quarta-feira, 8 de junho de 2016

Desculpem-me!

Então, a história é a seguinte: nos ultimos dias estamos, nós curitibanos, sendo bombardeados com notícias, relatos e histórias dos assaltos a ônibus e principalmente, aos passageiros desses veículos. Não obstante, temos ainda os assaltos aos transeuntes e demais cidadãos dessa sociedade. Nesse contexto, um detalhe que chama atenção é que os meliantes, chegam, abordam suas vítimas algumas vezes com extrema violência desnecessária para o tamanho do delito e exigem algo específico: o celular!

Ouvi pelo menos 3 relatos na ultima semana além das notícias que deram conta do assunto.

E aí, peço desculpas mais uma vez, mas não há como continuar o assunto sem tocar numa ferida social muito importante que é nossa participação nisso tudo. Eu sei, todos temos o direito de trabalhar e conquistar nossos objetos, os nerds uma época chamavam de Gadgets e assim sendo, nada mais justo que os usemos onde quisermos e coisas e tal.

Mas, assim como conheço pessoas que foram assaltadas e tiveram seus bens levados, alguns inclusive com o uso de arma de fogo para coação, conheço também pessoas que participam do outro lado da coisa (não são meliantes não), mas que alimentam esse mercado, hoje mais livre que tudo!

Certa vez, caminhando no centro de curitiba, ao parar e esperar o trânsito para atravessar uma rua, fui abordado por um sujeito, bem vestido, de fino trato, que, me mostrou um aparelho (conheço bem esse nicho) que valia na época, novo com nota, por volta de 1500 reais. A oferta era esse aparelho, sem fones de ouvido ou carregador, com a garantia de perfeito funcionamento, por 750 reais. Claro que eu, no meu pensamento pensei, opa, boa oferta, mas que neguei de forma imediata.

Mas o moço foi além, baixou o valor para 650 reais... E novamente neguei, pois logo imaginei que não era alguém desesperado por dinheiro que estava vendendo um bem seu para alimentar 5 ou 6 perebentos em casa!

Para minha surpresa, esse cidadão de bem, até que se prove o contrário e que deve ter estudado em uma excelente escola de negócios, me propôs que, se eu quisesse, ele iria comigo até o banco e por 500 reais em dinheiro o celular seria meu, assim, na tranquila, 15 horas e tantos de uma tarde de dia da semana.

Aí eu te pergunto: como não aceitar que isso seja no mínimo um bom negócio? Explico antes das acusações de apologia ao crime.

O cara está ali no centro de curitiba, onde passam milhares de pessoas todos os dias. Em 2 minutos, fechamos a negociação com 3 negações minhas. Ele parte para outro. Em uma hora bem trabalhada ele vai abordar algo próximo a 30 pessoas (60 minutos / 2 minutos por pessoa = 30 pessoas)... Se dessas 30 pessoas por hora, 1 comprar seu produto, ele ganha 500 reais por hora. Piorando o cenário, se ele vender 1 a cada 2 horas, 250, 1 a cara 4 horas, 125... Quem ganha isso hoje por hora?

Com uma faca nas mãos ou uma arma, em 1 hora ele consegue levantar vários aparelhos... E aí, dá pra pensar que investe uma parte da manhã para ganhar, uma parte do dia para limpar os mesmos e a tarde, sai vender...

E, se tem gente que compra, tem gente que vende, se tem gente que vende, tem gente que rouba, se tem gente que rouba, tem gente que é assaltada, e o ciclo nunca mais vai fechar a não ser que uma das partes desista de participar, o que, num futuro próximo não parece ocorrer...

Ou alguém ainda acha que os assaltos com roubo/furto de celular é para levar os aparelhos para as cadeias? Não, né...

Lembro-me bem que uma época esse mesmo comércio girava em torno dos Walkman´s, que eram febre. Depois, passou para os óculos, quem nunca teve um HB roubado? Os meliantes subiam nos pneus dos ônibus parados para roubar óculos de sol HB, Mormai... E dinheiro é algo raro, pouca gente anda com dinheiro... Jóias idem - documentos e cartões não servem para muita coisa então, sobra os famosos Gadgets, que cada vez custam mais caro, cada vez são mais cobiçados e por ai vai.

A polícia pode fazer tudo que for possível, enquanto tiver gente comprando iPhones roubados, Galaxy S7 furtados, e outros smartphones de mercado clandestino, haverá pessoas dispostas a roubar os mesmos...

TV´s, bicicletas e até carros - é a mesma coisa, quem não conhece alguém que tenha comprado um bem desses (tirando carro) baratos? Isso sem falar nos mercadões do face, que viraram uma bora ferramenta (alguns poucos) e nos sites de vendas, em que a origem não é exigida ou verificada...

E nem vem com o papo de crise, pois quem participa disso, não tá interessado em crise...


Por fim, vamos lá... Qual linha será a próxima?

Fui!!

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