quarta-feira, 14 de agosto de 2019

Você se permite?

Sabe, em alguns momentos da vida, aquela gordinha, matorinha, sacaninha e perfeitinha te cobra uma postura sobre acontecimentos/gostos/costumes que talvez você ainda não tivesse imaginado ou pensado. É assim mesmo, inesperadamente você está numa situação na qual precisa tomar uma decisão e a única coisa que você pensa é: e agora?

Sim, dois extremos, né... Numa roda de amigos alguém tira uma droga que você nem imaginava estar perto e em segundos, você precisa decidir se aceita ou não, se prova ou não. Ou então, você está andando na rua e acha aquela carteira com o dinheiro que daria para pagar aquele boleto atrasado mas que, na primeira divisão, apresenta o nome e o número do telefone do dono da carteira - aí, bichão, você pensa, repensa, não comenta e decide: devolve ou não devolve?

Numa analogia com o trânsito, estamos constantemente numa bifurcação, numa situação de escolha e a vida moderna está nos cobrando que, mesmo após nos estabelecermos na vida adulta, tenhamos que tomar essas decisões cada vez mais rápido. É insano, talvez até desumano, se bem que desumano ultimamente muita coisa se tornou... Mas e aí, como fazer para lidar com essas situações, com essa velocidade toda?

É muito sim, não - num mundo em que estamos esquecendo de forma muito contundente o "talvez", o "será", e ainda o "devo?". À medida em que o tempo está passando, vivemos cada vez mais usuários de apps, dos "i", ifoods da vida, é muito "i", i-comida, i-carona, i-carro, i-patinete, i-supermercado, tirando os outros tantos "is" que aqui prefiro nem comentar... Mas será possível que tenhamos um "i" que realmente nos ajude, tipo um i-decisão, ou um i-escolha?

Sim, talvez estejamos caminhando para isso, mas prefiro pensar que nem estarei vivo para ver isso, sério... Prefiro ainda acreditar nos seres humanos e não em máquinas que, sem bateria, não servem para nada mais que um peso de papel ou lixo químico.

Mas, voltando ao tema principal do texto, sobre os momentos em que precisamos escolher, comecei esse texto porque me permitir ouvir um sono novo para mim - mas bastante conhecido pela grande maioria. Eu selecionei em meu app de musica um artista chamado Chuck Berry... E, sendo um som de uma época em que os equipamentos eram elétricos mas analógicos, confesso que gostei e muito do que ouvi. As musicas são de uma qualidade tal que, para comparar com o que temos hoje, no final das contas, não há comparações. Uma harmonia, uma sequencia sonora de fazer qualquer ser vivo capar de experimentar, sentir uma extremo bem estar sonoro.

Eu já havia ouvido, mas nunca havia me permitido conhecer o som do cara. E é bom demais, muito de encontro aos estilos que gosto e mais que isso, projetando em minha mente todo um contexto social no qual essa musica está inserida: o que mais vem a mente era como as pessoas dançavam ao som do Chuck.

Enfim, talvez hoje estejamos com uma capacidade absurda de viver cheios de certezas, de verdades, de informações. Mas será que talvez não devêssemos justamente viver o contrário? Talvez cheios de dúvidas, incertezas e uma gigante capacidade de agir em nosso favor? Eu me permiti diversas pequenas coisas nos últimos tempos e na totalidade, aprendi e muito e muitas coisas/costumes/vontades mudaram para mim.

Tanto no gosto musical, quanto no trato com meus semelhantes e também no que diz respeito a vida em sociedade e todos os laços e enlaces que ela nos trás.

Se permita, ou melhor, procure questionar, senão tudo, quase tudo! É um exercício, mas vale a pena...

#abraçodoLG

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