sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

Aquele do “momento de reflexão... soltando o verbo!”

Sim, hoje é aquele dia que não passa. Arrastado ao extremo, um dia quase preguiçoso, mas que no auge da existência humana, é mais um dia. Com febre, garganta e arcondicionado no talo, dá pra imaginar que a noite vai ser meio tensa, meio só. Pois bem, há alguns dias tenho pensado muito num tema que para nós Curitibanos, não dá para ignorar: AQUECIMENTO GLOBAL.

Sim, porque esse tema é tão importante para nós? Porque, em plena etapa final de verão, ou melhor, faltando ainda quase 1 mês para o final do verão, Curitiba vive o clima mais loco do planeta. Frio, garoa – sim, aquela garoa que os especialistas em porra nenhuma diziam que nunca mais ia acontecer na capital do Paraná – somado a dias com frio de ter que usar blusa leve e tudo isso, em pleno verão.

Nunca o “aquecimento global” teve tanto sentido quanto está tendo agora, pelo menos para mim. Se discordas, respeito, mas na minha visão, é mais ou menos assim:

- tem cientista criando alarde? (tem sim senhor)
- tem menininha chorando pois detonamos o planeta? (tem sim senhor)
- tem dias frios em pleno verão? (tem sim senhor)

Mas e aí?

Então, com toda essa condição de aquecimento global, nos mobilizamos por vezes para separar o lixo, para cuidar do meio ambiente, para salvar a Amazônia, para preservar a mata atlântica e por aí vai. Mas, na verdade, além de seguir o que diz a grande mídia, o que mais fazemos de forma prática para ajudar?

Vamos ao mercado? Então, eu vou criar uma listinha de compras, para um homem solteiro, sem filhos (não é meu caso, sou apenas solteiro). E lá vou eu ao mercado, e vou comprar hoje:

- sabonete
- shampoo
- creme dental
- arroz
- feijão
- ovo
- carne pra semana
- pão
- queijo
- presunto
- mortadela (que amo)
- um ou dois pacotes de biscoito
- dois refrigerantes
- 6 longneck de cerveja (Heineken, claro)
- ah, claro, óleo (seja ele de soja, milho, canola, qualquer um que entope veias e artérias)
- e um chocolatinho para finalizar

Listinha feita, vamos observar o que cada um pode representar?

- sabonete (na melhor das hipóteses, ele virá numa caixinha de papelão, mas o mais comum, é vir embalado num plástico) – descartável
- shampoo – (plástico – individual) – descartável
- creme dental – (plástico metalizado – o que é pior ainda – individual) - descartável
- arroz – (plástico) – descartável
- feijão – (plástico) – descartável
- ovo – (na melhor das hipóteses, papelão, mas tem o maldito plástico) – papelão até dá para reutilizar, mas plástico, não
- carne pra semana – (embaladas em saquinhos de plástico) – descartáveis
- pão – (na maioria dos mercados ainda em sacos de papel, mas há a versão sacolinhas de plástico) – descartável
- queijo – (plástico) – descartável
- presunto – (plástico) – descartável
- mortadela (que amo) – (plástico) – descartável
- um ou dois pacotes de biscoito – (plástico) – descartável
- dois refrigerantes – (plástico) – descartável
- 6 longneck de cerveja (Heineken, claro) – vidro – hoje em dia, descartável – corta as mãos dos coletores
- ah, claro, óleo (seja ele de soja, milho, canola, qualquer um que entope veias e artérias) – (plástico) – descartável e sujo de óleo, nem reciclado pode ser
- e um chocolatinho para finalizar – (plástico, na maior parte das vezes, metalizado) – descartável

Suponha que esse homem seja eu, o que eu estou fazendo para salvar o planeta?

Ah, hipocrisia minha, não é mesmo?

Logística reversa? Custaria caro, topa pagar?

Da lista, sabonete poderia ser vendido a granel, shampoo poderia ser vendido através de um dispenser, o creme dental não dá pra fazer muito, o arroz, feijão, ovo, carne, pão, queijo, presunto, mortadela, biscoito – poderiam muito bem serem vendidos a granel como inclusive já foram um dia. A cerveja poderia ter um esquema de retorno de embalagens assim como o refrigerante também.

O óleo, lembro-me bem que eu quando era criança, ia no armazém Santo Antonio, algo assim, ali no Capão da Imbuia, e o óleo de soja era vendido a granel, tinha um tonel gigante com uma torneirinha, aí você chegava lá, enchia o litro (meus pais tinha uma garrafa de suquita – 1 litro) e a gente já levava uma rolha para fechar. Aliás, eu ia com minha finada vó.

E também, não vejo qualquer problema do chocolate ficar em um vidro do qual, com um pegador, poderíamos retirar os mesmos e coloca-los num saquinho de papel ou então, num potinho de vidro.

Sabe porque isso não acontece?

Porque – eu, você e todos nós – somos preguiçosos, individualistas e pobres de espírito. Cada qual com seu iphone ou andoid que para ser fabricado suja muito mais o planeta que um monte de carro desregulado, hoje temos televisores cada vez maiores que consomem um recurso natural que nunca mais voltará para a natureza...

Antes de salvar a Amazônia, quero a floresta de Araucárias aqui do Paraná refeita. Destruímos tudo para plantar soja, milho, alguns porcos e aves... E porque a Amazônia não? Já temos o segundo maior porto em movimentação de contêineres do brasil, porque mais um porto privado e porque em Pontal do Sul? Hipócritas!

Querem sim salvar o mundo, mas ninguém gosta de lavar a louça.

Quando quiser falar de aquecimento global, tipo aquela menininha chorona lá, deixe de lado hábitos que fodem o planeta para então, falar sobre. Se não for assim, vamos continuar como está, pode ser?

#fui

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