terça-feira, 10 de novembro de 2020

Aquele do "Dou de ombros para isso..."

 Ok, senhores leitores e senhoras leitoras, eu assumo, estou sendo criticado e muito. Mesmo evitando falar sobre esse assunto por considerar melhor o menor desgaste, eu ainda me encontro em situações nas quais acabado esquecendo de minha promessa e volta a falar a respeito. E não poderia ser outro senão o pleito eleitoral e a política de nosso país. Sim, essa que a gigantesca maioria quer que eu converse mas que, após participar como eleitor e como candidato a vereador, eu afirmo categoricamente que não me faz o menor sentido.

E porque o poder do meu voto não faz o menor sentido para mim? Você tem tempo?

Ah, vamos de resumão, afinal, resumão é uma das características do brasileiro nato. Sim, leitores e leitoras, é isso mesmo, e acho até pertinente que você discorde disso, afinal de contas, é assim que se constrói o pensamento, né? Mas o brasileiro é sim meio preguiçoso. Veja bem, se ele pode cortar caminho passando por um gramado que não seja dela, tenha a certeza, ele fará!

Se ele puder burlar um sistema que emprega milhares de pessoas, paga os impostos e custa bastante, ele vai burlar o sistema e comprar a caixinha. Eu não critico, mas como já fiz parte desse sistema também, sei o quanto isso acaba custando para alguém.

E com a político, pelo menos o que eu posso observar das pessoas que me cercam, essa preguiça se mostra bastante latente. Sim, afinal de contas, como podemos escolher de alguma forma um candidato x ou y considerando os vídeos e as mensagens que recebemos no whatsapp? Informações soltas, vazias e que muitas vezes, senão na maioria das vezes, só são transmitidas pelo filtro do transmissor. Ou seja, já partimos da preguiça de conhecer apenas um lado. E isso acontece só aqui? Não, tenha certeza que não, mas diferente dos meus amigos jornalistas, eu não vou me colocar como especialista em política norte-americana, não seria prudente. Aliás, não é prudente sequer consolidar informações de outra grande região do Brasil, pois nosso regionalismo interfere até nesses modelos. Não se vota aqui, com os mesmo critérios de escolha que são utilizados no nordeste. Outras realidades, outras necessidades, outros posicionamentos.

Bom, aqui entra o meu grande desgosto em relação a ser ou não um ator político nesse sistema eleitoral. Democracia?

Ora, ora, como acreditar e sonhar com uma "democracia" em um país que tem mazelas sociais de grande monta? Como acreditar no voto popular quando, por ou para atender determinadas demandas sociais, a mentira come solta? É sério, isso precisa vir à baila, um dia!

Vamos pegar o pleito de 2020 em Curitiba. Ainda há candidatos, mais que 1, prometendo "passe-livre" para estudantes. É simples o raciocínio, ou deveria ser na cabecinha dos eleitores:

Se o sistema custa, R$ 4,50 por pessoa, e nesse valor estão contabilizados os salários dos motoristas, cobradores, funcionários, mecânicos, RH, enfim, uma gama de trabalhadores, além da infraestrutura - garagem, oficinas e mais, além dos veículos, combustível, mecânica, depreciação e tudo que envolve o transporte de gente, incluindo aí os impostos, que incidem nessa cadeia logística toda - INSS dos funcionários, FGTS, PIS, COFINS, IPVA, e blá, blá, blá.... OK! Como você pode então, isentar um grupo expressivo de usuários? De onde virá a contra partida necessária? Afinal, dinheiro não costuma cair do céu, pelo menos não tem caído em Curitiba... Vai pagar a conta como?

Ai, outros tantos candidatos, na onda da estiagem, resolver que a prefeitura vai trabalhar para manter os mananciais da serra para que nunca mais ocorra falta d'água, e aí, eu me pergunto, se os mananciais estão em outro município e a divisão territorial de municípios está prevista em lei e cada qual com sua jurisdição, como um candidato pode afirmar que fará algo que, no máximo, ele pode convidar outros prefeitos para conversar? Ou alguém acredita que Curitiba tenha grana suficiente para mandar tratores e funcionários para outro município, para trabalhar? Mal temos dinheiro para deixar Curitiba bonita como já foi um dia!

Voltando ao foco principal, e tentando não ir muito longe, como ainda tem gente que vota na promessa de esgoto, calçadas e ônibus vazio? Esgoto não se vê, não dá voto - nenhum candidato vai zerar o esgoto a céu aberto pois, com ele, as pessoas ficam doentes, logos os postos de saúde e hospitais, ficarão cheios e para isso, as pessoas vão usar os ônibus lotados, em horário de pico, para chegar cada vez mais cedo nas filas.

O pai que sai pra trabalhar as 5h, 6h da manhã, não tem vaga na creche, mas creche só rende votos se for promessa de campanha, ou seja, lá se vai mais uma promessa que, é sempre promessa, nunca ação. A lista é longa, há muitos exemplos. O passe-livre, o metrô, acho que o metrô esse ano não entrou na campanha... Aí tem o que promete segurança pública, e aí entra a grande piada pois, se o país for seguro e pode ser, como esse candidato vai ser reeleito? 

Outra, que acompanhei em partes durante a vida, foi a chegada de gente de fora de Curitiba, trazidas por cabos eleitorais, e que formaram num primeiro momento os bolsões de invasão, tornaram-se máquinas de votar... Felizmente hoje em dia a grande maioria tem a liberdade de votar, mas antes, era meio complicado.

Com tudo isso, realmente eu devo ainda acreditar que meu voto fará diferença?

Não!

Então, eu quero ver mudanças nesse sistema para então, reavaliar se participo dele ou não. Da forma como está, eu vou pagar a multa e me sinto bem assim, com a sensação do dever cumprido!

#lg

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