segunda-feira, 27 de abril de 2020

Aquele do "Preguiça de escrever... "

Sim, sim, sim... bateu aquela preguiça de escrever então, resolvi, num domingo de sol ardente, gravar um vídeo. Mais ou menos sereno e mais ou menos não sereno, porém, um longo vídeo. Espero que você consiga assistir um trecho e se gostar, quem sabe, repassa!!!

Abraço...


quinta-feira, 23 de abril de 2020

Aquele do "Tanto faz, no final já passou, não é mesmo!"

O caos se anunciou e acabou não passando por aqui. Não sei se porque o povo aceitou muito bem a questão de ficar em casa e em partes, isso foi louvável ou se não chegou por aqui a mesma coisa que chegou por lá. O Brasil, mais de um mês depois do isolamento somou por volta de 3 mil mortos. Eu sei, é inestimável o valor dessas perdas, afinal de contas perder um ente querido não é fácil, ainda mais de uma doença que chega sem avisar.

Meus sentimentos às famílias das vítimas, é sério, eu agradeço por não termos perdido ninguém aqui em casa, não posso ser hipócrita de não agradecer, mas ainda assim, lastimo as perdas.

Porém ontem, eu li algo que não soube muito bem como compreender o que estava escrito. Sabemos que o brasil vive uma dicotomia, ou seja, se você é brasileiro, você tem que escolher: ou você é pt ou é contra pt, ou você é bolsobosta ou você é lulacaninha, ou você é contra ou você é a favor.

E, por coincidência, ao falar com uma amiga, estávamos abordando o tema de ser binários ou não sermos binários. Bom, o isolamento social evitou que nós, enquanto nação tivéssemos números tão pequenos se compararmos com outros tantos países, não é mesmo? Mas vamos pensar que foi fácil pensar em isolamento social num país com tamanha desigualdade social, não é mesmo?

Afinal de contas, eu por minha conta vou dividir aqui alguns grupos:

- funcionários públicos - estes, já vivem em isolamento social, pois ganham quase sempre muito mais que seus similares da inciativa privada, além de que tem flexibilidade de horário, liberdade de cafezinhos, licenças prêmio, licença produtividade, licença estou cansado.. além de que, o salário quase nunca atrasa e é reajustado sempre nos melhores índices;

- aposentados e pensionistas - estes também já vivem seus isolamentos, mas eles tem uma questão importante que é, de uma hora para outra, viraram a causa de todas as preocupações, e não estou tirando essa razão mas, os mais jovens também poderiam morrer ou pior, transmitir a doença para os mais velhos;

- políticos - estes eu nem preciso citar né, são os ganham melhor aqui nesse país, oficial e extraoficialmente, sabemos bem disso. E no mais, eles nunca trabalham mesmo, o que mudou? Mudou que talvez tenham economizado uma grana de viagens para brasília;

- iniciativa privada - estes, quase sempre tiveram apoio das empresas mas tudo tem um limite e empresa que não ganha, não pode gastar, e aí, diferente dos funcionários públicos, tem uma galera que já está colocando os currículos em ordem, só não sei para onde vão enviar, pois é uma situação geral;

- pobres - não, está por ultimo pois somos a grande maioria. Os pobres, normalmente ocupam profissões que as categorias acima julgaram e vão julgar sempre como essenciais. Mercados, farmácias entre outros, estes não poderiam parar pois a elite precisa deles. E quem os banca?

Bom, já estamos a uma semana com tudo voltando ao normal e tudo voltará.

Já morreram 3 mil, quem sabe mais uns 3 mil, mas ainda assim, morreram muito menos tupiniquins que na grande maioria dos países acometidos. Só nos EUA já foram mais de 38 mil....

Então, se deus é brasileiro, talvez ele tenha resolvido trabalhar um pouco por essa nação que está acostumada a só levar no tobis.

Quem sabe, agora é a nossa vez?

Ok, Ok, não é... foi mal tentar acreditar!!!

#fui

quarta-feira, 22 de abril de 2020

Aquele do "Não aprendemos nada até agora..."

Pois é, mais de um mês passado após a chegada não desejada do Covid-19, já começamos a colher frutos. Alguns positivos, digo por exemplo a solidariedade do povo e muitos outros negativos, dentre os quais cito o isolamento social, cujo efeito imediato pode até ser positivo mas que a longo prazo, vai saber qual será; econômicos, os quais já podemos inclusive mensurar - dentre eles a exemplo de uma rede de lanchonetes que demitiu uns 600, que a gente sabe...

Mas, o efeito mais imediato que eu observo e exergo e posso ainda citar com bastante certeza que acumulei nos meus 42 anos é que, um país não pode ser considerado realmente um país sem que haja um governante sério, inteligente e atuante. Não obstante, vivemos um brasil que há quase 20 anos, não é governado. Estamos como um trem, num trilho, mas que, volta e meia, pega um desvio e demonstra que os maquinistas não são lá grande porcaria.

Desde 2002, ou melhor, desde outubro de 2001 vivemos uma esperança de que algo possa ser melhor. E realmente em algumas áreas até foi... a economia se manteve brevemente estável - claro, nosso dinheiro hoje vale merda mas ainda vale alguma coisa. No campo social, temos muito mais gente podendo comer porcarias industrializadas e continuamos com os esgotos abertos e a falta de cuidado com o povo. Não sei se por causa do tamanho, afinal, somamos mais de 200 milhões de pessoas ou se porque, desses mais de 200 milhões, uma parte está defecando para a política e assim fazendo, permitem que seres caricatos como um metalúrgico, uma ex-guerrilheira ou então um ex-patente baixa do exército nos governe. Este ultimo até agora não se sabe se é ele ou os filhos que tentam fazer algo que realmente não sabem fazer.

É fato que só não está pior porque o povo é pacato e prefere carnaval, churrasco e futebol, e claro, uma cervejinha, a ter que discutir sobre o futuro e ainda mais, sobre política.

Tornando mais prático o que estou tentando descrever:

Em 2008, o mundo passou por uma grande crise financeira. Vários bancos foram a falência da noite para o dia. Vários países se endividaram, enfim, foi um inferno. E enquanto o mundo se ferrava, nosso excelentíssimo presidente saia na mídia dizendo que aqui, chegaria uma marolinha. E de fato chegou uma marolinha... e logo chegou a onda e logo mais, estávamos lascados. E, enquanto o mundo se recuperava, olhávamos para frente torcendo para conseguir.

Um povo que não conhece sua história, realmente está condenado a repeti-la, não é mesmo?

Pois bem, a crise veio em forma de vírus. Não um vírus de computador mas sim um vírus que causa uma síndrome respiratória aguda e mata. E o que o chefe do executivo faz? Desdem, tira sarro, brinca, faz de conta que não sabe de nada. Ah, e não sabe mesmo. Aproveita essa hora em que, só no Brasil já se foram mais de 2000 pessoas, e que em outros países como os EUA já se foram mais de 38k, e brinca de sair em manifestação em um domingo.

Ou seja, que votou nesse e nos anteriores, fez sim um bom uso da democracia e do direito do voto: merda.

Agora, o que nos resta é: quem acredita, reza. Quem não acredita, espera e quem sair na rua, que se proteja...

#fui

terça-feira, 21 de abril de 2020

Aquele do "Solidariedade... é o escambau..."

E finalmente, depois de vários dias de isolamento, começamos a conviver com a palavra solidariedade. Né! Diz que somos o povo mais solidário do planeta e tirando a mania do brasileiro de querer ser melhor que tudo e que todos, mesmo sendo uns merdas tupiniquins, talvez realmente sejamos solidários.

Mas, até que ponto somos realmente solidários?

Vamos lá:

- doentes a parte, bem a parte, mas... todos os maiores patrocinadores da televisão brasileira e não posso obviamente citar nomes, passaram a fazer doações, a ajudar instituições, enfim, fazer boas ações... Sabemos que nosso país os troxas que pagam impostos mesmos são os classe mais média, acredito que eu e você que está lendo... Eu pago e bastante, dá quase 27% só de imposto de renda, sem contar os outros impostos que são incidentes em produtos e coisas que consumo, por exemplo...

- cantores, artistas, todo mundo resolveu fazer live, resolver se envolver para que os demais não fiquem loucos...

- times de futebol estão coletando comidas;

- igrejas estão doando...

- é tanta generosidade e tanta solidariedade que tenho que parar e me perguntar: será mesmo???

Não, pior que não...

Empresas vão reaver essa grana todo de seus clientes e claro, das diversas formas de reaver os valores em formas de impostos que não serão pagos.

Cantores, artistas e itens do gênero, estão ganhando burras de dinheiro com essas lives, que geram grana e em dólar, tirando que, após essas lives, muitos expectadores vão, com toda certeza, assinar serviços de streaming que irão gerar renda pra essa galera...

Times de futebol, não estão doando porra nenhuma, tirando o atlético paranaense que ganhou um estádio do governo e dá risada disso e por isso é o time que mais tem dinheiro, os outros times usaram seus torcedores e claro, assim fica fácil de fazer cortesia, né... usando aquele chapeuzinho alheio até eu...

E agora vem a parte que mais gosto de escrever... Que nosso país é um país de governo falido, ridículo e imbecil, isso eu nem preciso citar, mas talvez o maior problema dessa nação hoje é justamente os vínculos religiosos.

Eu poderia citar aqui uma a uma, mas vou citar alumas poucas. A católica, levou bilhões pra fora em forma de outros e outras riquezas e agora, para para ajudar que precisa, ela fica pedindo grana para seus fiéis.. E pior, os fiéis ajudam... Pessoas como padres cantores tem verdadeiros impérios de vendas de bujungangas como santinhos e essas merdas aqui em Curitiba, pecinhas que valem centavos de merda e que são vendidos a pessoas emocionalmente vulneráreis que, além de comprar esse lixo, ainda faz doações...

Tem também aquelas tipo aquela que o presidente imbecil é amiguinho, as quais, tem diversos canais de televisão ou usam canais de televisão, e aí, pedem doação na cara de pau, aceitam cartão de crédito, boleto e débito automático... caralhos, velho... e ainda não pagam 1 centavo de imposto... Roubam dessa galera e não pagam imposto.... Vão pros caralho...

E pra fechar o texto, vou citar uma ultima, que já comprovadamente tem um fundo de 1 bilhão de dólares os quais foi juntado de forma obscura, forma qual burlou o setor de impostos do EUA e está sob investigação. Os sudes, roubam ofertas, roubam dizimo e no final das contas, usam o medo par enriquecer cada vez mais alguns poucos.

Cara, não me venha realmente falar em solidariedade num país onde todos enganam os mais pobres e vulneráveis. Sério, isso é nojento, isso é escroto, isso é uma merda!!!

Abraço...

#fui

segunda-feira, 20 de abril de 2020

Aquele do "Sim, antes de morrer, vamos também aprender!"

Veja bem, o texto de hoje é uma reflexão desse retardado que escreve aqui de vez em quando. Não costumo ter muita frequência para escrever e o nobre Geraldo está fazendo isso com uma maestria admirável. Mas vou tentar as vezes manter meus textinhos...

O texto que aqui escrevo na verdade é uma reflexão, estou há dias sem sair de casa, a não ser em condições muito, muito específicas... Eu não acredito em metade do que a grande mídia está tratando com pandemia de corona. Muito menos consigo acreditar no que chega pronto, como uma fórmula mágica na qual está escrito que 4% dos infectados vão morrer e bla, bla bla... De fato, isso pode e até aconteça, mas, afirmar isso antes de acontecer é brincar de Mãe Diná. E eu não costumo brincar de adivinhar, nunca gostei.

Fato também que ou o corona não chegou ao brasil ou chegou em sua versão mais branda. Não acompanhamos ainda no Brasil nada com a progressão que vimos nos EUA, Espanha ou Itália - a China eu não vou citar aqui. Sim, quase 1000 mortes até agora, em outros países chegamos a ter muito mais de 1000 por dia. Ou seja, ou algo aconteceu de errado ou então, vai saber o que acontecerá, se é que ainda não aconteceu.

Mas ai, comecei a pensar e quando eu penso a coisa não vai ser muito boa até porque a vida me ensinou que no meio dela, existe a morte e não há o que faça, todos vamos morrer. Alguns, morrerão com mais dor, outros, morrerão de formas trágicas e alguns (muitos) da doença que carinhosamente apelidei de mocoronga vírus. Sim, muitos morrerão de Covid-19, algo assim. Nesse ponto um hipócrita me perguntou: e se for um de dos seus? Bom, paciência, estamos no mundo para morrer, e mesmo que seja um dos meus, por mais que eu chore e me desespere, vou ter que saber trabalhar essa emoção, essa sensação e assim, viver vivendo, como vinha fazendo.

Não é a primeira epidemia a qual a população mundial passa mas essa tem uma coisa nova em relação as anteriores e que talvez vá matar muito mais do que o próprio vírus, aliás, no Brasil temos duas coisas. A primeira coisa e mais perigosa de todos os tempos é o presidente, esse imbecil desqualificado eleito por uma elite tão hipócrita e conservadora quanto ele. O segundo problema é ou são as redes sociais. Pois, assim como nosso presidente, todos os usuários de rede social resolveram da noite pro dia se tornarem formadores de opinião e também especialistas, inclusive em epidemiologia. Ai já viu, né.. É cada burro falando cada burrice...

Sobre o presidente, não há o que faça... Ele vai ficar e vamos nos foder o suficiente. Não que eu ache que os lulu-petistas fossem melhores, não. Vivemos uma fase no Brasil em que é melhor repartir este lixo em 5 países menores, cada qual com sua soberania. Queria muito mesmo ver o desenvolvimento social dos 5 países. Somos grande demais e dependentes demais de um governo federal, que não deixa de usar a pobreza como forma de obter votos.

As redes sociais, sobre essas não gastarei mais sequer um parágrafo... Você deve amá-la, enquanto eu, tenho muito medo delas...

E infelizmente, esse será o primeiro de muitos super vírus que ainda verei em minha vida, é infeliz a previsão, mas é a mais realista que posso ter!!!

Bom, um abraço pra todos...

#fui


quarta-feira, 8 de abril de 2020

Aquele da "Obviedade"

Diariamente, em certo momento do dia, interrompo o trabalho de pesquisa, leitura e produção, para dedicar algum tempo do dia à elaboração do texto a ser publicado no DLQ.  Invariavelmente, ao abrir um documento em branco, já tenho uma ideia de tema e até uma linha de abordagem (o que, as vezes se altera durante o processo).  Ao término, quase sempre o próprio texto me indica opções de título.

Hoje, pela primeira vez, a ideia primeira foi o título.  Escrevo, na sexta, um material que lhes será disponibilizado na segunda. Ok! Haverá tempo suficiente para um autoconvencimento de que ninguém tem interesse, a priori, pelo óbvio, tanto mais se isso se expõe já no título.
Estranhamente, sigo desenvolvendo a ideia – claro está que não me convenci –, possivelmente em função de que o título é, a um só tempo explícito e vago, restando, portanto, algum apelo de curiosidade nessas mal traçadas.  Sendo assim, a ela.

O saudoso Dionga (Dionísio Filho), criou algumas expressões e frases interessantes e, de modo geral, espirituosos.  Um deles: “fulano, pra morrer de repente, demora uma semana”.  É engraçado (ele dizendo isso a respeito de um atleta ou dirigente de clube de futebol.  É muito irritante, lembrar dessa frase em função do caráter reticente (quando não sabotador), por parte do Poder Público em relação, por exemplo, às medidas administrativas e políticas necessárias a distribuição (ao povo) da verba emergencial.

Não deveria, mas explicarei o motivo da irritação.  A bagatela de R$ 1,2 trilhão aos bancos, foi medida do executivo sem carecer de explicação, justificativa para a urgência e tals...  A parte que cabe à “tigrada” aqui de baixo foi na lenga-lenga do “duzentão”, a presidência da Câmara disse que não colocaria em votação valor menor que “quinhentão”, a oposição propôs mili e tantos guedes... Ta bom.  “Seiscentão” e não se fala mais nisso!  “Anhã, Ok. Tá bom. É...” (essa é de uma canção do João com o Aldir, só que é tema pra outro texto.  A citação aqui foi só pra baixar o nível de irritação).

De volta ao tema, o “ser” demorou uma semana só pra assinar a bagaça.  Gente!  Já tem advogado anunciando serviço, mediante óbvia remuneração (sei que não pode anunciar serviço de advocacia. A OAB que veja aí).  Tá todo mundo vendo isso, como também estamos vendo empresários se adiantando, partindo para pressão contra o isolamento social.  fazem o que sabem fazer melhor (e adoram fazê-lo): demitir.  Uns ainda estão na ameaça.

Outros, direto ao ponto.  Empresários e o próprio governo (minúscula sim), estão “jogando” pra ver o incêndio.  Verão.  Pior: queimaremos!

terça-feira, 7 de abril de 2020

Aquele do 'HEILL (em seis quadras sem rima)"

E se ela soubesse que escolhemos?

Vi Elis!  Considerando a faixa etária média das pessoas que me estão lendo, isso não soará, de modo algum, como façanha.  Ocorre que vi e ouvi a criatura falando durante quase uma hora. E isso foi agorinha.  Foi no YouTube, relaxa. Não se trata de experiência paranormal ou coisa que o valha.

O programa televisivo era o extinto Jogo da Verdade, na tv Cultura (que ainda existe).  Foi sua última entrevista.  Em torno de duas semanas antes da sua morte (da Elis).  Maravilha revê-la desfilando toda sua verve, sua inquietação, o espírito de rebeldia, a sensibilidade e uma perspicácia, uma leitura do mundo a sua volta de causar inveja.

Discorreu ela, na ocasião, sobre sua carreira, sobre a política das gravadoras, sobre o mercado musical e seus modismos...  Falou sobre o Brasil e nossas idiossincrasias e aí, falando da loucura daqueles tempos, disse não duvidar se aparecesse por aqui “um bigodinho”...  (os dedos sobre o lábio superior, indicando a marca registrada do Adolfo).

Eram os anos finais da ditadura (que ela não viu findar), assim como não viu o crescimento da produção musical independente, que pode contar, alguns anos depois, com avanços tecnológicos e a diminuição dos custos de produção, ampliando as condições de acesso, por parte dos artistas, ao grande público.

Não pode ver e saber que Itamar, Arrigo e outros se mantiveram “livres” e produzindo marginalmente, assim como não teve o desagrado de ver que o deus mercado seguiu prostituído e prostituindo ao limite, impondo estilos, rostos (ou bundas) e que o Amilson Godoy não venceu a luta contra a precariedade da carreira dos músicos.

Elis não viveu para ver que nossa percepção de coletivo, capacidade de ação coletiva e de empatia manteve-se em níveis baixíssimos e isso, talvez esteja na raiz do que se nos impõe.  Não soube (não saberia, ainda que estivesse viva), que só assisti à entrevista trinta e nove anos depois, quando sua profecia é um fato, apenas sem o bigode.

segunda-feira, 6 de abril de 2020

Aquele do(a) "Ah, a Alteridade!"

Com atraso, de minha parte LG - mas não sonegado nunca, segue abaixo mais um do nobre, inspirado e ainda confinado Geraldo Silva - Gegê...


“Comecei uma piada.  O que fez todos rirem.
E não percebi que a piada era eu”


Um amigo querido, Professor Bráulio Pedroso, a quem aliás, não vejo há tempos (bem antes do isolamento social), por relaxo mesmo; na sua dissertação de mestrado estudava algo como as anedotas como instrumentos de perpetuação e aprofundamento dos preconceitos.  Esses, de que somos, concomitantemente vítimas e algozes, individual e coletivamente.  Sua pesquisa tratava dessas piadas que no Brasil, ouvimos e contamos desde os primeiros anos na escola (sobre gaúcho, preto, judeu, viado, prostituta, português, loira, mulher, polaco, sogra...)

Efetivamente, um dos nossos modos de existir (como sociedade), é a desqualificação dos “tipos” que não aceitamos.  Demonizamos, destituímos de direitos à existência ou, ao menos os invisibilizamos. 

Se não os podemos eliminar, que não tenhamos que conviver.  Assim, criamos prisões, hospícios e, de maneira menos institucionalizada (porque de difícil justificação legal), guetos sociais, territoriais...  Os manos existirem na periferia, que seja.  Querer entrar no shopping, aí não né.  As putas e travestis, veja bem, se for ali nas penumbras da noite da Getúlio...  Pretos, se puderem se manter nas construções, nas cozinhas, nas empresas terceirizada de serviços de limpeza e vigilância, ok.  Parem com isso de querer advogar, medicinar, engenheirar...

Pra funcionar é necessário renovar na nossa e na cabeça deles seu desvalor e incapacidades mil.  E fazemos isso sorrindo, ou melhor, rindo.  “É só de brincadeira”.  “Não tenho preconceito” “Tenho até um amigo que...”  Não é preconceito mesmo.  É conceito.  Autoconceito.  A questão é que na ciranda autofágica, rimos todos, uns dos outros. Rimos de todos nós.  Diminuímo-nos a todos e todos temos vergonha de ser isso a que chamamos brasileiro.  É como se estivéssemos sempre falando daqueles outros. 

Os que atrapalham e nos afastam do “ideal de civilidade”, como se dizia por aqui no século XIX.
Fazer piada das nossas desgraças pode ser “lido” como estratégia pra não deprimir, como um jeito leve de encarar a dureza da vida. 

Deve ser visto também como fuga.  Tentativa vã de fugir ao compromisso de olhar no espelho sem a autossugestão que constrói imagens irreais.  Esse nosso auto achincalhe, dizemos, deveria ser estudado pela Nasa. 

Mas por que não pelo Inpe?  Se a questão é estudos espaciais...  De minha parte, “botava” isso tudo num foguete e “levava” pra Havana só pra ver Cuba lançar.

sábado, 4 de abril de 2020

Aquele do "Estou surtando, mas estou lúcido!"

Vamos la, senhoras e senhores. Afinal se eu escrever senhores antes posso ser chamado de sexista, não é mesmo? Ironia a parte, e talvez esse texto inevitavelmente contenha alguma, estamos vivendo uma fase bastante difícil, não é mesmo? Difícil para quem? Difícil?

Eu não consigo mais entender a humanidade enquanto um todo: sabemos que há um ciclo, que nascemos, que nos desenvolvemos - sim, estudamos, trabalhamos, compramos, gastamos, namoramos, casamos, fazemos filhos e bla bla bla, e no final disso tudo, morremos. Não há escapatória, a não ser o Pelé e o Neymar, o resto, todos vamos morrer um dia. Não adianta, rezar ou orar, pedir ou implorar - vamos sim morrer, é um ciclo natural. Ok, alguns vão dizer que não precisa ser tão cedo e bla bla bla de novo, mas quem define o tempo? Se for deus, certo, quem pode afirmar que ele num momento de diversão (todos merecem, né), não resolveu mandar uma nova praga?

Mas o texto não é para isso, eu poderia tirar sarro o dia inteiro e o que eu ganharia com isso? Alguns ex-amigos, alguns crentes furiosos comigo e ah, nem quero isso.

O texto é sobre o meu isolamento social. Não que eu tivesse uma vida social ativa, alias, nunca nem quis isso. Eu tenho medo de gente, eu tenho receio de gente e eu tenho nojo de gente. Tirando alguns poucos amigos, o restante me dá muito medo. Então, ficar em casa até tem me feito um bem danado da conta.

Quer ver as vantagens que já percebi?

- meu cartão de débito não é usado há mais de 2 semanas;
- não preciso me preocupar se um filho da puta com menor chance social vai me assaltar ou não;
- não preciso me preocupar em pedir licença, desculpa ou qualquer outra coisa;
- aprendi que, não preciso dizer bom dia para ninguém para ser feliz;
- estou aprendendo que, não preciso de ninguém, mas que um amor não faz mal não...

Enfim, são muitos os aprendizados até agora.


É bem possível afirmar que, muito provavelmente, meu melhor momento de terapia dos últimos tempos foi justamente viver esse isolamento social. Talvez eu sinta falta dele ou talvez, ele tenha me mostrado justamente que, tirando meus filhos, pais e poucos amigos, seja exatamente o que eu preciso e quero para viver...

Uma mulher para chamar de amor, meus filhos por perto e meus pais enquanto tiverem vivos, que sejam sempre bem vindos... O resto, não que eu os ignore, mas não fazem a falta que imaginava que poderiam fazer. O susto e o medo do corona fizeram com que a humanidade percebesse que, ela é fraca e vai morrer, mas ao invés de lutarem de frente contra isso, preferiram brincar de deux e tentar salvar a humanidade. O covid-19 ou Corona, é apenas o primeiro de uma série de virus super letais que a mamãe natureza vai nos presentear, não há como fugir.

E se assim for, que assim seja. E viva o isolamento social.

Mais uma coisa, se você pensou que eu ia politizar o assunto, se enganou, o isolamento social me fez ver mais uma coisa: não importa quem está lá em cima, governando por mim, pois seja os P que forem, seja os Porcos que forem, todos eles, sem tirar nem por, todos eles, nunca fizeram e nunca farão nada para me proteger... Já passamos H1N1 - o porco não fez nada, agora, Covid-19, mudou o chiqueiro, mas o porco, não faz nada. Por isso, quero que todos os políticos morram de Covid-19 ou de hemorroida ou de caganeira...

Para esse sábado é isso...

sexta-feira, 3 de abril de 2020

Aquele do "(IN)TRANSITIVO"

Pessoal, hoje mais um belo texto do nobre Gegê... que segue:


No where you can be
that isn't where you're meant to be


Deu vontade de falar de amor.  Não foi o sol (se estiver fazendo sol), porque escrevo na quinta ainda. 

Não é por causa dela, porque o que me faz amar a essa moça, digo a ela sempre.  Não tem a ver com a conjuntura, por óbvio.  Essa, aliás, tem exigido que amemos muito, de modo a não “bater os pinos”.

O fato é que deu vontade de falar de amor e pode mesmo ter a ver com a chuva curitibana sempre tão presente, de férias nesses tempos de confinamento.  A cidade-madrasta (como diz o guajiro), cuja normalidade é o cinza (e acho que os cinquentas tons, foram inspirados nesse céu), anda de namoro com o azul. De coizinhas com o sol e talecoisa!

Dessas coisas tais “cabecentrando”, creio, venham os devaneios que movem, afinal, a “rodadendagente” que altera o olhar, apura o ouvido; que aguça a sensibilidade nos deixando a tod@s em condição de assimilar Quintana.  Essa coisa, que talvez “venha do mar”, quem sabe dos confins do ar, para além do lá e atravessa os sentidos cinco, indo direto ao primitivo-puro ser.  Sei lá!

Penso que o que fez dançarem as mãos naquele dia (essa é interna. Sinto!), tem causado tempo a fora tanta coisa.  Gostamos de pensar que é a gente, que sendo diferente do tatu, é grande coisa.  Muito mais que o gambá, o leão ou o macaco.  Adorávamos pensar (antes da história do genoma), nas grandes distâncias, evolutivamente falando, entre a gente e quase tudo.  Cá pra nós, entre a gente e a gente, tinha e tem ainda, gente que vê abismos. 

E voltando à dança, outro dos nomes do amor, o que é bailar com Michael senão poesia. É poesia, mesmo para quem, como eu, é incapaz do moonwalk.
Se falei de lua...  O universo foi parindo estrelas e poemas.  Sorrisos e música.  E foi parindo seres, flores, cores e águas tantas (e há quem jure, fez os vinhos).  Fez amor, no fim das contas.  Coisa louca né? Fez sozinho. 

A gente (“humano, ridículo, limitado”), acha estranho, isso de amar sozinho e bastaria olhar pra trás e entender: quem a si não se ama, poderia, a outro alguém?

E foi assim que foi.  É de amor que tudo é feito e o processo é tido certo quando as coisas que se precisam, dão de cara, uma com a outra e se percebem.  Se dão conta que são caras umas às outras por serem metades.  Pense a flor sem as abelhas.  As ondas sem a lua.  A produção de riqueza sem o trabalho.  Imagina eu sem você. 

Foi assim e é assim, desse jeitinho.  Amar é a maré, entendamos.  Não fosse isso e tudo iria pelos ares.  Crendo ou não.

quinta-feira, 2 de abril de 2020

Aquele do "E Então, Que Quereis...?!

Mais um do Nobre e perspicaz Gegê - Geraldo Silva


“Enquanto todo mundo espera a cura do mal
E a loucura finge que isso tudo é normal...”


Queda d´água, bruta e doce, seu ruído contínuo e profundo ouvido adentro; assim como faz na pedra a água, em seu movimento livre.  À diferença que a ação da água (como diz o ditado), fura.  O som, por sua vez, pode fazer adormecer o ouvinte. É capaz de transportar a mente. Fazê-la viajar.  Disso se poderia concluir que a diferença está, possivelmente, na dureza da pedra. (Convém guardar essa ideia).  Não é isso apenas, mas pode ser um viés.  Todavia, dado que são diferentes modalidades de atrito (água na pedra, som no ouvido), a relação surge tanto forçada.  Se torna non sense.  Beira a irracionalidade.  (Isso também há de ser útil reter).

Eduardo (que não abriu os olhos), gosta de falar com os gringos na língua deles, só que não a domina, o que o leva a cometer deslizes semânticos, linguísticos.  Quando (conosco), se expressa na sua língua materna, o problema é sua carência relativa ao domínio e compreensão de conceitos e a dificuldade na articulação e expressão de ideias.  Diferentes problemas, ambos graves.  No idioma do tio Sam, as pessoas não entendem o que ele diz e “em brasileiro” a gente percebe que ele não entende nada do que fala.  Nos dois casos, pensa que está “abafando”.  Diferente daquela pedra, poderia sair do caminho das águas que, quando se fizerem cachoeira parti-lo-ão.  Porém, como na brincadeira, “poderia estar robanu, matanu...”  E não é que está!

Esse, que não é o da Monica, saiu direto das “aulinhas de inglês” para o cargo de filho de um outro que está fora de lugar.  A lida com o idioma, segundo ele, assim como a humildade (sic), aperfeiçoou na “chapa” do Mc Donald, lá.  O cargo, é notório, não existe.  A ação política que lhe caberia dar conta seria na função de deputado, em decorrência do fato de que alguns milhares de eleitor(a)es quiseram e se fizeram representar por ele na Câmara Federal.  Convenhamos: gosto e fiofó: cada qual tem o seu.

Interessante a pessoa se pensar o próprio “caminho das pedras”, embora seja estranha a ideia de que apenas se sabe sê-lo, depois que alguém apoia os pés no que deveria ser apenas água e não afunda.  É aí que a função se lhe apresenta.  Até então, penso, possivelmente se pensasse mera pedra sob a água.  Pensar-se “a pedra” aprioristicamente é risco grande por demais.

Em sendo pedra, pode-se rolar rio abaixo com o movimento das águas, pode-se criar limo, causando quedas, as vezes fatais (não se trata de praga, nem de previsão).  Sendo pedra e dura, ainda que grande e estando no caminho das águas que caem, é fato: furo na certa.

A dureza da pedra, útil em certas situações, é sua perdição sob a cachoeira.  Para o ser animado a falta de noção ou ausência de autoconhecimento idem.  Nesse caso tanto pior visto que não há poesia na empáfia, na maldade e na canalhice.  Ademais, as águas em queda não se perguntam o que há embaixo.  Correm, caem e continuam a correr para a imensidão do mar.  Na outra banda da conversa, Maiakovski: “...o mar da história é agitado.  As ameaças e as guerras, haveremos de atravessá-las, rompê-las ao meio, cortando-as, como uma quilha corta as ondas”. 

quarta-feira, 1 de abril de 2020

Aquele do "À GUERRA!"

“Se tenho o dom da delícia, eu tenho o não e o sim (...)
Se não ganho nessa eu perco, mas na outra vou ganhar...”

Alguém ainda lembra das interveniências no processo eleitoral estadunidense, quando da eleição do Trump(a)?  Houve umas questões no campo da mídia eletrônica, surgiram muitas “conversas” estranhas a respeito de “material informativo” circulando na internet sobre a candidatura democrata, sobre os democratas, sobre a candidata...

Houve demissão da coordenação de campanha, ou apoiador-mor do “eleito” enfim, fake “fuck” news...  Houve suspeitas de suposta ação dos russos no tal processo e, claro, discurso de ódio, proposta de construção de muro na fronteira com o México aguçando a xenofobia.  A candidatura Trump era tão radicalmente a direita que parte significativa das lideranças do Partido Republicana tentaram evitá-la nas prévias.  Não conseguindo, viraram as costas para a campanha.

Trump não é o único “direitão” no poder.  A Europa vive dias de “glória conservadora”.  A América latina tem experimentado, inclusive, Golpes de Estado, com renúncias forçadas por meio de ameaças ao mandatário e, principalmente familiares (caso da Bolívia) e lembro, alguns anos antes (quase ninguém lembra ou mesmo notou), o caso do Lugo, no Paraguai.

A bíblia presente na cena pós “invasão” do palácio presidencial boliviano, o deus (estranho) em nome do qual vociferava a deputada (auto proclamada) nova líder dos bolivianos, naquele vídeo insano, agora, segundo ela, morava lá.  Todos esses elementos nos são familiares, dado que também os vemos e ouvimos diariamente por aqui, nas falas e atos de “cristãos” que fazem “arminha” e falam em morte aos “inimigos” políticos e/ou de “fé”.  Fé demais!

Conservadores parecem alinhados e convictos, por toda parte.  Nas américas e nas “oropa, França e Bahia”. (França e Bahia foi só pra aproveitar a citação, o “velho deitado”)  Fundamentalistas de toda ordem têm, como é de praxe “muita convicção e confiança”, dado que abençoados, ungidos.  Os robôs da chupeta de piroca e do Kit gay mantêm-se super atuantes, enquanto os empresários... Bem, “vampiro brasileiro”, meu velho!

Há muitas evidências da presença da CIA (todos conhecemos essa sigla), no planejamento, financiamento e mesmo nas ações, em todos os casos, inclui-se nisso, as patacoadas do dalagnol (assim mesmo. Não é digno de correção ortográfica, nem de maiúscula) e do juiz (você sabe quem).  Aliás, esse aí e o necro desgovernante foram às sedes da Cia e do FBI (em visita aos EUA). 

Para o caso de ninguém lembrar, retomo aqui o caso daquele “porrilhão” e meio de dólares que era da Petrobrás, que supostamente fora roubado da Petrobrás, que estava  “in USA” e que foi devolvido, mas não ao Brasil ou à Petrobrás: ao (dá)lagnol.  Esse “dinheirinho” constituiria um “fundo” para ações, por meio de uma ong (Hummm... Fale-me mais sobre isso!).  Passarinho me contou que é “grana” pra campanha do Moro em 2022.  Mas passarinho, vocês sabem.  Diz coisas que até Deus duvida.

Aqui, quer saber?  Lembra da figura da qual tratamos no texto anterior?  Estamos formigas, abelhas.  Estamos qual meus colegas e eu, naqueles episódios das bombas de efeito moral, gás, balas de borracha...  Estamos atônitos e putos da vida (queiram perdoar pelo palavriado); estamos indignados, feridos (e agora, ainda auto confinados, portanto, um pouco mais ansiosos).

Nosso problema não é a varetinha com a qual mexeram no formigueiro.  Nosso único problema não está na rapina do mel que produzimos com muito esforço e tenacidade.  Os dias, beto, rato (pequeno e grandão); os três patetas e o palhaço mor; o juiz e os sinistros...  Nada dessa caterva constitui nosso problema maior.  A questão é o que isso tudo representa.  O que significam todos eles e a ideia de mundo subjacente. 

Estamos em guerra!  A mim me interessa revolucionar o que eles querem conservar.