as senhoras da "Marcha das Famílias, com Deus pela Liberdade, em 1964.
(*) O título é um empréstimo livre e não autorizado
do título de um poema do filósofo, bioquímico e poeta,
meu amigo, Jaime Francisco Antunes

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