sexta-feira, 30 de outubro de 2020

Aquele do "Acreditar para que? É difícil tentar enxergar uma perspectiva..."

 Bem, senhores e senhoras, o texto de hoje talvez tenha um pouco de acidez, afinal de contas, até mesmo na comida precisamos de acidez. Mas hoje eu tirei um dia para pensar na vida. Até fui para minha atividade laboral mas resolvi voltar para casa antes. Cheguei, lavei a louça que meus filhos deixaram na pia (sim, eles ainda não lavam sozinhos...), coloquei água para esquentar e como nunca antes na história desse país, eu me sentei à mesa, liguei meu laptop e ainda como há tempos, fui dar uma zapeada nas notícias. 

Claro que isso com um café pronto, numa caneca que mais parece um balde, ao estilo "Friends", que sabe o que é vai se ligar no tamanho, e estava lendo algumas notícias, confesso que a maioria sem qualquer vínculo com meus interesses, até que vi uma que tratava do relatório do CENIPA sobre o acidente que arrancou a vida do meu ídolo jornalístico Ricardo Boechat. Foi um acidente filho da puta, matou um dos únicos caras que tinha qualquer tipo de compromisso com a informação. Além dele, tem o Dudu, eu e mais um ou dois o resto, para mim, não vale os caracteres que escrevem.

Mas o texto não é sobre a qualidade extremamente questionável do jornalismo brasileiro, seja de qual veículo for, e sim, sobre o acidente em si. Eu ainda não li o relatório oficial, mas lerei. Porém, alguns pontos foram apresentados pelo texto que li e o que mais me chamou atenção é que, segundo o texto que se apoia no relatório, o helicóptero estava com algumas manutenções não tão em dia assim. Inclusive, ele cita uma peça do motor que havia sido trocada por estar vencida e que novamente foi trocada.

Aí eu penso: quando entramos em uma aeronave, seja de asas fixa ou de asa rotativa, pensamos ter a certeza de que os órgãos responsáveis estão em dia com sua fiscalização e que com isso, todo o processo de manutenção, que é coisa muito séria, está em dia também. Nunca acreditei que 100% disso estaria funcionando no Brasil, é claro, pois o Brasil não é para qualquer um, é para poucos.

O detalhe é que, segundo o relatório, tudo estava meio que "fora da casinha". A empresa não poderia fazer voos fretados para passageiros, o piloto não conferiu se os instrumentos estavam certos, o motor tinha peças que iam dar merda, enfim, estava escrito que quem voasse aquele dia, com aquela aeronave corria sérios riscos de acertar numa loteria, a loteria da morte. E o Boechat ganhou!

Então, como acreditar que tudo vai rodar certinho por exemplo, depois de uma crise como a ocasionada pela Covid, onde o dinheiro das empresas ficou escasso? Como saber se o avião que vamos entrar trocou a rabimboca da parafuseta e não desfez a troca depois que a fiscalização foi embora? Eu não imagino que alguém possa fazer algo assim deliberadamente, sabendo o risco de morrer que corre, mas a fiscalização nitidamente deu uma pipocada nesse caso.

Como acreditar que no Brasil as coisas possam acontecer de forma mais efetiva se os exemplos demonstram justamente o contrário, apresentando pequenas falhas que podem se tornar catastróficas de uma hora para outra?

Afinal, senhores e senhoras, um helicóptero ou um avião, não podem "dar um tempinho" na viagem e trocar uma pecinha que "deu ruim". Aí o buraco é mais embaixo, se "der ruim", a gravidade mostra porque é uma lei: tudo que sobe, desce. E a descida sem condições prévias, é bastante intensa. Sobre pouco ou quase nada!

Enfim, que Boechat - que se dizia ateu como eu - seja sempre lembrado como o ícone do jornalismo que sempre foi e meu grande ídolo. Saudade de seu jornalismo ácido, de seus comentários ainda mais ácidos e claro, do jornalismo sério que ele sempre soube fazer.

#fui

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