terça-feira, 18 de junho de 2013

Ronaldo, Vitor e Ana Beatriz: meus professores



Ronaldo, meu aluno, me convidou para a Manifestação em Curitiba. Disse á ele que iria se ele me convecesse.  Professor, me disse ele, não é certo os caras gastarem tanto com estádio de futebol e nada pra saúde, educação...  Argumentei que não é bem assim e que há mecanismos de participação, os conselhos e que tais... Que os orçamentos municipais, estaduais e federal destinam percentuais fixos pra essas áreas e considero, sim, necessário um aumento nesses percentuais, mas que precisamos, antes ainda, definir melhor o que queremos pra o nosso sistema de saúde e pra nossa estrutura educacional...  Ah, eu!  Seria mesmo difícil pra um menino de 16 anos entender isso tudo, fazer isso de me convencer, dada a complexidade do processo.  A parte positiva da nossa conversa é que eu não o demovi da ideia de participar desse momento histórico.  Felizmente, a juventude não é bundona como a gente. Ela simplesmente vai pra rua.

O país, na mente de gente velha como eu, fica perplexo diante do momento e demora pra entender.  Espero que o Ronaldo e os outros meninos e meninas que participaram da minha verborragia me perdoem. Só ontem a noite consegui ver alguma luz nisso tudo. Nossa conversa, infelizmente foi a tarde.

O jovem Geraldo estaria lá no primeiro momento. Esse senhor maduro quis entender tudo, antes de mexer a bunda.  É óbvia, desde o inicio, a intenção da Grande Mídia. Ela, mais velha do que eu e muito mais ranzinza e comprometida (não com as mesmas causas, claro); primeiro tentou não dizer; depois disse que se tratava de um bando de baderneiros; depois ficou tateando no escuro e pensando em como fazer disso um "braço forte", como o do Hino, contra a Dilma e a possibilidade de reeleição dela; depois, bem, depois teve de fazer um pouco de jornalismo...

O velho Geraldo chegou em casa na segunda a noite, bem cansado, e viu seu filho adolescente empolgadíssimo, acompanhando há quatro horas, a cobertura dos eventos por todo o país e pelo mundo. Ao mesmo tempo, o guri tava puto com a mãe dele que não o havia autorizado a participar da manifestação que estava agendada para essa mesma noite, em Curitiba.  Esse senhor que vos escreve, naquele momento, foi convidado pela filha a participar de um evento dessa mesma natureza, marcado para sábado próximo em São José dos Pinhais.  Perguntei à ela do que se tratava. Pai, ela disse, a gente ta querendo que as pessoas entendam que as coisas não podem ser assim. Tem essa coisa da copa, da saúde, da educação, da corrupção, esse Beto Richa e aqui a gente a gente ta encampando, inclusive esse negócio do Setim ser ficha suja.

Minha filha tem 14 anos e me fez entender que a Mídia, os partidos políticos, os próprios políticos e eu estamos olhando às avessas.  É muito nítida a questão em pauta: cansaço.  As passagens de ônibus, ou o valor delas, o seu reajuste encheram o copo da paciência transcendental do povo brasileiro em relação aos seus governantes, legisladores, homens togados (inclusive) e talecoisa...  Deu pra isso!

É possível que ninguém saiba mesmo, como eu disse ao Ronaldo, o que se quer.  Mas é fato, sei agora, que quase todo mundo sabe o que não quer. Convém que nós, velhos de ideias, olhemos com respeito e atenção pra essa gente nova e louca por mudanças.  Convém que ouçamos em vez de dizer.  Convém que coloquemos nossa experiência à disposição da energia deles, de modo que seja facilitada a sua compreensão acerca das próprias insatisfações e venhamos a construir, todos, caminhos novos e mais dignos pra esse projeto de nação.  Momento tão lindo e empolgante quanto perigoso.  Maravilhosa sociedade que gesta coisas assim. Sim. Ela está grávida, isso é fato.  O bebê, veremos como será.  A barriga ta linda!

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