terça-feira, 31 de março de 2020

Aquele do "O CAMINHO DA GUERRA!"

Mais um do nome Gegê... Bora que tá ficando cada vez melhor!!!

Pensando aqui sobre certos eventos em que uma criança, adolescente ou adulto mesmo, de repente, interfere na tão propalada ordem do formigueiro. A criatura mexe no ninho com uma vareta ou algo assim e as formigas reagem num frenesi absoluto. Andam todas de um lado para o outro, algumas atacam o elemento invasor (ainda bem que usou o pauzinho né. Fosse o dedinho...)

As formigas, enfim, fazem o que as formigas fazem nessas ocasiões. Mais ou menos como quando se vai rapinar o mel, numa colmeia. Aquilo vira um caos de revoadas em torno do vivente que, por
óbvio, normalmente está protegido (a não ser que seja um piá pançudo, sem noção que vai bulir com as bichinhas por maldade ou curiosidade e sem proteção).

A questão é, no caso das formigas, levarão um tempo pra reconstruir o ninho (acho que nem é esse o termo); às abelhas, restará voltar ao processo de fazer mel, assim que a caixa seja deixada em paz pelo apicultor ou o menino curioso. Isso levará um tempo. Seres humanos são, em tese, diferentes. Segundo consta, somos dotados de racionalidade e isso nos torna mais capazes no sentido de, por exemplo, compreender o que está acontecendo e reagir conforme a necessidade e/ou possibilidade, em tese em tempo mais curto.

Pensando nisso, lembrei de um evento em 1988, quando o Álvaro Dias jogou a soldadesca e os cavalos contra profissionais da educação, ato repetido uns trinta anos depois pelo Beto (aquele). Havia, nos dois casos, uma multidão que se quis dispersar e, para tanto, cavalos, bombas de efeito moral, gás, balas de borracha... Logo, correria, choro, gritos, gente ferida (no corpo e na alma). Nos dois casos, também, a ação dos (desgovernantes) não mirava apenas o grupo de centenas ou milhares de pessoas presentes (perto demais) do palácio, mas a categoria no seu conjunto.

Arriscaria dizer, o conjunto a população. Funcionou. Não porque não tenha havido reações a esses indivíduos ou grupos políticos aos quais pertencem, mas porque essas não foram, jamais, na intensidade e assertividade que os atos incitavam. Acima de tudo, funcionou porque cumpriu o objetivo almejado, qual fosse, informar à categoria e à sociedade paranaense o lugar dos profissionais de educação e da própria, na percepção dos mandatários, no estado. Mais ainda, delimitou o processo de diálogo (ou sua ausência), na relação dos governos paranaenses com essa e com a maioria das categorias de servidores públicos, além de, em certa medida, iniciar a mudança de perspectiva a orientar a “visão” que a sociedade paranaense passou a ter sobre a educação pública desde então.

Aquela guerra “surpresa”, de 1988, deixou atônita toda uma categoria profissional, estabeleceu um modus operandi para aquele e os futuros governantes e de quebra, (pra não dizer que deu início), ao menos fortaleceu ou tornou mais nítido o processo de desqualificação e descrédito do conjunto de profissionais da educação e da educação pública. Há exagero? Pode ser.

Note-se, houve certo espanto, até por parte da mídia quando da primeira agressão.

Na segunda, não apenas foi mal noticiada (?), como, muito rapidamente foi possível ao governo dar sua versão de suposta “resposta das forças policiais aos ataques sofridos pelos policiais, por parte dos manifestantes”. O noticiário tratava sempre da “briga” entre policiais e professores, confronto entre ambos e coisas dessa natureza. Uns armados com palavras, gritos de ordem e seus próprios corpos, os outros, bem... Ah, a guerra. Sim, no próximo texto.

segunda-feira, 30 de março de 2020

Aquele do "COMO AQUILO DEU NISSO!"

Mais um texto do genial e nobre amigo Geraldo, que aqui, me refiro sempre como Gegê... Ele com sua atenção e sensibilidade ao que está acontecendo, descore a seguir:

COMO AQUILO DEU NISSO!

Por se entender o Império como “um e único”, se o entende também como um
continente que, sob a direção de uma elite ilustrada, deve conter a nação
brasileira – “a associação de todos os brasileiros” –, até mesmo porque tem-se
clareza da sua frágil coesão, como resultante da instituição que a fundamenta e
que, não obstante, deve ser preservada: a escravidão. Velha preocupação –
recordemos – já expressada por José Bonifácio nos idos da Independência –, “...
amalgamação muito difícil será a liga de tanto material heterogêneo, como
brancos, mulatos, pretos livres e escravos, índios, etc., em um corpo sólido e
político...” –, e que ainda permanecia, reproduzindo-se porque reproduzia os
interesses e as concepções dos grupos dominantes e dirigentes da sociedade.
Se a nação não se apresentava como um corpo uno e indiviso, e assim negava a
sua definição e revolucionária, o território do Império devia ocupar o seu lugar,
sendo a sua integridade e indivisibilidade um “dogma político”. (...)

O TEMPO SAQUAREMA. MATTOS,Ilmar Rohloff de. São Paulo, Hucitec, 1987

Acordei com a frase “Debaixo dos caracóis, os seus cabelos”, assim, diferente da canção. Receio que seja espécie de metáfora ao texto que lia, antes de dormir, sobre a construção do Estado Nacional, no Brasil do século XIX. Óbvio. Não há prudência nisso, no entanto (adoro contrariar a prudência), resolvi pensar a respeito. A rigor, a frase na minha cabeça, ao acordar era “Debaixo dos caracóis, seus cabelos jazem. Isso, convenhamos, bem pode suscitar em alguns, referências à psicodelia. Poderia ser, mas pode ser tanta coisa...

Em mim, possivelmente, em virtude da leitura a que me referi acima, me ocorreu tratar disso a partir da lógica e do antagonismo que norteou a estruturação do Estado Brasileiro no período imperial. As conturbações, ocorridas durante as Regências, por exemplo, são emblemáticas. Estudando-as minimamente, compreendesse-as facilmente como tentativas de ajuste, por parte das camadas sociais, dos grupos políticos regionais, das forças sociais enfim; no processo de organização da jovem aspirante a nação. Processo esse, de resto, caótico como não poderia deixar de ser.

Luta por pão, por liberdade, por direito de expressão, por espaço de mando...

Cada qual na sua luta e elas todas em relação, em associação por assim dizer, com a necessidade de estruturação e organização de instrumentos institucionais, administrativos, jurídicos e ideológicos do novo Estado.

A questão – e essa é a ponte possível com o mote deste “textinho” - é que nesse contexto se tentava cuidar para que a ordem escravocrata permanecesse, assim como a integridade territorial. Vale
citar ainda, a vontade presente (estranho isso), de ser moderno, ser civilizado, ser
europeu (tanto quanto possível).

Se lhes parece estranho, como a mim me parece, é porque definitivamente, a manutenção do trabalho escravo, da economia fundamentalmente agrária e latifundiária voltada à exportação, não combinam com o liberalismo (dos discursos). E nisso, diga-se, nem o liberalismo econômico cabe nessa lógica de funcionamento da economia brasileira do período (só lá?), como não têm a ver os princípios políticos liberais com a Política do Favor que não apenas organizou a estruturação dos serviços  públicos de então, como, por meio desse engenho, alçou-os à condição de participar do jogo político, com direito de votar e ser votado. Afinal era preciso haver cidadãos.

Esses completavam um quadro mínimo que justificassem ou dessem ao Regime, um ar de moderno, atual, “civilizado” Para os outros, a civilidade significava bem menos: submeterem-se às regras e normas, posto que boçais e/ou bárbaros (negros escravizados e índios), ou simplesmente alijados do processo pelo critério de renda (negros e brancos pobres/livres).

Debaixo desses caracóis, no fim e ao cabo, a repressão (violenta, especialmente nos casos de insurgências de caráter popular), foi aos poucos colocando “ordem na Casa”; a Nova Ordem, por Meio da incorporação de algumas demandas e quadros regionais, se estabeleceu; A Coroa, com o Golpe da Maioridade e por meio do sui generis mecanismo do Poder Moderador, pode capitanear o processo, alternando Conservadores e Liberais a frente do Gabinete Ministerial...

O Favor e o Compadrio funcionaram muito bem como esquema de acomodação de questões que iam da representatividade à organização do Serviço Público e até das atividades profissionais (da educação, do serviço médico, nomeação de delegados e afins). Nos latifúndios escravistas, o chicote, a força. E o Estado Nacional Brasileiro se fez, como ainda hoje é. A nação, essa é ainda possibilidade.

Os cabelos – nessa minha alegoria –, a força criadora da nação, enterrada sob os escombros da construção de um Estado que quis e quer controlar do Oiapoque ao Chuí, cobrindo apenas parte da população. A que tem voz! A nação brasileira é o Sansão, cujos cabelos jazem sob os emaranhados fios, da trama perpetrada pela visão tacanha e pela mentalidade pretensamente intelectualizada da elite econômica e política brasileira que, mesmo quando se pensa liberal, só o é até a página dois. Era e é de uma miopia capaz de fazer inveja ao Mister Magoo”. Como ele, também, recusa-se a encontrar os óculos, ou nem crê na utilidade deles, inclusive porque desconfia do oftalmologista.

domingo, 29 de março de 2020

Aquele do "Amor, supremo amor..."

Vamos lá, hipócritas, esse texto não é para todo mundo não. Esse texto sequer vai ser lido ou agradar parte dos que dele, poderiam aproveitar. Esse texto é apenas uma pequena fragmentação do pensamento de um grãozinho de areia que pouco quer da vida.

Esse texto fala sobre o Amor. Sim, Supremo Amor.

Não aquele amor de pai para filho. Muito menos aquele amor dos irmãos para os irmãos e também não tem nada com o amor no sentido fraternal.

Esse texto é um texto sobre o amor, aquele amor maldito que te arrebenta por dentro, sabe, quando você olha uma desgraça qualquer e mesmo sem entender porque, bate como um soco na boca. É disso, muitos chamam de paixão, outros tantos de tesão, e tem aqueles que apenas ignoram os sinais da vida. Sinais que as vezes nem existem mesmo, mas quem dirá?

Por isso o texto é para poucos, afinal, se você nunca amou dessa forma tão intensa, lamento, mas você ainda não foi feliz o suficiente. E não estou perguntando não, eu estou afirmando que você ainda não foi feliz o suficiente. Mas, ainda pode ser...

Esteja atento: você pode ser o que for, rico, casado, magro, gordo, feio, solteiro, empregado, desempregado, homem, mulher ou viado, enfim, seja o que for e como for e onde for e quando for... Pelo menos uma vez na vida você vai se deparar com aquele alguém que, mesmo sem a menor pretensão vai, inevitavelmente olhar despretensiosamente para você e mesmo assim, vai te causar aquele friozinho na espinha. Sim, você pode até negar, mas isso já deve ter acontecido.

Isso não significa que vocês serão felizes para sempre, mas significa que se as condições fossem favoráveis, vocês poderiam.

A vida é uma caixinha de surpresas e no final das contas, eu realmente ainda acredito muito no amor. E confesso, não fosse a minha maldita timidez, acho que já teria aproveitado algumas chances que esta vida da me deu, mas que por não proceder, perdi!

Perdi, talvez tenha até parecido esnobe ou babaca, desculpa, nunca foi minha intensão, era falta de coragem mesmo em encarar tudo isso...

Eu cresci sem um modelo de relacionamento. Pai e mãe eram apenas pai e mãe... E isso me fez acreditar em outros exemplos. Eu sempre quis saber o que era e para que servia o amor tão falado na televisão, nos livros, na literatura e nunca sequer entendi. Quando achei que tinha entendi, descobri que de tão frágil, talvez não fosse. E quando novamente achei que havia descoberto, descobri na verdade que não havia descoberto nada.

Hoje sem que não há como explicar algo inexplicável.

Como criar uma manual de instruções para explicar o que acontece quando você olha aquele alguém 1, 2, 3 vezes e fica com aquela sensação de pernas bambas? E mesmo que não haja ainda assim qualquer tipo de interação, a sensação continua?

Enfim, hoje o texto é leve, e a ideia era ser leve mesmo, pois de pesado já basta a vida, e ainda mais a vida sem a companhia - seja por timidez ou por isolamento social causado por um vírus...

Se você hoje, ama ou não ama, se você hoje gosta ou não gosta, se você hoje quer ou não quer, fica uma pequena dica: se permita - não faça o que fez este que lhe escreve: não fuja do que um dia pode quem sabe, ser sua felicidade...

Viva, deixe viver quem sabe, receba como troco, uma felicidade!!!

#fui

sexta-feira, 27 de março de 2020

Aquele do "Desabafo!"


Eu andava sem inspiração de escrever, muito menos pensava em sequer gravar alguma coisa, mas é tanto idiota, tanto burro e tanto imbecil por ai que não pude deixar de lado aquela opinião meio que dos contra.

Já alerto, se tu for bolsonaro, desliga e vá embora. Se tu for babaca, desliga e vai embora...

Enfim...



quinta-feira, 26 de março de 2020

RECADO - (PARTE III)

Aristóteles disse! E essa assertiva já serviu pra que “verdades” se impusessem. Não é o caso aqui. Apenas uma modesta citação, uma ideia, aliás, bastante conhecida: “O homem é um animal social”. 

Eis porque, talvez, esses tempos de “Fique em casa” seja para todos nós, uma experiência desafiadora.  Muitos, na contramão, precisando justificar quão prazeroso pode ser ficar sozinho.  Porque simplesmente gostam e há até aquelas pessoas que têm necessidade de fazê-lo, vez em quando.  Há, claro quem prefira sempre, ou todo o tempo, como os há quem não se suporte a sós. 

A experiência, na verdade, não é estar só (para todo mundo), mas ficar em casa.  Logo se a pessoa não mora sozinha, significa estar com os seus e isso também é para muitos, bastante complexo.  Nessa diversidade, por óbvio, há gente para quem a dificuldade é realmente estar em casa e se sentir... em casa.

A despeito dos vários aspectos gritando por abordagem no parágrafo acima e na tentativa de fugir, tanto quanto possível, do risco de que esse último texto da série termine com aspecto de um fractal, prendamo-nos em um só.  A prudência indica tratar do elemento “espelho”.  Me sobra a torcida para que a construção que segue, da parte deste escrevinhador, não resulte rasteira por demais, nem desnecessariamente complexa, inviabilizando a parceria refletiva proposta já no primeiro da série.
Casa, para bem dizer, é uma expressão de grande amplitude semântica.  De larga possibilidade, do ponto de vista filosófico e de diversas possibilidades na perspectiva da antropologia.

Em contrapartida, ao menos a mim me parece, guarda tal simplicidade apenas comparável ao desenho que uma criança faz desde que consegue pela primeira vez, reunir e aplicar habilidades motoras para o manejo do lápis, giz de cera e que tais; além das capacidades de expressão, em forma de imagens, daquilo que no seu pensamento tem o significado da coisa e da palavra casa.

De maneira geral o desenho se compõe de alguns traços que formam o corpo, uns tracinhos na parte superior que indicam o que vem a ser a cobertura, telhado, (antigamente, se colocava, em algum ponto dessa cobertura, uma chaminé). Penso que hoje isso não ocorra.  Mas, por algum motivo, agora, como antes, em geral, há nuvens no entorno superior. Na verdade, um céu azul e, invariavelmente, um sol.  Há e havia, quem desenhasse, na parte de baixo, em frente e ao lado, um verde (jardim), os mais habilidosos, árvores e flores...  Penso que essa imagem tenha significados bastante fortes.

Profissionais da pedagogia ampliariam o olhar (e é seu dever de ofício fazê-lo), em relação à posição do desenho no papel.  Ao centro, no canto da folha (superior ou inferior).  Outros significados e leituras.  Quanto a maioria de nós, mortais comuns, as percepções mais diretas e simples nos bastam e ajudam a entender o que, para as crianças a coisa e a palavra significam.  Um lugar!
Sim, sim. Um lugar que é seguro, que é bonito, que é agradável, que é seu.  Melhor, onde a criança se sabe ela individualmente e parte de um coletivo a que denominamos família.  Antes que loucuras venham a ser construídas no meio da leitura, convém assinalar: o referido coletivo pode ser ela e mais uma pessoa, ela mais duas pessoas, ela mais algumas pessoas... Quaisquer pessoas (se me entendem). 

A isso, também as crianças de ontem e de hoje, aprendem igualmente a denominar, família.

A casa real varia em tamanho, podendo ter um cômodo, três, oito, cinquenta e cinco e sim, seria humano que todas tivessem o tamanho necessário à dignidade.  Ela varia na forma, no estilo arquitetônico, no nível de acabamento e aí também não se pode fugir do fato de que seria ideal que cada um desses aspectos pudesse ser, para todos, no nível da dignidade e... 

Bem, as discrepâncias, do ponto de vista do poder aquisitivo das pessoas e das famílias não são novidades. Porém, de volta aos desenhos, vale reparar que são meio universais, de modo que se pode inferir que a construção mental expressa nos desenhos das crianças não está relacionada à percepção real da casa onde a “pessoinha” mora.  Talvez elas desenhem uma ideia sentida.

Ah, sim, o espelho sobre o qual eu disse que trataria...  Pois muito bem! O lugar, esse no qual “quarentenamos”, sozinhos ou na companhia das outras pessoas que formam a nossa família nos reflete, naquilo que concerne à nossa aura, nosso espírito, nossas emoções e sentimentos?

 As relações estabelecidas por nós para conosco; por nós para com os outros membros e desses para com eles (cada um), deles para com cada um dos outros, nós outros incluídos, são reflexos de cada qual?  Adianto que não falo da famigerada harmonia, mas da vida em relação.  Paulo Freire, diria, em comunhão.

Antes que me esqueça, o planeta é nossa casa num sentido bastante mais amplo, como ampla é a família com a qual o coabitamos e, aqui entre nós, seria bacana que ele nos espelhasse.

quarta-feira, 25 de março de 2020

RECADO – (PARTE ll)


Ocorrerá de muitos de nós não estarmos nesse plano (não confundir com Terra Plana), depois que a “tempestade passar. A questão, no entanto, permanece, posto que caberá a quem quer que sobreviva, escolher seguir sendo o que era ou outra coisa. Outro ser. De outro jeito. Com outro olhar. Um que olhe e veja... “A contenteza do triste, tristezura do contente. Vozes de faca cortando, como o riso da serpente. São sons de sim, não, contudo... Pé quebrado, verso mudo. Grito no hospital da gente” (Chico Cesar).

Muito para além do juízo que se tenha feito agora, por parte de cada um dos grupos de que falei no texto anterior, quanto a natureza do evento, será imperativo (aos sobreviventes), uma tomada de decisão quanto a, o que se fará com a vida que lhes for concedido continuar vivendo.  O fato é que não haverá tempo pra pensar depois, visto que, saídos do “olho do furacão”, a lógica que norteia nossa existência, tenderá a nos impelir à correria em busca de recuperar o tempo e a dinâmica “perdidos” nessa pausa da economia e da ordem mundial.

Esse tempo, no qual as águas de Veneza estão espantosamente limpas, em que não há baladas, festas e afins.  Esses dias (sei lá quantos serão), nos quais, para alguns é possível trabalhar sem o estressante deslocamento no confuso trânsito apenas para que superiores, chefes, patrões tenham seus “colaboradores” sob suas vistas de feitores, podendo fiscalizar o uso que cada qual faz do tempo pelo qual é “pago”...  Enfim, esse momento no qual pais e mães, forçosa e alguns, penosamente estão reaprendendo a conviver com filhos dentro de casa em tempo integral.  Esse tempo deve, precisa servir para refletir sobre todas essas coisas que, sim, estão na raiz de um modo de vida, de existência muitíssimo mais letal que o dito vírus.

Reparar no ninho em algum galho de árvore no quintal, ou no jardim, ou mesmo no formato da lua, que em todas as noites da nossa existência está bem ali, Nova, Crescente, Cheia, Minguante... E a gente nunca parou pra olhar, junto com nossos filhos. Ver, da varanda, da janela ou do meio do jardim o céu com as estrelas, só pra ver e depois, novamente vê-las refletidas no olhar de quem se ama e agradecer à “dinda lua” pela luz que tornou possível tal momento, tal efeito.

Pensar no que escreveu o poeta, “...Está certo dizer que estrelas estão no olhar.de alguém que o amor te elegeu pra amar”.  Viver essas coisas, afinal, haverá de ser pedagógico.  Mais que isso, terapêutico.
Não haveremos de ter desaprendido a (con)viver com nossas crianças, mas elas, possivelmente nem tenham aprendido a coexistir conosco, de fato.  Não creio que nossa geração haja esquecido de como encontrar, no céu, as “Três Marias”.

Desconfio, no entanto, que parte significativa das crianças de hoje, sequer saibam do que se trata.  Não acredito que muitos de nós, prefiram realmente correr cotidianamente em direção ao infarto, só não vemos outra saída.  Recuso-me a aceitar, como fato, que é o dinheiro o elemento que nos define e norteia nossa passagem sob o sol, acima de todas as coisas. Arrisco dizer que as divindades (conforme a crença de tantos, excetuando-se os ateus), gastam menos tempo nos impondo castigo ou provações, do que nós próprios construindo armadilhas nas quais, por fim, caímos sem a lembrança de que são obras nossas.

Continua no próximo texto. E como diria o guarijo, “mantenha-se respirando e don´t you fuck dê mole no terceiro mundo”

terça-feira, 24 de março de 2020

RECADO (PARTE l)

Pessoal, o texto abaixo está sendo publicado por mim, mas não é meu, é um excelente texto - que eu confesso acho que não conseguiria escrever tão bem, do meu nobre amigo e sócio de projetos utópicos, o Geraldo Luis Silva... Parceiro de cerveja, parceiro de papo e parceiro de ideias...

Leiam com atenção, é muito, mas muito bom mesmo!!!

E é o primeiro!!!

Segue:

---

Este é o primeiro de uma série de textos/crônicas em que me permitirei a ousadia do sonho.  A rigor, não estarei, nisso, saindo nada do meu habitat preferido.  Pela vida adentro (ou seria afora?), fiz mais sonhar que ser prático, a ponto de ouvir, de maneiras tantas e vindas de pessoas diversas, frases cuja ideia central tem a ver com “falta de senso de oportunidade” de minha parte.  De fato, quando digo que me permitirei sonhar, é em função de que, neste momento específico da minha vida, por necessidade, tenho tentado ser minimamente prático e objetivo.  Sonhos, porém, me fascinam como o amor e as artes.

De que sonho falo então? decorre desse profundo mal-estar, da angústia, da ansiedade e até desespero perceptível nas expressões, nos olhares e nas atitudes de muitas pessoas, diante da situação em que vivemos e que é, ao fim e ao cabo, uma espécie de remake, dado que a Gripe Espanhola e outros tantos eventos vivenciados por gerações por gerações anteriores e que balançaram a raça humana em suas estruturas.

A questão é que passada a tempestade, temos voltado à mesma rota, logo assim que a tontura também passa.  Pessoas cujo mecanismo de “organização” mental e/ou emocional, as impele a atribuir a tudo uma ação divina, (seja como castigo ou como provação), clamam por perdão e/ou clemência durante; agradecem a ele pelo “livramento” depois e tocam a vida.  Os indivíduos que esperam tudo da ciência, torcem para que seja encontrada uma solução (vacina, remédio ou o que seja), isso acontecendo, sua “fé na racionalidade” se fortalece e vida que segue. 

Há claro, aqueles que apenas vêm as coisas e os eventos como algo que lhes possibilite ampliar os ganhos financeiros ou que os faz perder dinheiro.  Esses aproveitarão toda e qualquer situação para ganhar mais, ainda que não haja muita perspectiva, isto é, “pode ser que não haja em que gastar, sequer vida para usufruir, mas se houver “estarei mais rico” ainda que seja à custa de alguns milhares de vidas, dado que alheias”.

Seria possível estender por páginas á fio os exemplos de indivíduos e grupos e suas respectivas percepções e ações diante de eventos e catástrofes como isso que ora vivenciamos.  Desnecessário, ao menos para o fim a que se destina esta reflexão, ou convite a ela.  Assim sendo, vamos ao mote dessa conversa: o recado do Corona à humanidade.

Li hoje, no post de uma amiga a frase/ideia: “Eu acho que a terra ativou o sistema imunológico e está tentado se livrar da gente”  Lembrei, na hora, de uma canção do Raul Seixas em que ele, há alguma décadas, antecipava: “boliram muito com o planeta. E o planeta como um cachorro eu vejo. Quando já num aguenta mais com as pulgas, se livra delas num sacolejo”.

O complemento disso a que denomino aqui “recado” e que espero dê o necessário sentido a fim de que se possa efetivamente refletir, é a ideia exposta numa outra fase que me chegou: “o planeta adoeceu porque está com a humanidade baixa”.

Continua no próximo texto. E como diria o guarijo, “mantenha-se respirando e don´t you fuck dê mole no terceiro mundo”