sábado, 11 de janeiro de 2020

Aquele do "hipócritas do firmamento..."

Alanis Morissette gravou, muito anos atrás e eu era um adolescente ainda, ou quase adulto, uma música cujo título é: Ironic. A música, fora a voz dela que é linda, a sonoridade bem pensada e uma harmonia incomum em músicas comerciais (pode discordar, faz parte do jogo), traz na letra uma série de ironias que a vida pode nos apresentar, sabe... Tipo, chuva no dia do casamento que seria a céu aberto ou o cara que morre um dia depois de ganhar na loteria...

Mas e você, leitor, que tipo de ironia costuma vivenciar no seu dia a dia?

Hoje em dia, no meu cotidiano acho que não consigo listar ironia, pelo menos não as consigo listar de forma consciente. Mas é fato que elas devem existir de alguma forma. Porém, no cotidiano social, a gente pode observar algumas coisas, mas vou tentar ser o mais direto e menos sutil possível, bele? Um aviso: se tu não tem muito estômago para assuntos que de alguma forma abordam religião, deux ou comportamento, por favor, feche a aba do seu navegador e volte para o DLQ outro dia, para um texto menos provocativo, bele?

Então, avisado foi!

E vamos começar. Em dezembro de 2019, uma produtora de vídeo que revolucionou a linguagem de vídeo, trazendo temas duros como dificuldades entre relações homem/mulher, ou então, um vídeo que o cidadão se revolta e cobra de policiais que dormiam na viatura uma postura ou ainda, relações trabalhistas abusivas. A produtora passou a realizar todos os anos, em dezembro, um especial de natal que confesso, eu AMO todos feitos até agora. Mas compreendo que são pesados, são construídos de um humor do qual o brasileiro nunca aprenderá a compreender, por insuficiência intelectual mesmo.

No ano 2000, quando a internet estava se tornando algo mais importante que muitas outras coisas, as pessoas aprenderam que o computador e depois o smartphone tinham um grande poder que estava ali, disponível: INFORMAÇÃO! (hipócritas do firmamento¹)

Foi uma grande disparada. Tudo que antes estava restrito ao universo familiar, convívio social, universo acadêmico entre outros, começou a se tornar conhecimento de alcance público. Nesse momento surge no planeta terra uma nova forma ser ser humano, o homo-sabis-tudis... É aquele cara ou aquela cara que, lê na internet e fica falando, repetindo, reafirmando... Isso para o lado bom e também para o lado ruim e claro, surge justamente o questionamento do que é o lado, seja bom ou ruim.

É posso notar que, aos poucos, tanta informação na verdade acabou tornando as pessoas um tanto babacas, mas ainda assim,babacas "informadas".

Bom, o tempo passou, a internet evoluiu, hoje todos acham que 1 semana sem atualização já é atraso de vida mas, tudo tem um preço. Até então, algumas verdades eram universais ou quase, vou citar as que demandam mais interesse para este, que vos escreve:

- existência de deus
- aquecimento global
- saúde

Até então, era muito difícil, sem informação, deixar de lado coisas que nossos avós e pais nos ensinaram. Assimilávamos o que vinha e assim, vivíamos felizes para sempre. Mas não, com o excesso de informação passamos, mesmo que internamente, a nos questionar. Será que isso é verdade? Será mesmo que devo fazer assim? Será? Será? Será???

Aí chegamos na época dos apps. Ifood, Uber, POP, Ifuck, Igod, IJosephsmith, Igrejauniversal... Nossa, eu fico até meio perdido. Quando surgem os aplicativos, notamos que o comportamento das pessoas muda e muito.

Os taxistas que tinham um mercado paralelo no qual uma placa chegava a valer 150 mil, passou a entregar placas de graça. Haviam aproximadamente 2000 taxistas e assim que a primeira empresa de App começou a atuar, nos primeiros dias já eram mais de 2000 motoristas ganhando seu din-din, levando gente a valores infinitamente inferiores que os taxistas... Heim, que mudança, não!!!

E, se antigamente você tinha que ligar para a pizzaria, agora é só pegar o app.

Tantas mudanças, tantas evoluções, não é mesmo?

Mas o que isso tudo tem em relação ao a produtora e seus vídeos de natal?

É justamente isso, tudo evoluiu, mas quando alguém questiona algo tão antigo, mais de 2000 anos, a legião que hoje chamo de "hipócritas do firmamento" reclama, um deles até coquetel molotov lançou na produtora... Aí, babaca critica o Islamismo mas age de forma ridiculamente parecida, impedindo que o outro pense de forma diferente.

Vivemos num país de liberdades atreladas a determinantes. Por exemplo, você pode escolher no que acreditar, mas nunca diga que é ateu (eu sou ateu sim), pois se assim você o fizer, talvez nem emprego você consiga.

Você tem liberdade para tudo, desde que você seja a favor dos de todos os grupos, pois se você discordar minimamente de um deles, você é um fascista. Simples assim.

Bom, eu não concordo com 90% dessa palhaçada toda, não sou politicamente correto e acho que andei quieto demais nos últimos tempos, mas também, não vou falar para todo mundo ouvir, falarei apenas para alguns, os selecionados...

E para fechar, antes de retomar a sanidade e fazer uma lazanha de frango para meus moleques, você estão sabendo que o presidente bolsorabo vai dar subsídio para grandes templos de igrejas na conta de luz? Ou seja, já não pagam impostos, já não tem responsabilidades e agora, vão pagar menos luz... Ah, bolsorabo, pqp heim...

Bora lá...

#fui

Um comentário:

  1. A mãe abordou esse tema no almoço, ela disse: "e aquele cara que estava na fila reclamando, falou que não paga luz, nem taxa de lixo, e tira água do poço, porque mora em sítio, fiquei pensando, vc não paga né fdp (ela xingando é muito engraçado) quem paga sou eu a sua luz".
    Lá no início dos anos 90, quando fazia o segundo grau técnico em publicidade e propaganda, a profe dessa matéria falou uma coisa que nunca saiu da minha cabeça, que o melhor mercado para se vender algo era dos homossexuais.
    Nessa época não existia Internet como é hoje, lembrando. Uma tendência produzida, que veremos muito mais do que um especial de Natal. Falam de respeito religioso, falam de preconceito, humor, e o que ninguém fala é sobre o lucro que geram esse mercado.
    Importante é pensar no teor produzido ou comprar idéia? Já estamos comprando e consumindo isso há muito tempo, só não nós damos conta.
    Mesmo raciocínio pra política.
    Fez um alerta gigante e achei bem leve esse texto, comparando, o do lixo.

    ResponderExcluir

Desabafe!