terça-feira, 31 de março de 2020

Aquele do "O CAMINHO DA GUERRA!"

Mais um do nome Gegê... Bora que tá ficando cada vez melhor!!!

Pensando aqui sobre certos eventos em que uma criança, adolescente ou adulto mesmo, de repente, interfere na tão propalada ordem do formigueiro. A criatura mexe no ninho com uma vareta ou algo assim e as formigas reagem num frenesi absoluto. Andam todas de um lado para o outro, algumas atacam o elemento invasor (ainda bem que usou o pauzinho né. Fosse o dedinho...)

As formigas, enfim, fazem o que as formigas fazem nessas ocasiões. Mais ou menos como quando se vai rapinar o mel, numa colmeia. Aquilo vira um caos de revoadas em torno do vivente que, por
óbvio, normalmente está protegido (a não ser que seja um piá pançudo, sem noção que vai bulir com as bichinhas por maldade ou curiosidade e sem proteção).

A questão é, no caso das formigas, levarão um tempo pra reconstruir o ninho (acho que nem é esse o termo); às abelhas, restará voltar ao processo de fazer mel, assim que a caixa seja deixada em paz pelo apicultor ou o menino curioso. Isso levará um tempo. Seres humanos são, em tese, diferentes. Segundo consta, somos dotados de racionalidade e isso nos torna mais capazes no sentido de, por exemplo, compreender o que está acontecendo e reagir conforme a necessidade e/ou possibilidade, em tese em tempo mais curto.

Pensando nisso, lembrei de um evento em 1988, quando o Álvaro Dias jogou a soldadesca e os cavalos contra profissionais da educação, ato repetido uns trinta anos depois pelo Beto (aquele). Havia, nos dois casos, uma multidão que se quis dispersar e, para tanto, cavalos, bombas de efeito moral, gás, balas de borracha... Logo, correria, choro, gritos, gente ferida (no corpo e na alma). Nos dois casos, também, a ação dos (desgovernantes) não mirava apenas o grupo de centenas ou milhares de pessoas presentes (perto demais) do palácio, mas a categoria no seu conjunto.

Arriscaria dizer, o conjunto a população. Funcionou. Não porque não tenha havido reações a esses indivíduos ou grupos políticos aos quais pertencem, mas porque essas não foram, jamais, na intensidade e assertividade que os atos incitavam. Acima de tudo, funcionou porque cumpriu o objetivo almejado, qual fosse, informar à categoria e à sociedade paranaense o lugar dos profissionais de educação e da própria, na percepção dos mandatários, no estado. Mais ainda, delimitou o processo de diálogo (ou sua ausência), na relação dos governos paranaenses com essa e com a maioria das categorias de servidores públicos, além de, em certa medida, iniciar a mudança de perspectiva a orientar a “visão” que a sociedade paranaense passou a ter sobre a educação pública desde então.

Aquela guerra “surpresa”, de 1988, deixou atônita toda uma categoria profissional, estabeleceu um modus operandi para aquele e os futuros governantes e de quebra, (pra não dizer que deu início), ao menos fortaleceu ou tornou mais nítido o processo de desqualificação e descrédito do conjunto de profissionais da educação e da educação pública. Há exagero? Pode ser.

Note-se, houve certo espanto, até por parte da mídia quando da primeira agressão.

Na segunda, não apenas foi mal noticiada (?), como, muito rapidamente foi possível ao governo dar sua versão de suposta “resposta das forças policiais aos ataques sofridos pelos policiais, por parte dos manifestantes”. O noticiário tratava sempre da “briga” entre policiais e professores, confronto entre ambos e coisas dessa natureza. Uns armados com palavras, gritos de ordem e seus próprios corpos, os outros, bem... Ah, a guerra. Sim, no próximo texto.

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