sexta-feira, 3 de abril de 2020

Aquele do "(IN)TRANSITIVO"

Pessoal, hoje mais um belo texto do nobre Gegê... que segue:


No where you can be
that isn't where you're meant to be


Deu vontade de falar de amor.  Não foi o sol (se estiver fazendo sol), porque escrevo na quinta ainda. 

Não é por causa dela, porque o que me faz amar a essa moça, digo a ela sempre.  Não tem a ver com a conjuntura, por óbvio.  Essa, aliás, tem exigido que amemos muito, de modo a não “bater os pinos”.

O fato é que deu vontade de falar de amor e pode mesmo ter a ver com a chuva curitibana sempre tão presente, de férias nesses tempos de confinamento.  A cidade-madrasta (como diz o guajiro), cuja normalidade é o cinza (e acho que os cinquentas tons, foram inspirados nesse céu), anda de namoro com o azul. De coizinhas com o sol e talecoisa!

Dessas coisas tais “cabecentrando”, creio, venham os devaneios que movem, afinal, a “rodadendagente” que altera o olhar, apura o ouvido; que aguça a sensibilidade nos deixando a tod@s em condição de assimilar Quintana.  Essa coisa, que talvez “venha do mar”, quem sabe dos confins do ar, para além do lá e atravessa os sentidos cinco, indo direto ao primitivo-puro ser.  Sei lá!

Penso que o que fez dançarem as mãos naquele dia (essa é interna. Sinto!), tem causado tempo a fora tanta coisa.  Gostamos de pensar que é a gente, que sendo diferente do tatu, é grande coisa.  Muito mais que o gambá, o leão ou o macaco.  Adorávamos pensar (antes da história do genoma), nas grandes distâncias, evolutivamente falando, entre a gente e quase tudo.  Cá pra nós, entre a gente e a gente, tinha e tem ainda, gente que vê abismos. 

E voltando à dança, outro dos nomes do amor, o que é bailar com Michael senão poesia. É poesia, mesmo para quem, como eu, é incapaz do moonwalk.
Se falei de lua...  O universo foi parindo estrelas e poemas.  Sorrisos e música.  E foi parindo seres, flores, cores e águas tantas (e há quem jure, fez os vinhos).  Fez amor, no fim das contas.  Coisa louca né? Fez sozinho. 

A gente (“humano, ridículo, limitado”), acha estranho, isso de amar sozinho e bastaria olhar pra trás e entender: quem a si não se ama, poderia, a outro alguém?

E foi assim que foi.  É de amor que tudo é feito e o processo é tido certo quando as coisas que se precisam, dão de cara, uma com a outra e se percebem.  Se dão conta que são caras umas às outras por serem metades.  Pense a flor sem as abelhas.  As ondas sem a lua.  A produção de riqueza sem o trabalho.  Imagina eu sem você. 

Foi assim e é assim, desse jeitinho.  Amar é a maré, entendamos.  Não fosse isso e tudo iria pelos ares.  Crendo ou não.

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