segunda-feira, 21 de setembro de 2020

Aquele do "está faltando pauta, aí já viu, né, até diarreia vira notícia..."

 Os leitores do DLQ devem saber ou pelo menos notaram que tenho um senso meio crítico demais. E ainda mais quando o assunto é jornalismo, jornalistas, veículos de comunicação e senso comum. Pois bem, tem gente que usa uma expressão "morro e não vejo tudo" e eu, tenho pensado justamente nisso até porque em época de pandemia de doença altamente mortal, não há como pensar que o próximo pode ser eu, não é mesmo? E se eu morresse hoje, teria visto tudo? Não...

Esse não, é um sonoro NÃO. É um não porque, o jornalismo, meu foco nesse texto, está um tanto desnorteado quanto uma barata quando você joga aquele spray para matá-la. O spray, efetivamente, primeiro atordoa e quem sabe pode matá-la, mas em geral, ela vai para algum lugar, recobra as energias e, cedo ou tarde, estará lá, perto de onde você tentou acabar com ela, comendo aqueles restinhos que você insiste em deixar. Sim, o nosso "jornalismo" está assim.

Depois que um tal presidente da república, que nem sabe o que é ser presidente de uma república jogou um spray no jornalismo (ou seja, cortou verbas e deixou de dar entrevistas), o jornalismo está parecendo aquela barata que citei. Faltam pautas. Para quem não sabe o que é uma pauta, no jornalismo, pauta é uma indicação de assunto que pode ser interessante para a maior parte das pessoas que acompanham o veículo, ou seja, é um tema a ser tratado. Antigamente, havia inclusive a figura do pauteiro, que era um jornalista - ou não - que ficava o dia todo correndo atrás desses assuntos. Normalmente em sua mesa, até porque jornalista bom não sai pra rua, assistindo todas as televisões as quais fossem possíveis, ouvindo rádio, lendo revistas e jornais. E ainda, atendendo telefone de leitores, espectadores, ouvintes... Bom, não é preciso dizer que essa função se existir, deve ser relíquia.

Vamos aos fatos como eu os enxergo hoje, setembro de 2020.

A grande parte da mídia que mais tem audiência, é de uma linha política contrária a do atual presidente. Esse, eleito democraticamente como todos os outros desde 1985, quando deixamos de ser uma ditadura militar e voltamos a ter o regime democrático. Ele teve exatamente o que a lei prevê, 50% + 1, não literalmente, os valores são diferentes desse. Mas ele foi eleito pela maioria. 

Nesse ponto, podemos observar que, a mídia, que não concorda com isso, que se impõe como apenas e tão somente dona da verdade, vem tentando desesperadamente proporcionar um desgaste tão imaturo que chega a ser atitude de uma criança mimada - eles tentam de todas as formas derrubar um governo que até agora, não operou mensalão, petrolão, lava-jatão ou qualquer outra coisa parecida. E não, eu não votei no governo atual, não atuo por ele e tem inclusive muitas coisas contra, mas, se vivemos uma democracia, nada mais justo que eu respeitar A, B ou C, não é mesmo? Até porque, numa democracia, sempre haverão perdas, sempre haverão discordâncias e sempre haverá um lado a ser seguido, pois ela permite isso, se não houvesse essa permissão, teríamos um ordenamento e não haveria democracia.

E o ano de 2020 começou...

Logo surgiu a melhor pauta do ano: COVID-19 - e foi o deleite da galera. Impuseram o pânico no país, travaram o desenvolvimento econômico, geraram desemprego e aumentaram a distância entre os mais pobres e os mais ricos, ou seja, ajudaram a ferrar o país de forma muito ampla e muito direta, exercendo sua "função social do jornalismo". Afirmo isso em minha leitura pois, não houve sequer tempo de tanto jornalista se tornar especialista em transmissão viral, propagação de doenças, isso sem contar que formou-se um consórcio especialista em ação viral no organismo humano.

Essa pauta, substituiu outras pautas tão importantes quanto mas que já não davam retorno algum como dengue, mortes no trânsito entre outras, passando claro, pelas ações de governo. Não houve nenhum jornalista de peito que propusesse uma leitura de artigos científicos, os quais, de certa forma, demonstravam dados diferentes dos que foram apresentados. Eu lastimo muito a perda de mais de 135 mil vidas no Brasil, isso foi um absurdo tanto por parte do governo, quanto por parte dos médicos e ainda mais por parte dessa mídia, que por ignorância ou burrice, fez campanha contra tudo e contra todos que discordassem dela.

O tempo passou, sofremos com a pandemia e agora, a pauta, acho que de agora em diante será assim, teremos uma pauta por estação do ano, tornou-se os incêndios florestais. Pantanal, Amazônia, Paraná, enfim, estamos passando pela maior estiagem dos últimos anos e isso é fato, porém, é quase que natural que ela aconteça, sempre aconteceram, mas estamos potencializando e muito o poder disso. A mídia, mais uma vez, com sua pauta voltada a um único tema específico, quer que todos os brasileiros e todos os gringos aceitem e acreditem que para cada foco de incêndio, houve um ser humano que riscou um fósforo e "tacou fogo" ou ainda que para cada foco de incêndio houve um desavisado que jogou uma bituca de cigarro.

Essa é a mídia que, quer que continuemos vendendo grãos e qualquer coisa sem tecnologia e valor agregado, nos mantendo nesse patamar de país de commodities, o qual, não trás rende, não aumenta nossa capacidade de enriquecer, muito mesmo ajuda no desenvolvimento social e humano dessa nação. Querem manter a Amazônia, mas querem produtividade recorde de soja. Quem como soja? Quanto vale uma saca de soja lá na China, por exemplo? Valeria mais 1 saca de soja ou um pedaço de trilho de trem fabricado e finalizado aqui?

Vale mais vendermos carne de porco - aumentando o preço para o consumidor interno - ou valeria muito mais vendermos pratos prontos com comida congelada orgânica, com valores nutricionais elaborados?

Está faltando pauta para esses veículos. Estão faltando estudos, conhecimentos, informações... 

Eles querem que fiquemos até quando sendo um país que dá tudo aos outros e recebe quase nada de retorno? OK, se uma saca de soja custa hoje R$ 138,04, ou seja, algo em torno de R$ 2,30 por quilo, por quanto poderíamos vender uma caixa com 12 hambúrgueres de soja? Isso mesmo, um hambúrguer vegano, com todo apelo de ser a favor dos animaizinhos, produzido em terras Brazucas, com embalagem bonitinha... Quem sabe aí, R$ 2,30 por hambúrguer? Claro que não, ele deveria sair daqui por pelo menos uns 2 US$, afinal, gripo tem grana pra comprar. Faça as contas... Pense, apenas pense.

Mas é isso, eu não entendo nada disso mesmo, apenas estou viajando!!!

#abraçoLG

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