segunda-feira, 23 de agosto de 2021

Aquele do "Vira-latas, sem raça mas o melhor amigo do homem... Será mesmo?

 Fernanda nasceu de uma família de 3 filhos, pai e mãe. Sim, era uma família normal daquelas que com muito custo, com muita força de vontade e determinação conseguiu agregar um patrimônio que pelo menos, a vida de velho vai ser tranquila sem maiores empenhos financeiros. Eles nunca foram de ser dar bem, até porque família só sorrisos normalmente só existem em filmes, novelas da glogo e propagandas de margarina (margarina nem formiga come, tá... faz um mal da porra!)

Mas então é isso, e assim surgiu Fernanda, não vamos entrar no mérito da questão afinal todos imaginam como, mas ela nasceu a filha do meio dessa família. Seu irmão mais velho adorava ela, mas até uns 3 ou 4 anos, depois perde a graça porque criança é sempre um saco. Faz birra, chora, grita, essas coisas que só quem teve irmão sabe do que estamos tratando aqui. Mas, tudo era diferente nesse lar.

Fernanda, em particular, que é o personagem dessa história cresceu com alguns recalques, como tratava Freud, e sua participação familiar apenas amplificou esses recalques os quais, infelizmente, vão acompanhar ela par a vida toda. Por ser a do meio, sempre esteve no meio: no meio das alegrias, no meio das tristeza, no meio, no meio e no meio. Nunca teve para si aquele abraço apertado verdadeiro, quando pensava em ter, era subtamento interrompido pois ou o mais velho ou sua irmã mais nova, chegavam e interrompiam todo os processo. 

Fato é que a família vai importar cada vez menos daqui para frente, o foco será em Fernanda. Esta sim, por conta da criação acabou desenvolvendo em seu ser o famoso e comum Complexo de Vira-latas. Este complexo consiste no ser que nasce e se desenvolve de forma que o portador desse complexo tem uma tendencia de autodepreciação enorme, e que sem uma ajuda externa, acaba vivendo sempre com essa sensação de que qualquer um é melhor. A pessoa com isso sabe que é boa, mas diante dos outros, acaba por se colocar em 2º lugar.

É o que normalmente assistimos nos eventos esportivos, nossos atletas ao invés de ir para competir, eles vão, voltam e se contentam em terem participado. Simples, já valeu por ter ido.

E assim foi com Fernanda, que cresceu sempre achando que as amigas eram mais bonitas, que as roupas, as casas, os namorados das outras eram sempre melhores do que as dela. Isso arruinou as chances iniciais de uma carrera no mercado de trabalho, arruinou seus namoricos, e levou ela a um estado semi-vegetativo, no qual, exageros à parte, deixaram ela numa condição de levantar, sair, trabalhar e voltar, e assim, every fucking day...

Quando Fernanda estava beirando seus 38 anos, algo aconteceu. Ela conheceu um carinha, segundo ela lindo, na minha opinião, não vou opinar... Esse carinha, um tal de Afonso, fez com que ela percebesse de forma rápida o quanto ela era linda, inteligente, capaz, sagaz e tudo mais que até então ela nunca tinha sido. E isso causou uma transformação na vida dela. Ela sumiu do mapa, meio que abandonou tudo e todos que por aí estavam. Junto com Afonso, compraram um furgão e saíram viver o mundo, mas não se tornou youtuber, ela preferiu viver intensamente tudo aquele que ela nunca tinha vivido por se achar menos que os demais.

Agora, Fernanda não é apenas uma mulher, ela se encontrou uma mulher fodona... Ela manda em si, mas tem Afonso como amante, marido, namorado, amigo, confidente, cozinheiro, lavador de roupas e banheiro e assim, eles vivem felizes. Nunca se pode imaginar quando alguém vai chegar e fazer tão bem para uma pessoa como Afonso fez para Fernanda, que até então, era uma viralatinhas, agora, é um mulherão da porra!

A vida é isso, são ciclos, são movimentos, são essas situações "fofas" que nos fazem querer e pensar em viver cada vez mais.


sábado, 21 de agosto de 2021

Aquele do "Enfim, um dia a hora sempre chegará!"

 Sim, a hora chega. E Paloma não teve como evitar essa chegada. Ela estava na plenitude da vida, bom emprego, morava num apartamento bem bacana, se alimentava direitinho seguindo as instruções de sua "nutri" como ela mesmo se orgulhava em falar... Sua rotina era viver sem rotina. Seu emprego não exigia cumprimento de horário e sim, produtividade. E, depois do trabalho era bastante comum aquelas esticadinhas no PUB preferido pela galerinha.

Era uma mulher moderna, não exigia muito da vida mas vivia intensamente cada minuto. Gostava de defender o meio ambiente, costumava usar roupas de marcas ambientalmente responsáveis, produtos com pegada ecológica, não tinha carro, preferia sua bike, que com muito empenho comprou na cor e no modelo que tanto queria.

Paloma era um estereótipo de sucesso, ou de mulher de sucesso: independente, inteligente e por fim, muito linda também. De certa forma, se considerarmos os padrões impostos pela sociedade moderna, no que diz respeito ao ser, Paloma era tudo que poderia querer.

Infelizmente, foi em uma quarta-feira, um dia de sol lindo em Curitiba. Ela morava há 15 minutos de bike do ser trabalho. Nesse dia, resolveu acordar mais cedo, usou seu laptop para realizar algumas ações e deixar tudo preparado para a hora que chegasse no trabalho. Enviou os e-mails que precisava enviar, mandou algumas mensagens para alguns colegas avisando que já tinha dado o andamento e para uma amiga mais próxima, avisou que estava descendo para pegar sua bike e ir para o trabalho.

Ao chegar no estacionamento de bicicletas do seu prédio, ela teve uma sensação meio estranha, mas ignorou, pegou sua bicicleta e rumou para seu trabalho. Tudo ia muito bem, mas em um trecho extremamente tranquilo, uma BMW Branca, perdeu o controle mesmo sendo uma linha reta, atingiu um poste e de forma precisa, ao rodopiar, colheu Paloma que ao menos teve tempo de saber o que houvera acontecido. 

Todos temos a hora certa, e se era certa ou não, que diferença fará? Paloma, esticada embaixo da BMW toda destruída, um bêbado desce do carro, mal consegue ficar em pé e mesmo assim, meio que rastejando, tenta em vão fugir do local. Populares logo foram ao socorro de Paloma, que não respirava mais, a pancada foi forte. Enquanto alguns tentavam em vão chamar o SIATE e dar atenção ao corpo que ali estava, outros seguraram o bêbado, que insistia querer ir embora.

Essa quarta-feira, foi fatal para Paloma e foi um divisor de águas para o motorista da BMW que, sendo um bom advogado, conseguiu junto aos seus, receber uma punição tão ridícula quanto chupar um pirulito: 2 meses de trabalho voluntário, que simplesmente valeram muito muitos, mais muito menos do que a vida de Paloma. 

Quem chora hoje é a família dela, enquanto, o responsável vive impune!

A hora, sempre vai chegar!


quarta-feira, 11 de agosto de 2021

Aquele do "Se você não sabe, é mais bonito ir dormir calado do que falar merda!"

 Eu não vou desistir de escrever sobre coisas aleatórias como venho fazendo nos ultimos tantos textos desse blog. Mas também, não tenho sangue de barata para conseguir ficar ouvindo tanta besteira, de tanta gente que um dia considerei inteligente mas que, a cada novo segundo que passa, demonstra sua bestialidade e ignorância em relação a temas tão banais quanto um montinho de fezes caninas numa calçada de madame.

Sim, caros e nobres leitores, hoje o tema do texto é voto, urna eletrônica, imbecilnaro, hipócrit-lula e o os outros demais, todos eles sem excessões de partidos e de linhas políticas. O que interessa para mim é saber que sei e o quanto estamos caminhando para um fim inevitável. Fim esse que iniciou-se com a polarização e com a divisão entre dois times, mas que na verdade é muito mais ampla, mesmo ocorrendo no sistema 1 ou 2, par ou impar, 0 ou 1 essas coisas.

Há muitos anos, muitos mesmo, eu e meu antigo sócio que hoje não está mais nessa nação e que tenho a certeza está muito melhor do que nós brasileiros, discutíamos até que ponto o conhecimento era bom. Até que ponto o estudo tinha nos tornado pessoas melhores. Até que ponto, continuar nessa busca por explicações e informações realmente nos fazia bem ou era minimamente necessário. Outro dia escrevo sobre isso o texto de hoje tem outro objetivo.

Vamos lá, no dia 10 de agosto, a proposta de que houvesse a impressão do voto nas urnas eletrônicas foi arquivada. Uma derrota para o idiota atual mas uma grande vitória para a nação brasileira, que vai economizar muito dinheiro evitando a compra de impressoras que inevitavelmente (a seguir o modelo brasileiro de fazer negócios) seriam compradas com superfaturamento, seriam entregues modelos inferiores aos pagos e com toda certeza dariam muito mais problemas do que poderiam trazer de soluções.

Mas o caso nem é esse e é por isso que eu me envergonho de ser brasileiro e de ter esse país como nação e você e todos os demais como "irmãos de pátria".

Talvez você que está lendo esse texto não tenha a menor noção de programação. E isso nem é problema seu, é uma felicidade para você... Mas vamos lá, vou perguntar algumas coisinhas e você vai respondendo para si  mesmo, quem sabe assim você consegue compreende a ideia que quero passar, mas veja que não quero ter razão, quero tentar ajudar você a pensar com a razão.

Você usa aplicativos do tipo UBER, IFOOD, entre outros?

Esses apps são legais né, facilitaram nossa vida, ajudam no dia a dia e tudo mais. Por trás deles há um time imenso de programadores que estão sempre atentos às "necessidades dos clientes", e assim, há sempre continuamente um desenvolvimento de programação. Esses apps, escolhem o que indicar para você, considerando onde você está, o nível médio de seus gastos e entre outros tantos muitos fatores. E o que isso tem haver com a urna eletrônica?

Nada!

Mas tudo!

Programar uma urna eletrônica, é um desafio competitivo enorme. Ela precisa ser confiável, segura e tudo mais de bla bla bla - e olha que somos tão competentes que o mundo quase inteiro não utiliza, só nós, e somos melhores que todos eles.

Mas, veja bem, eu não vou programar isso apenas alertar sobre o que e como eu vejo acontecer.

Uma fraude numa urna eletrônico nunca será um ataque de hacker, nem mesmo uma invasão. Uma fraude numa urna nunca vai partir de um partido ou de um candidato. Uma fraude numa urna nunca teria como ser provada muito menos com o voto impresso. Mas, sim, ela é vulnerável e com toda certeza teremos isso acontecendo.

O problema é que tanto bolsonaristas e contra-bolsonaristas estão usando o argumento errado e pior, estão combatendo uma doença com um remédio final sem sequer saber as causas.

Voltando a programação:

- você sabe que é possível programar qualquer dispositivo eletrônico digital para executar uma tarefa diferente da qual você quer? Por exemplo, você pode programar uma urna para que ela registre um voto para fulano, depois que 3 votos sejam registrados para ciclano. E se quiser imprimir, ele pode ainda registrar no papel, um terceiro voto. 

Simples assim. Não estou dizendo que isso acontece, mas estou afirmando que é possível sim acontecer. E mesmo que os tribunais disponibilizem equipamentos para os mais diferenciados testes, nada disso pode ser comprovado sem que se tenha uma análise muito criteriosa no código fonte. Que é óbvio, ninguém terá acesso. 

Ou seja, voto eletrônico é uma fria, voto impresso é uma idiotice e o sistema democrático brasileiro é uma piada sem graça, e logo escreverei sobre isso. Não existe democracia efetiva num país onde há fome, onde as pessoas dão mais valor ao que aprendem nas redes sociais e que tem habitantes que estão às margens da informação séria.

Esperar o que de um país onde se cria um "Consórcio de Veículos de Comunicação"???

Fui!!!

domingo, 1 de agosto de 2021

Aquele do "Os causos contam..." - Edição 4 mãos!

Os textos criados por último no DLQ tem sido um exercício pois estou buscando escrever sobre qualquer coisa que não seja política, lula porco, bolsonaro viado ou qualquer coisa ligada a política. E tenho ficado satisfeito com meus textos.

Hoje, apresento aos leitores do DLQ, o primeiro texto, pequeno, escrito à quatro mãos. Sim, pela primeira vez nesse novo estilo, apresento um texto feito de forma colaborativa. Toda e qualquer semelhança com situações reais é apenas uma coincidência e nem foi o objetivo.

Segue:

QUEM PRESTA?

Mas afinal de contas, o que é prestar ou não prestar? Homens não prestam! Mulheres não prestam! Será mesmo? 

 

Vou começar por um grande amigo: ele presta! Ele trabalha, ele cozinha, ele abre a porta do carro. Ele lava, ele passa, ele sabe o que fazer para deixar uma mulher louca! Ele não presta? Talvez não, porque ele oferece demais, o que você acha? 


Eu acho que homens e mulheres prestam sim!

Só que temos que aprender a diferenciar. Homem é diferente de muleque, mulher é diferente de guria!

É muito fácil se envolver com alguém sem maturidade nenhuma e ao final, rotular como um todo, por exemplo, se envolver com um cara, que te machuque, e ao final você pegar toda essa dor, e em uma tentativa de amenizá-la você internalizar a ideia e ficar com a visão de que

"Homem não presta, não dá pra confiar"

Na verdade, independente de ser um cara ou uma guria, a falta de compromisso consigo mesmo e com o outro é o que mais dói. É o que mais machuca.

É como esse grande amigo meu sempre faz: se é para se entregar, ele vai com a certeza! A certeza do que quer! Me espelho nisso, se é para gostar, que goste. Se é para querer, que queira. Se não, cai fora e seja feliz!


Ps. Este texto foi escrito à 4 mãos. Por mim e por @text_ualizei


sexta-feira, 16 de julho de 2021

Aquele do "Os causos contam..."

* Observação: este é um texto de ficção, não representa ou apresenta qualquer conexão com a realidade ou história de alguém. Ficção!

Hoje, depois de anos escrevendo nesse blog foi perceber que eu poderia escolher a fonte, pois eu amo essa fonte que estou usando agora. Verdana. Mas independente da fonte, hoje o texto é sobre ela, Josléia... Sim gente, há pessoas que recebem nomes como Josléia. E tão estranho quanto o nome era ela mesmo. Josléia não era estranha quanto à sua beleza, até porque era uma mulher linda, de lindas curvas e um carinho imenso. Mas ela era estranha.

Desde criança, não demonstrava muita vontade de interagir com seus amigos. Não, ficava isolada num canto, destruindo os cabelos de suas bonecas que seu pai, viúvo e batalhador fazia questão de comprar toda sexta-feira. Não gostava de vê-la a destruir as bonecas, mas isso era a unica coisa que acalmava a menina cujo nome, a mãe havia escolhido em homenagem a uma tataravó.

Josléia cresceu em meio aos carrochos de seu pai, seu pai sempre amável, algumas visitas das avós até que estas morressem e uma tia, a Zilda, solteirona na casa dos 65, meio safada. Josléia adorava sentar no seu banquinho no jardim, largava suas bonecas e ficava ouvindo histórias de sua tia, que sempre estava com um copo de pinga (tinha que ser a 51) e sua carteira de cigarros que durava algumas poucas horas (tinha que ser o Free), sempre.

As histórias iam de lições de vida à verdadeiras fantasias da velha senhora. Ela nunca quis se casar, era filha de militar, havia herdado uma boa herança e uma boa pensão digna de países como o Brasil. Nunca trabalhou, nunca estudou mas soube administrar e muito bem seus bens.

Foi nesse ambiente que Josléia cresceu e desenvolveu seu carater. Formou-se em letras, depois em pedagogia mas foi no direito que se encontrou e decidiu trabalhar por todas aquelas mulheres que infelizmente sofrem violência doméstica. 

Um dia, ao sair de casa, duas coisas aconteceram, as quais mudariam de forma muito contundente sua vida. E contundente aqui, vai se tornar algo bastante literal. Ao sair de seu condomínio, com seu carro, logo na primeira esquina envolveu-se num acidente de pequena monta, no qual, acabou por derrubar um ciclista que desrespeitou o sinal de pare. Pronta e sempre muito justa, parou, desceu do carro, ligou para e a emergência e foi prestar atendimento ao ciclista. 

Ao melhor estilho novela da Rede Bobo, quando ambos se olharam, ambos tiverem a certeza de que o atropelamento, não havia acontecido por acasa. Socorro prestado, tudo ajustado, Josléia partiu para seu escritório. Chegando lá, recebeu uma ligação de sua amiga, Rose, que cometou que ocorreria um concurso para policiais civis e que a vaga de delegada da mulher, estava aberta. Josléia não pensou duas vezes se inscreveu e começou a buscar se capacitar para tal. Ao mesmo tempo, teve que tratar de assuntos relacionados ao atropelamento, mas algo mais surpreendente aconteceu.

Eles começaram a sair. A cada encontro, a chama do amor foi ficando ainda mais aquecida, Josléia que nunca havia gostado assim de alguém, agora estava sentindo a sensação da mão que sua, do coração que dispara. Em pouco tempo estavam namorando e a história evoluindo...

Porém, como já comentado, aquele dia do atropelamento mudaria a vida dela para todo o sempre. No dia do concurso, após voltar da prova, Josléia chegou em casa e encontrou seu amado, bêbado, ele já havia destruído tudo que ela conquistou em anos de trabalho. Não contente, ele avançou sobre ela. Infelizmente, a pancada com o pedaço de cabo de enxada causou um traumatismo craniano que, se fosse socorrido a tempo, até poderia ser revertido. 

Infelizmente, ele pegou um litro de pinga, trancou a casa e foi embora. Ela, que nunca amou e depositou todas suas esperanças nesse homem, morreu como uma indigente, abandonada e vítima de tudo que ela mais queria defender.

A vida é uma caixinha de surpresas, a vida é sim, até deixar de ser, aí então, viramos apenas um corpo que a terra vai comer.

Triste fim de Josléia...


sexta-feira, 9 de julho de 2021

Aquele do "Os causos contam..."

 Sim... Ele era rico. Pensa em um homem rico... Aquele carro velho que ele dirigia escondia de forma muito contundente a dinherama que ele possiuia. Não era na conta corrente, mas eram em bens. Só de imóveis, ele tinha mais de 70 na cidade. Ouro debaixo da cozinha, jóias, obras de arte e tudo mais que você possa imaginar. Ele era realmente um desconhecido, não queria fama, não queria nem ser visto e assim mesmo que chegou ao seu fim!

O ano era 2019. Um dia, seu filho, que nem imaginava quanta riqueza seu pai tinha e que impreterivelmente todos os dias às 11h35 ligava para o pai, nesse dia 8 de agosto, uma quinta-feira, ligou. Mas o telefone não foi atendido. Insistiu às 11h36. Mas o telefone insistiu em não ser atendido. Às 11h37? Nada. E assim foi.

Seu filho então, pegou um Uber (essa geração moderna insiste em não possuir carro) e foi até a casa de seu pai, pois tinha a chave e toda liberdade para entrar a hora que fosse a menos que, houvesse um lenço na porta, o que indicaria que seu pai estava realmente ocupado (para bom entendedor...)

Mas, se assustou ao ver que não havia lenço. Ambos carros, o velho caindo os pedaços e a BMW zero KM estavam na garagem. Entou, ainda com a calma que lhe era peculiar, chamou por seu pai mas não houve resposta. Começou então a buscar pela casa, que não era gigante mas exigia um certo tempo entre subir para o segundo pavimento e depois o terceiro pavimento.

Quando chegou no terceiro pavimento, bateu na porta do quarto do pai, que tinha uma vista maravilhosa, não houve resposta. Foi ai que o coração de Bruno começou a bater mais forte. Havia anos que ambos se falavam sempre, chovesse ou fizesse sol, às 11h35, mesmo que fosse para dizer um oi, tudo bem ou então, um como vai, velhote...

Nesse dia 8 de agosto de 2019, já não houve esse contato tão importante, mas o que Bruno encontrou ao entrar no quarto, foi o que arrancou-lhe o chão. Seu pai estava de bruços no chão, caído, um pouco de sangue já muito coagulado estava no chão próximo à cabeça de seu pai. Tentou em vão achar algum batimento cardíaco, usando técnicas que aprendeu assistindo aos seriados médicos. Tentou no pescoço -sem sucesso; tentou nas têmporas - sem sucesso.

Sem chão e com a calma que não se sabe de onde veio, ele ligou para o serviço de urgências médicas, também conhecido como SAMU - Serviço de Atendimento Móvel de Urgência - que demorou apenas uns 8 minutos para chegar, mas que ao chegar só atestou o que Bruno não queria ter que ouvir, alí, sozinho: seu pai está morto! E já faz algum tempo, pois o corpo encontra-se em estágio inicial de decomposição.

- Impossível, gritou ele! Nos falamos ontem, às 11h35...

Fato é que não havia nada que pudesse ser feito. A vida existe até que a morte chegue. E chegou para Roberto. Todo o dinheiro do mundo, todo o ouro guardado, obras de arte, jóias, imóveis não foram suficiente para dar a ele o que ninguém pode ter: vida eterna.

Sua riqueza hoje é alvo de briga entre Bruno, sua mãe e uns dois ou três filhos que Roberto passou a ter após sua morte mas que nunca foram seus filhos, nem de criação muito menos de descendência. 

Sim, ele vivia uma vida solitária, sua mulher resolveu deixar ele depois que percebeu que Roberto gostava de sair pouco, que tinha hábitos mais caseiros. Seu filho, Bruno, até ia a sua casa, passava algumas horas, um recorde era quando passava mais de um dia. A solidão estava para sua vida assim como o dinheiro estava para suas contas: sobrava!

Bruno percebeu que a única coisa que seu pai nunca tivera foi um amor de verdade. Aquele incondicional que todos perseguem, poucos tem e menos ainda são aqueles que podem oferecer. Não estou falando de amor como nos filmes ou novelas, não estou falando de amor selvagem ou coisas assim, mas aquele amor incondicional mesmo, aquele de "na saúde ou na doença, na alegria ou na tristeza"... 

Enfim, Roberto, que durante seus 51 anos acumulou o que 100 homens comuns acumulariam numa vida inteira, se foi, sem sequer usufruir de uma mízera parte de toda essa riqueza.

Vá Roberto, descanse em paz. Tenha em seu coração a certeza que numa próxima, valorize o amor e menos o dinheiro... Valorize a vida e menos o sucesso econômico. Valorize pequenas coisas, pois no final da vida, grandes ou pequenas, daqui, não levaremos nada!

Vá Roberto, em tua memória ficará a lição!

Vá Roberto!!!

segunda-feira, 28 de junho de 2021

Aquele do "Os causos contam..."

* Observação: este é um texto de ficção, não representa ou apresenta qualquer conexão com a realidade ou história de alguém. Ficção!


Infelizmente sua infância não foi um mar de rosas como poderia ser ou é a de pessoas mais afortunadas. Não, ele teve até que certo conforto mas desde sempre precisou ralar muito para não conseguir chegar a lugar algum. Filho de pai alcoólatra, descobriu-se também admirador de uma cachaça e assim fazia de vez em quando, era tanto, que caía pela ruas. 

Sim, a bebida acabou sendo sua companheira, sua parceira e a mãe de muitos dos problemas que ele enfrentou. Seus dentes apodreceram, sua aparência mostrava pelo menos uns 30 anos a mais do que realmente tinha. Nunca teve esposa e filhos, pois filho de uma família desorganizada, talvez menos que isso não pudesse mais ser. Nunca teve muitas ideias e nunca teve aquelo que chamam de ambição. Eram constantes os momentos onde seus amigos faziam dele um burro completo, roubavam-lhe dinheiro, vestimentas, objetos, quiçá sua dignidade. 

Por vezes, passava fome, dormia onde dava e por outras tantas vezes, nem fome sentia mais de tão comum que havia se tornado ficar sem comer. Mas, nesses dias, um trocado no sinaleiro, alimentava uma noite fria de Curitiba com a mais barata e letal cachaça que encontrasse. Uma época era engraçado, pois a 'marvada' se chamava Leãozinho... Tinha cor de cachaça mas de longe cheirava aquele etanol para carro...

Um dia, ou melhor, uma noite, estava no cruzamento da Marechal Floriano com a Avenida Sete de Setembro onde conseguiu com a benevolência de muitos que ali pararam no semáforo, juntar algo próximo a 15 reais em moedinhas e uma senhora lhe deu uma carteira de cigarros pela metade, até aqui ele nunca tinha fumado e 5 reais. Essa senhora foi realmente uma das pessoas mais importantes na vida dele, não pelo valor ou cigarros, mas foi uma das únicas que o fez sem perguntar para que era e ainda disse para que Deus o acompanhasse.

Nessa noite, juntando todos os trocados, ele conseguiu uma marmita por 10 reais, sem carne, é claro que muito arroz e farofa, mas para quem tem fome, chupar prego pode ser um alimento. Os outros 5, quase 6 reais ele negociou dois "bujãozinhos" de 250ml de Leãozinho... Achou uma cobertura, das poucas que sobraram para os moradores de rua, se abancou, e antes de comer todo aquele arroz, resolveu fumar um cigarrinho. Assim fez com 1, 2, 3, logo achou outro vício, só que mais caro. Resolveu guardar os demais para a hora que fosse beber, ou melhor, se aconchegar nos ombros da cachaça.

Jantou, juntou suas "louças" e levou até a lixeira pública mais próxima.

Organizou seus trapos, estava frio, menos de 5ºC, começou a beber e logo após, um cigarrinho atrás do outro. Ele aprendeu a gostar rápido do tal do cigarro. Talvez, estivesse levando a sério demais a questão de que o câncer mata afinal, que motivos ainda encontrava para viver? Mas, a cada amanhecer ele se lembrava da beleza do sol, e assim, tentava mais um dia achar motivos para viver mais intensamente.

Mas essa noite, não seria tão boa para ele. Um grupo de 3 rapazes, todos eles filhos de pessoas influentes da cidade, resolveu ir até uma boca, comprar um pó branco. Cheiraram cocaína até seus narizes ficarem brancos. Cheirados, esvaziaram um extintor de incêndio nas putas que fazem ponto em algumas ruas do centro. Não contentes, compraram garrafas de água e latas de refrigerante com as quais feriram pelo menos umas 4 ou 5 travestis ali do centro também. 

E quando pararam nesse sinaleiro, onde nosso personagem dormia, não perderam tempo. Lembraram daquela garrafa de álcool que havia no porta malas. Desceram os 3, jogaram álcool no ainda quase digno homem e atearam fogo. Estava frio, ele tinha pelo menos umas 3 vestes, o fogo o consumiu de forma a matá-lo quase que instantâneamente.

Ironicamente, nosso personagem era descendente de alguma raça que não sei qual é, mas ele tinha seus cabelos ruivos e era chamado de foguinho. Foguinho, morreu queimado. Foguinho, que nunca fez mal a ninguém, recebeu uma raiva gratuita que nem o pior dos piores merecia. Carregado de sua dignidade de mesmo tendo saído das piores situações, nunca ter feito nada contra ninguém.

Foguinho apenas via um mundo que poucos vem. 

Foguinho, incendiou-se, ou melhor, foguinho, foi queimado.

E enfim, foguinho se apagou para a tristeza de ninguém, para a saudade de ninguém e para não deixar marca alguma no mundo a não ser, a fuligem do seu corpo queimado.

Os autores? Estão livres, hoje devem ser engenheiros, advogados e talvez até médicos. Pois eles, tiveram tudo e não souberam usar, mas ainda assim, seus pais devem tê-los protegido.

#fui


terça-feira, 4 de maio de 2021

Aquele do "Os Causos contam..."

 Durante minha vida, as histórias que mais me comoviam eram justamente as que envolviam pais de família. Quando algo acontece com eles, sofrem as esposas, os filhos, alguns amigos, e por ai vai. Certo dia Alex, um pai de família, um pai de duas princesinhas lindas - puxaram a mãe graçasdeus - como diria Alex se uma cerveja pudesse estar tomando com seus amigos, levantou cedo, trocou seu pijama pela roupa que usa para trabalhar, verificou se as sacolas que evitavam que seu pé enxarcasse durante o dia se chovesse estava nos bolsos da blusa mais ou menos adaptada para andar de moto, verificou o de sempre, óleo, freios, luzes, placa e, depois de acenar para sua mulher que encontrava-se na janela da cozinha, montou sua CG e saiu para trabalhar.

Quando ela ouvia o barulho do portão rústico feito de folhas e alguns metalons seu coração ficava apertado, pois ele era motoboy e a grande maioria sabe que é uma loteria com chances reais de ganhar, ou nesse caso, perder a vida. Jessica então, foi acordar suas meninas, que deveriam ter tarefas de casa. Acordou Yasmin e Larissa, serviu a ela aqueles dois pães que sobraram de ontem - Jessica tinha um truque, ela queimava os dois no fogão usando um garfo e as meninas adoravam, comiam sem qualquer tipo de recheio.

Enquanto as meninas comiam, Jessica sentiu algo diferente em sua barriga, mas não ligou.

Já era hora de as meninas irem para a escola, Jessica então com dores na barriga ainda mais fortes, foi até a frente da casa, esperou com as meninas a van escolar e depois que elas foram para a aula, entrou e resolveu costurar, ela estava fazendo uma nova jaqueta para seu Alex, pois a dele já estava meio velha desgastada. Mede daqui, mede dali, a dor aumenta, ela vai ao banheiro.

Quando se senta no vaso, mais do que a dor, ouviu um barulho estranho, como se algo grande tivesse caído na água, e realmente havia caído. E o que ela viu infelizmente não era nada bom. Era uma bolota de sangue, do tamanha de uma bola de tenis mais ou menos... Com dores cada vez maiores, se sentindo fraca, se arrastou até o telefone, ligou para 193, pediu socorro. Infelizmente o 193 pediu para ela ligar para o 192... O 192 prontamente respondeu pedido que aguardasse que uma ambulância chegaria logo. 10 minutos se passaram, 15, 20, 30 minutos. 

Jessica já não estava mais consciente a hora que a ambulância finalmente chegou. Seu pulso era fraco, ela estava pálida como uma parede branca, não tinha forças para sequer responder as perguntas básicas que os socorristas costumam fazer. Colocaram ela na prancha, amarraram, e estavam levando ela para a ambulância quando ela inexplicavelmente segurou a mão de uma das socorristas, balcuciou algo que a socorrista precisou se abaixar para ouvir, então chamou por Clara... Quem é Clara, quem é Clara, dizia a socorrista. 

Clara logo se apresentou, a socorrista então passou o recado: cuida do Alex e das meninas e quando terminar a jaqueta, diga que fui eu que pedi.

Entraram na ambulância, partindo para o hospital mais próximo conhecido também por abatedouro pois quem lá entra dificilmente sai e assim, contrariando tudo e todos, ela saiu.

Saiu, e ao sair, encontrou sim, sem marido e filhas na porta do hospital, ele carregando algumas flores -seu dinheiro era curto - as meninas seguravam cartinhas feitas ao papai do céu. Entraram então no carro de um visinho e foram para casa.

Chegando em casa, Jessica contou para Alex que, aquele sangue que caiu no vaso era na verdade, um bebê que nenhum, nem outro sabiam que estava a caminho.

Eles se abraçaram, choraram por horas. Alex por não ter perdido sua amada, Jessica por estar viva e ter perdido alguém que ela iria amar, mas que o tempo não a permitiu.

segunda-feira, 3 de maio de 2021

Aquele do "Os Causos contam..."

Ricardo... Ah, grande Ricardo. Não éramos bem amigos, mas o mais próximo do que se assemelhava ser. Por minha culpa. Nasci de família humilde (pobre), sempre assisti meus pais economizando e contando se o dinheiro daria para tudo. Ricardo não, ele gastava meu salário na época com Petshop para seus "filhos" de quatro patas. Andava em seu carrão de 3 letras, como ele chamava, importado pois o fabricado em Santa Catarina, segundo Ricardo, não prestava. Vinhos dos mais caros, cervejas feitas apenas para ele por um produtor aqui em Pinhais, mansão em um condomínio de luxo que quando - as poucas vezes que lá fui - me deixavam com vergonha de usar um sapato com o solado tão duro quanto o meu.

Sua cozinha, tinha a área umas 3 vezes maior que minha casa. Eram 4 cachorros, 2 São Bernardos, 1 Pastor Alemão e um Dog Alemão - ambos lindos, fedidos e caros de manter. Os 2 São Bernardos tinham até um cuidador para dar banho nos dias mais quentes apenas para eles se refrescarem. Quase me candidatei a vaga, ele ganhava mais que eu - com faculdade - mas desisti pois odeio cachorros.

Sim, Ricardo tinha tudo. Tudo que um homem poderia querer. Eram jantares, eventos, mulheres cada uma mais linda que a outra, 2 carros na garagem, um de 3 letrinhas e outro, elétrico para dizer que tinha, acho que nunca usou.

Duas funcionárias, indicação de sua mãe: uma apenas para cozinhar, sempre, o que ele quisesse. Ela fazia compras, cozinhava doces, salgados e ajudava quando recebia amigos, uma coisa não posso negar, Ricardo fazia um churrasco que era pior apenas que o meu, mas a outra funcionária cuidava da casa, suas roupas ou seja, ele era realmente feliz. Sim, desde que conheço Ricardo, nunca, em segundo algum, o vi chorando... Sequer lembro de tê-lo visto sem um sorriso estampado, unhas bem feitas, cabelo sempre cortado, ternos e roupas das grifes mais famosas.

Um dia, Soraia, a sua empregada que cuidava da casa me ligou. Não porque éramos amigos, como já comentei, mas para minha surpresa, em seu celular de ultima geração, meu contato aparecia com um @meu nome, e assim, ficava em primeiro lugar na sua agenda. Ela chorava, mas estava tentando se conter. 

Ela me disse: ele está deitado aqui, no chão do banheiro... Não se mexe... A boca está toda cheia de espuma, seus pés e mãos estão roxos. O senhor poderia vir para cá? 

Aquilo me pegou de surpresa, pelas características, eu já poderia imaginar. Liguei então para o doutor Carlos, amigo em comum, pedi que ele fosse com a máxima urgência para a casa de Ricardo. Liguei na portaria, eu conhecia os "sangue-bom", pedi para não deixarem ninguém entrar ou sair na casa do Ricardo a não ser o dr. Carlos e eu. Eu morava longe, estava mais ou menos no caminho quando Carlos me ligou e disse que eu deveria acionar a polícia pois a situação era complicada. Novamente, eu que nem era tão amigo assim, liguei para um amigo que tinha um amigo e assim conseguimos um terceiro amigo que era amigo de um investigador "sangue-bom" que rumou para lá com um amigo delegado pois a situação era mesmo complicada.

Chegando lá, estavam o investigador, o delegado, dr. Carlos e os legistas do IML. Ricardo tinha exagerado na dose de algo que sequer suspeitávamos. TInha exagerado uma única vez... E foi o suficiente. Ricardo exagerou naquilo que nunca poderia ter sequer experimentado qualquer época da sua vida. 

Ricardo, antes do ocorrido e para meu desespero, deixou uma mensagem programada para mim em seu email, o qual recebi logo depois de chegar em sua casa e vê-lo morto, esticado no banheiro.

Na mensagem, dizia assim:

"Amigo,

Se receber essa mensagem, tudo deu errado. Hoje encontrei com o único amor que tive, que tenho, que carrego comigo, mas ela estava com seu verdadeiro amor e confesso, não pude aguentar. Eu sempre tudo que quis, sempre tudo que não quis, sempre pude comprar qualquer coisa, mas não comprei e nunca pude ter o conforto que meu coração queria. Desejo que Nicole seja feliz como ela puder/quiser ser, para mim chega. Amei demais, mas aquelas mãos dadas foram forte demais para mim.

Amigo, um abraço, que nunca lembro de ter te dado.

Amigo, cuida de tudo, a senha do meu cofre é xxxx e você terá dinheiro para pagar tudo e o que sobrar é seu...

Ah, ligue para o Diego e peça para ele cuidar de tudo junto com você, ele tem as instruções do que fazer.

Amigo, seja feliz, pois eu nunca fui mesmo com tudo que tive."

Terminei de ler a mensagem, esperei que tudo fosse feito como manda a lei... Sentei, chorei por algumas horas, e então, liguei para Diego. Diego atendeu, perguntou quem era, disse meu nome e ele me respondeu: venha a esse endereço, já sei o que aconteceu. Tenho alguns papeis para você assinar...

Fechei a casa, que foi lacrada pela perícia logo depois, entrei no carro, mas não fui ao endereço. Não, fui para minha casa, liguei para todos que amo, disse que os amo, pedi que nunca me abandonem. Fui ao bar, tomei a melhor cerveja em homenagem ao amigo que nunca souber ter com tamanha intensidade. 

Vá Ricardo, que a morte aquiete o sofrimento de seu coração! 

Vá Ricardo, você foi, Nicole ficou, e a vida segue!!!

sábado, 1 de maio de 2021

Aquele do "Os Causos contam..."

 Não existem limites para os sonhos, não é mesmo! Patrícia nasceu e cresceu sonhadora. Olhava as fotos nas revistas de adolescentes e queria ser como aquelas meninas, sempre muito lindas, magras, olhos sempre claros, essas coisas. Mas, ela talvez não tenha tido a mesma sorte ou a vida proporcionou a ela sonhos diferentes. Mas, uma coisa ela tinha: uma beleza tão rara no coração, que qualquer fachada externa esconderia como ela era maravilhosa. Quem vê cara, não vê coração.

Desde pequena sua vida foi sofrida. Perdeu a mãe em um acidente de moto aos 4 anos. O pai, alcóolatra, fez de tudo com ela, mas por sorte, nunca abusou dela. Ele bebia, ficava violento, mas nunca sequer encostou um dedo nela, tinha ou medo ou respeito. Sim, Patrícia era uma mulher forte e sempre, desde criança aprendeu a lidar com o vício do pai, que teve que enterrar aos 12 anos. Foi quando foi morar com uma tia, a Zuleica.

E, foi com sua tia Zuleica que Patrícia teve a certeza que capa de revista, nunca seria. Quer dizer, acabou sendo capa, mas não de uma revista de adolescentes, mas sim de um jornal popular da cidade onde morava. Já nos primeiros dias as tarefas se acumularam. Patrícia tinha que lavar, passar, limpar, e sequer pode seguir seus estudos. A menina que queria ser enfermeira e ajudar outras pessoas, logo se tornou uma espécie de escrava. Sua tia dizia, se quiser comer, tem que pagar pela comida. Quer brincar, arrume outro lugar para ficar. Patrícia estava perdida, desamparada, abandonada!

Mas infelizmente, Zuleica tinha o mesmo problema do seu irmão falecido: bebia. E bebia demais. Inclusive, era famosa no bairro por conta das bebedeiras e pelo que mais aprontava. Ela sempre foi uma espécie de alegria da rapaziada, pois como não trabalhava, trocava favores sexuais pelo que precisava - comida e não foram poucas vezes, dinheiro.

Logo Patrícia descobriria esse lado de sua tia. Foi numa quinta-feira, era mais ou menos umas 3 da tarde de um dia muito quente, Patrícia estava no tanque, lavando uma montanha de roupas quando Zuleica chegou, acompanhada de dois rapazes - apontou Patrícia para os dois e disse que queria uma parte agora e a outra a hora que eles fossem embora. Patrícia tinha acabado de completar 14 anos. 

Ela conheceu uma parte da vida que ninguém merece conhecer. A dor, o despreso, a vergonha - logo estava falada nas ruas. Foram várias as vezes que sua tia proporcionou a ela tamanha dor, tamanha humilhação. E nunca dessa, Patrícia engravidou. 

Andava pouco pelas ruas e quando fazia, era apontada por todos, do mais hipócrita aos responsáveis, que, como de costume, estavam sempre soltos, prontos para fazer o mal a mais alguém. Numa dessas saídas, conheceu Arnaldo, um pastor de uma igreja evangélica local, aquelas que gritam bastante como se deus fosse surdo. Sim, o deus de Patrícia se mostrava mais surdo do que ela queria que fosse. Conversaram um pouco, o pastor se mostrou preocupado e também muito disposto a ajudar. Nesta noite, o pastor e alguns fiéis foram até a acasa de Patrícia. O pastor explicou para Zuleica que levaria a menina, pois ele queria que ela tivesse aquele filho, fruto de um estupro, e que ele cuidaria dela como uma filha. Zuleica, que nunca quis saber da sobrinha, apenas disse: vai tarde!

Na casa do pastor, os primeiros dias pareciam dias de novelas. Mas logo começaram os problemas. Um dia, a esposa do pastor saiu para ir na cidade mais próxima, e assim, Patrícia descobriu porque o pastor queria tanto "ajudar" ela. Os ferimentos levaram dias para cicatrizar.

Patrícia, que já havia desistido de sonhar, chorava.

Um dia, acordou com fortes dores. A esposa do pastor, essa sim uma mulher boa para Patrícia, colocou ela no carro mas não sem antes proteger o banco com um plástico, e levou ela até o hospital local. Mas chegando lá, o ciclo da vida se fez presente.

Patrícia deu a luz a uma linda menina, fruto de um estupro, quiçá coletivo. Mais ou menos 1 hora depois, o sangramento aumentou, Patrícia foi ficando cada instante mais fraca, até que o monitor cardíaco passou a emitir um som contínuo. Os médicos fizeram o que puderam, mas ela se foi. Junto com os sonhos que já tinha ido, quem sabe Patrícia se encontra com eles em outro lugar melhor.

Sua filha? Vai saber, no interior, naquela época, mãe que morria e filho não tinha pai, tadinho do bebê...

Assim, a história de uma menina sonhadora acabou. Acabou num pesadelo...


sexta-feira, 30 de abril de 2021

Aquele do "Os causos contam..."

 Não é fácil agradar todo mundo. Naquela sexta-feira, Antonio acordou cedo como sempre fazia. Fez um café, levou para sua amada mas nesta sexta-feira, ela sequer disse obrigado. Virou para o lado e continuou dormindo. Ele, deixou o café, tentou dar um beijo de tchau, mas nem isso teve êxito. Logo pensou que talvez ela não estivesse bem, resolveu deixar ela quieta no canto dela. Em 18 anos de casamento era a primeira vez que isso acontecia. Em aproximadamente 6.570 dias, este era o primeiro em que isso ocorria! Estranho, mas Antonio sempre foi de respeitar mais do que exigir...

Saiu cedo também, seu ônibus era de hora em hora e se ele perdesse aquele das 5h30 da manhã, que o motora não era gente boa e não esperava sequer 1 segundo de acordo com o relógio dele, chegaria atrasado no serviço. De boa índole, entrou no ônibus, cumprimentou o motorista que respondeu com um balançar afirmativo de cabeça, disse bom dia também a alguns poucos passageiros rotineiros que responderam, mas ao cobrador, foi além, esboçou um sorriso e após o bom dia, arriscou um como vai! Ufa, agora recebeu um Bem e você?

A viagem transcorria normalmente, todos os passageiros já tinha dado um jeitinho de esconder telefones, dinheiro e o que mais quisessem que não fosse roubado... Alguns assim como Antonio já deixavam 50 reais no bolso, assim o "assalto" seria mais rápido com menos risco de levar um tiro a esmo...

Ufa, pensou ele ao descer do ônibus, hoje não fomos assaltados. Na ultima semana tinha sido um assaldo na terça-feira e outro na sexta-feira, sempre no mesmo ponto e pelos mesmos homens que não tiveram chances na vida. Talvez, num próximo até Antonio, bobo como é, arrisque um "bom dia, como vão?"

Seu ônibus o deixava em frente a empresa onde ele era almoxarife. Uma empresa familiar, pagava pouco mas garantia o emprego por mais de 30 anos. Quase todos esses nessa mesma rotina. Chegava, cumprimentava o guarda, marcava seu ponto, dizia um oi respeitoso à Laura, mulher que fazia a vaga de copeira - ela sempre ofertava um cafezinho fresco - que ele insistentemente negava, achava injusto tomar um café pago pela empresa que já lhe pagava salário e benefícios os quais, onde mais ele teria?

Até chegar no fundo da fábrica de suportes de reatores de iluminação pública, lugar um pouco insalubre por conta das máquinas de soldas e tanques de galvanização, seu ambiente de trabalho era super organizado e limpo, pois ele mesmo o mantia assim. Antonio achava que passar 8h48 trabalhando no local lhe dava o direito e trazia a obrigação de manter limpo e organizado.

Antonio então, até chegar em "sua sala" passou por muitos funcionários e para cada um deles dizia bom dia, muitos ignoravam outros poucos respondiam. Em seu almoxarifado, ele abria sua mochila, dela tirava um sanduíche com pão caseiro, uma fatia de mortadela e uma fina camada de manteiga, pois para ele, margarina era lubrificante de máquina... Deixava em cima da mesa, coberto pelo pano de prato com um desenho do galo, que Antonio chamava de Zé Carijó, e com quem, ao passar das horas do dia, até conversava um pouco.

Retirava também de sua mochila uma garrafa térmica cheia com o melhor café que ele sabia fazer e que não tinha pego na firma, enchia uma xícara e saia, ia lá pra fora, num cantinho que talvez nem os donos da empresa soubessem que existia e lá, com chuva ou sol, tomava seu café fumando um bom cigarrinho que comprava sempre "original". Eu fumo pouco, dizia ela, então não vou comprar pirata...

Mas nesse dia algo inesperado aconteceu. Bizarro!

Antonio mal tinha dado a segunda tragada e o primeiro gole no café quando foi surpreendido justamente pelos donos da empresa, pai e filho que estavam desbravando o terreno e onde justamente Antonio fumava escondido. No primeiro, Antonio pensou, droga, me ferrei. Sim e se ferrou mesmo, 30 anos de casa, trabalhando 1/3 do seu dia, Antonio levou a primeira e única advertência de sua vida. Advertência dada por escrito, como disse o chefe do RH, precisamos fazer isso para que sirva de exemplo. 

Sim, para que sirva de exemplo. 30 anos fazendo o certo, 3 minutos fazendo algo que nem é errado, mas que assim, serviria de exemplo. Triste, terminou seu turno. Ao chegar em casa, sua esposa estava de malas prontas. Mas, que dia foi esse, perguntou ele em voz alta?

Ela não se deu ao trabalho de conversar, apenas iniciou um monólogo no qual disse estar infeliz. Sabe, ela acusou Antonio de não ter ambição, de não querer mudar, e bla, bla, bla... Só ele sabe o  inferno que foi. Então, Ediclélia, pegou sua mala, fez questão de dizer que iria para sua mãe mas que Antonio nem deveria perder tempo em pensar em ir atrás. Ele, bobo e respeitador, mais uma vez fez isso.

Antonio então, passou a noite toda acordado. Tomava um café, fumava um cigarrinho, as horas foram passando. Na manhã seguinte, perdeu seu ônibus das 5h30, talvez já não entendesse que o motivo para ser feliz deveria vim dele mesmo e não dos outros.

Chegou na firma, fez como de costume mas hoje, aceitou o cafezinho da copeira. E ao invés de ir para seu local de 30 anos de trabalho, ele rumou ao RH. Chegando lá, com lágrimas nos olhos, pediu para que pudesse ser feito um acordo. Disseram que não dava, pois a empresa estava sem dinheiro para isso.

Ele então pediu férias, pois há mais de 3 anos não tirava. Mais uma vez disseram não.

Em 24 horas sua vida havia virado de cabeça para baixo. Ele que sempre quis agradar a todos, hoje comia um prato de comida frio no almoço, pois sem vontade, não encontrava seu norte. O dia se arrastou e nesse sábado, ele nem varreu seu almoxarifado.

As 14h30, hora que ele encerrava seu expediente de sábado, pegou suas coisas e foi ao ponto de ônibus que deveria chegar às 15h15. O ônibus chegou mas, Antonio, que sempre foi bom e quis ajudar e agradar a todos, foi atingido em cheio por um caminhão desgovernado, que havia perdido os freios. Morreu instantaneamente, sem qualquer chance de dizer adeus a qualquer alma que fosse.

Antonio nunca soube, mas naquela sexta-feira, realmente não agradou quase ninguém! Todos estavam mais preocupados com seu umbigo.

Seu ex-esposa, nem ao enterro foi, mas ainda assim, recebeu direitinho todos os dinheiros do acerto da firma e dos mais de 3 seguros que Antonio, mesmo sem ser rico, havia feito em nome dela.

Antonio que sempre quis agradar, acabou por agradar alguém que conseguiu simplesmente lhe destruir com uma ação!

Quantos Antonios existem por aí?

Talvez muitos menos do que os que não estão nem aí para os outro. A vida é assim!!!

quinta-feira, 29 de abril de 2021

Aquele do "Os causos contam..."

 Você que está lendo este texto agora, que é escrito sem objetivos maiores mas que busca demonstrar os causos que acontecem a cada segundo e nem sequer nos damos contas já amou? Já sentiu estar amando mesmo sem saber se isso é realmente amor ou apenas aquela sensação de bem estar, que faz as mãos ficarem suadas, o coração palpitar que tudo isso gera aquela outra sensação de querer mais e mais de todas as sensações?

Você já teve aquela sensação de que gostaria de estar em qualquer lugar desde que fosse com aquela pessoa especial que te causa sentimentos e emoções tão especialmente particulares?

Hum, então você é exatamente como Paulo. Sim, Paulo redescobriu a vida depois de uma longa tragetória. Ele passou muitos anos num relacionamente em que acreditava ter tudo o que já foi falado e mais, fazia muito para isso. Paulo abriu mão de muitos amigos, Paulo reaprendeu a dirigir, Paulo isso, Paulo aquilo. Paulo inclusive achava que sua amada era tão especial que não poderiam existir outras. 

Um dia, Paulo descobriu através da dor que, não existe qualquer pessoa no mundo insubstituível. Paulo até sofreu, chorou, caiu. Mas a hora que se levantou entendeu completamento o sentido da palavra substituível E é isso mesmo que ele se permitiu fazer.

E agora, Paulo faz exatamente o que sempre fez: se dedica, se doa, faz tudo que pode e as vezes o que nem pode pois Paulo, redescobrir como é bom ser amado e amar. Mas agora, Paulo fez algo diferente, aprendeu com suas dores e seu sofrimento que antes de amar, precisa se amar. Só quando se tem amor próprio é que se pode doar, que se pode decidir amar outro alguém.

Paulo redescobrir o gostinho das mãos tremendo, dos lábios que quando se encostam fazem as pernas tremulares, das mãos que se tocam, entrelaçam os dedos e parecem que mesmo com o suor, nunca mais querem se largar. Paulo decidiu se permitir sofrer novamente pois quem ama, cedo ou tarde, vai sofrer.

Sim, Paulo se permitiu fazer o que sempre é feito por milhares de apaixonados por aí, se permitiu AMAR novamente.

Paulo corta seu cabelo, faz sua barba, executa seu trabalho com a maior atenção... Se Paulo vai cair novamente? Só o tempo dirá, mas por hora, ele está se permitindo fazer uma das 7 maravilhas da vida, que é Amar.

Paulo, Paulo, se eu pudesse te dar um conselho, eu diria para você usar protetor solar, mas como protetor solar é uma das invenções para nos condicionar, eu vou dar outro conselho ao Paulo: mergulha fundo nesse amor, man, busque sempre sua felicidade, mesmo que ela esteja escondidinha num aperto de mão, num beijo rapidinho ou, numa ligação!

Paulo, ogulho de você, meu garoto!!! hehehe


quarta-feira, 28 de abril de 2021

Aquele do "Os causos contam..."

 Não é sempre que acontece, mas infelizmente para Oscar as coisas estavam começando a entrar naquela reta que, por mais que seja reta, é uma diagonal que segue para o eixo 0 no gráfico. Sim, analisando a vida, podemos descrevê-la como algumas retas: nascemos no 0, partimos de forma ascendente para algum número aleatório, uns vão para o 100, outros para o 1000 e outros apenas um valor para "y"... e nesta a gente vive a maior parte do tempo até que mamãe natureza, se mostra presente e faz com que nossa reta estável até então, passe para uma descendente. Ou seja, nascemos, crescemos e vivemos e entramos na descida rumo a morte!

Não existem fórmulas para isso. A matemática jamais explicaria. O que interfere nessas retas são os ambientes em que vivemos e coexistimos, nossos hábitos, padrões comportamentais e demais fatores psico-sócio-culturais. Profundo né!

Fato é que, sempre haverá o dia em que vamos nos despedir da vida. Ao meu ver, fecharemos nossos olhos e num instante ainda com alguma reação cerebral teremos alguns espasmos e logo depois, para que morreu, acabou. A família pode orar, chorar, pedir, gritar - não ha volta. Não há como reverter isso e é até bom, viver também cansa!

Fato é que Oscar ontem, tinha que ter feito algo que não poderá mais fazer. Ele tinha que ter escrito seu texto, colocado no ar e olhado para si mesmo no espelho e ter dito, nossa, mais um que eu ainda tive capacidade de produzir. Ou seja, teria ele cumprido sua missão na terra, a de fazer o que sabe fazer melhor. Ele até tem outras qualidades, mas essa ele faz com maestria, mesmo que seja para ele a alguns poucos que dedicam tempo para ler.

Mas afinal, o que teria acontecido com o Oscar? Esquecimento? Preguiça? Falha na memória? Os deuses estão loucos? De todas as perguntas a ultima é a única que ele pode responder um não muito sonoro e com letras maiúsculas. NÃO! E para ele é simples, mesmo nadando contra a corrente, ele não consegue acreditar em deus, em deuses, na tríade ou em qualquer outro ser para ele inanimado e punitivo o qual ao invés de ajudar, mandaria pragas para punir os réles mortais pecadores.

Porém, para as outra perguntas, um sim tímido. A idade mostra que cobra um bom preço e esse preço está íntimamente interligado a qualidade de vida. Ouvimos pior, exergamos pior, começam as dores pelo corpo, o plano de saúde fica cada vez mais caro, a cestinha de remédios passa a ser ma caixa e essa caixa vai aumentando e um dia, virará um caixão!

Sim, ele por conta dos compromissos, objetivos e claro, da falha da memória não fez o que deveria ter feito e nunca mais poderá fazê-lo... Pois, um instante se não vivido e com intensidade, nucna mais voltará a ser um instante. Nunca!

A vida é medida em segundos, minutos, dias, meses, anos... Mas ao final, você terá a sensação de que ela foi muito curta e realmente foi. Talvez aí nasça o desespero que a morte causa. Ninguém quer morrer mas todos morreremos, cedo ou tarde. Uns, aceleram no "corredor" e, ops, um motorista desatente tira a vida do motoboy. Outros, saem para um estrada, aceleram até o limite e ai, meu irmão, até uma mosca vira pedra e arregaça uma cabeça. Muitos reagem ao assalto, outros decidem disputar com policiais, tem os doentes, os obesos os loucos e toda sorte de gente que parece mais procurar a morte.

Oscar, por sua vez, não pensa nisso. Não pensava!

Quando a idade chegou, tratou de começar a instruir os filhos a respeito disso que, ninguém quer, mas acontecerá. Passou a se cuidar mais, se antes eram 180mk/h hoje, ah, hoje é 110km/h no máximo ou 120 numa ultrapassagem seguro e cautelosa.

Ontem, ele esqueceu e se pune muito por isso. Hoje, pensa no que deveria ter feito ontem e assim segue. Promete nunca mais esquecer e se ele esquecer a promessa que fez?

Lembre-se, todos vão chegar no ponto de virada, todos vão chegar no ponto em que a linha começa a apontar para baixo, uns mais cedo, outros mais tarde. Oscar inclusive esses dias, observava seu pai, sempre um modelo a ser seguido e em um momento de forte emoção percebeu - e chorou muito - que uma hora outra, o pai se vai, a mãe se vai, e nesse dia, bastará apenas se despedir e torcer que tudo fique bem!


sexta-feira, 23 de abril de 2021

Aquele do "Os causos contam..."

 Ele não era um cara ruim, apenas não tinha jeito com as mulheres. Desde pequeno ele carregava consigo alguns complexos e os anos foram implacáveis para ele. Parece que a cada aniversário, tudo ficava um pouco pior. Aos poucos a natureza fez a parte dela, seus avós partiram, logo seus pais partiram, seus filhos frutos de relações superficiais já estavam cuidando de suas vidas, os poucos amigos, ah esses poucos amigos já há anos sequer ligavam e ele, muito menos. 

A maior dificuldade de José Afonso era justamente querer ser parte de algo que ele nunca soube o que era fazer parte. Na família ele era o que contava as piadas mais se graça. Nos jantares de família, chegava a ir comer em outro ambiente pois não sabia sequer o que falar ou como agir na frente dos seus. Na escola, andava pelo pátio, olhando ao chão como se procurasse um buraco onde se enterrar e viver sozinho. No trabalho, dizia bom dia, fazia a sua parte e ia embora. E claro, sempre foi um impeditivo para seu crescimento.

Hoje, vive quase que como um ermitão. Um eremita da cidade de concreto e aço, ornada com pedaços de asfalto e alguns poucos pontos de natureza não morta, um pouco verde. Algumas flores.. Ele, naquele apartamento de paredes tão retas quando a vida deveria ser, uma cortina velha e tão rasgada quanto as decisões que ele tomou no decorrer e, numa mesinha, uma garrafa de Jack Daniels, um maço de Malboro vermelho, um copo e cinzas, muitas cinzas.

Porém, ele sabe que parte disso acontece pelas escolhas que ele fez. Estudado, curioso e capaz, escolheu viver na reclusão. Se contenta com um pouco do muito que poderia ter, gosta do saber do feito por ele mesmo à coisas prontas e sua maior felicidade é ver o sorriso de outrem quando dele, recebe algo em troca. Aliás, em troca não, pois José Afonso nunca faz algo em troca, ele sempre faz pelos demais.

Enfim, ele é apenas um numero qualquer, num lugar qualquer de um planeta que começa a agonizar. Sim, ele não significa muita coisa a não ser para àqueles que dele recebem um bem qualquer. Fará falta alguma? A saber, mas isso, só quando ele finalmente se for.

E, num sábado qualquer, por volta das 19h30, horário em que insistiu para que fosse entregue sua pizza de calabreza acebolada, ele se senta em frente a mesinha, hoje resolveu inovar e sentou no chão, pernas cruzadas como os antigos diziam - pernas de índio - hoje não se pode mais falar dessa forma pois ofende os índios, e ali, em frente a mesinha, morde um pedaço de sua pizza, toma mais um gole de Jack Daniels e vez outra, traga um Malboro. 

Para ele a solidão é uma condição, não um estado. Não percebe a diferença entre estar só e ser só. Não quer, por conta própria mudar tal situação. E não sente a menor falta de muita coisa que poucas pessoas conseguiriam não sentir falta.

Afinal, José Afonso é apenas um número e quantos outros números como esse podem existir nesse mundão afora?


quinta-feira, 22 de abril de 2021

Aquele do "Os causos contam..."

 Não, senhores e senhoras, não é fácil ser humano nos dias atuais. É preciso sim muito cuidado ao falar e mais ainda, muito mais cuidado ao pensar. Vivemos uma fase de intensa transformação social na qual, sequer pensar em algo já pode ser considerado algo ruim, algo em desacordo. O cancelamento e tudo mais são medos que vivenciamos hoje em dia.

Não, não demorou muito e eu ouvia no app de música um som que, talvez aos meus idos 16, 17 anos eu ouvia com certa frequência. Sim, mas naquela época era num CD, que insistia em dar erro ao girar o carrosel mesmo sendo uma aparelho novo. É, existiu uma época em que as coisas não funcionavam direito, mesmo sendo novas. Hoje, isso nem existe mais, nem CD, nem aparelhos de som dedicados a isso, hoje é tudo app, caixinha bluetooth e coisas assim.

Não, esse não é um texto sobre passado (é também), nem sobre tecnologia muito menos sobre alguém em específico. Mas é sim uma história, nomes trocados, fatos um tanto distorcidos afinal, é uma leitura e não uma narrativa.

Não, os personagens não coexistem mais. E ponto, a vida é assim!

Não, não é impressão, mas hoje todas as frases começaram com não!

Não mesmo, não era para ser do jeito foi. Pelo menos era o que ele imaginava. Ele, quando aparecer é uma pessoa comum, que sempre buscou fazer o bem para as pessoas. Talvez mal compreendido, talvez nunca entendido e talvez, mas um dos que aqui vieram sem saber ao certo o porque e durante sua estada nunca tenha compreendido o porque. Um personagem que facilmente ilustraria um Romance de Nelson Rodrigues, por sua irrelevância social e por sua curta estada.

Não, senhores e senhoras, ele nunca fez nada de "especial", como ele mesmo julgava. Ajudava sempre, dava um pouco do pouco que tinha para os pedintes, ah os pedintes... Se dedicava aos amigos, familiares, visinhos... Um dia, conversando com um amigo, ouviu uma frase que o marcou para sempre: você é trouxa!

Não, ele não era trouxa, ou melhor, não se sentia trouxa. Mas a frase bateu como um soco muito forte na boca de seu estômago. Ele, num ato de impulsividade, levantou da mesa onde estava, 2 copos de cerveja e o dele ainda cheio, algumas garrafas já eram testemunhas do grande encontro que há anos não acontecia, um prato de batata fritas, com pouco sal e sem a fedida maionese industrial... Os copos repousavam em porta-copos já molhados pelo suor que a cerveja gelada causava. Ao levantar, foi de encontro ao seu amigo, ou até então amigo, deu-lhe um abraço apertado, seguido dos famosos tapas nas costas que apenas grandes irmãos se dão... Olhou no fundo dos olhos do seu amigo e com uma simples e rápida palavra, resumiu o que seria desse segundo em diante: adeus!

Não, o trouxa nunca mais viu seu "amigo".

Não houve mais qualquer contato. Um dia, até pensou em ligar e desejar feliz aniversário, mas o amigo, já casado e com família formada, não era mais aquele amigo da cerveja, das conversas e do companheirismo, ele agora era outro homem, e é assim que deve ser.

Não, infelizmente nem mesmo os amigos podem ser eternos. Quem sabe um dia se encontrem mas isso não parece mais estar previsto. Como diria um dito popular, na vida, os amigos entram e saem como clientes em um restaurante. Uns entram, outros saem, uns voltam outros nunca mais.

Não, né, não há como descrever tudo isso senão como um ciclo. E como todo ciclo possui um alto e um baixo, tudo também terá, um alto e um baixo. Na mecânica, citamos um ciclo de um "pistão" como Ponto Máximo Superior e Ponto Máximo Inferior, que são os dois opostos. Mas, entre um e outro, tudo pode acontecer.

Não, não se engane. Sempre acontecerá. É inevitável, apenas não sabemos nem o quê, nem quem, nem quando, nem onde, nem como e nem o por que. Apenas acontecerá!

Não, hoje não são mais dois amigos. Cada qual, seguiu seu caminho!


quarta-feira, 21 de abril de 2021

Aquele do "Os causos contam..."

 Zoraide e Lauro

Estavam juntos há uns 20 anos. Eram um casal que nunca, em momento algum, deixaram de sorrir. Sim, era mãos dadas pra lá, mão na cintura para cá, iam aos eventos sociais, reuniões de família, encontro de amigos, e a marca registrada deles era sempre o sorriso. Não se desgrudavam por nada.

Certo dia, ela, acordou, se levantou como fazia de costume, ele ainda deitado, preparou um café - só que naquele dia mais forte que o habitual, parecia até ter "perdido a mão na quantidade de pó", encheu uma xícara e sem dar o bom dia matinal ao amado, pegou sua carteira de cigarros e foi ao lado de fora do apartamento pequeno e ajeitadinho ondem moravam, ficou olhando para os carros estacionados, e lá se foram 1, 2, 3, 4 cigarros... Foi a rotina do momento, tosse, gole de café, uma tragada, mais tosse, mais café e mais tragadas.

Zoraide não estava mesmo num bom dia, poderiam dizer alguns, mas no fundo ela estava no melhor dia de sua vida. Ao terminar seu quarto cigarro, juntou as bitucas, como fazia sempre de costume, assoprou o local onde estava na tentativa de ocultar as cinzas que insistiram resistir à brisa que estava no local. Era um dia lindo, talvez um sábado ou um domingo, nessa pandemia nem tem muito como saber... Os pássaros, solitários mas agindo em grupos, cantavam seus cantos solitários que se juntávam numa sinfonia... Bem-te-vis, canários-terra, tirivas... Mamãe natureza parece sempre acertar...

Ela, Zoraide então se levanta, e volta para o apartamento...

Não se passam muitos minutos, Lauro, com vestes incondizentes com o que sempre usa, sai do apartamento, segurando em uma das mãos uma mala de certo tamanho, uma mochila nas costas onde sempre carregou sua ferramenta de trabalho, e a outra mão, no rosto, como se segurando seu nariz, nitidamente secando algo que deveria lhe escorrer os olhos.

Sim, entra em seu carro, longos minutos se passam. É possível ouvir os soluços de seu choro a certa distãncia. Ele então, que há tempos não fumava, acende um cigarro, liga seu carro que está fazendo um barulho horrível, e sai... Outrora, sairia cantando pneus mas dessa vez não, saiu em linha reta, tão devagar que parecia querer mais que seu carro voltasse ou então, que algo fazia tamanha força para que sua inércia não fosse quebrada.

Ninguém sabe para onde ele foi. Ninguém nunca mais o viu ou ouvir falar. Ninguém sabe o que aconteceu entre o quarto cigarro e o primeiro cigarro dele. Apenas podemos imaginar, apenas a imaginação popular.

Sim, Zoraide ficou mais alguns dias e nunca mais foi vista, não naquele apartamento.

O casal nunca mais foi um casal. O que era apenas sorrisos tornou-se uma cena envolta de café, tosse, tragadas e choro!

O que teria acontecido? Talvez nunca nos caiba sabermos, mas é uma obrigação compreendermos que, o que quer que tenha acontecido, ficará para sempre guardado no íntimo de quem sempre estava sorrindo, mas sempre da porta para fora e para dentro, o que acontecia?

A vida é assim... O amor é assim... Um dia se vive, um dia se ama... Noutro, tudo ficará escuro e o amor que era motivo, continua a ser motivos porém, motivos para situações diferentes.

Que Lauro e Zoraide possam voltar ou estarem sorrindo, mas agora, cada qual em seu espaço!

E se ainda chorarem, que seja de alegria pela lembrança e não pela dor de ter perdido aquele grande amor que por anos, foi a inveja de tantos outros Lauros e Zoraides por aí.


segunda-feira, 19 de abril de 2021

Aquele do "Os causos contam..."

 Dias atrás, estava parado nosinaleiro, no carro ao lado uma casal conversava risonhamente, ouvia-se as gargalhadas que ecoavam do modelo com teto solar e ronco de potente, uma música mais alta se entremeiava o som do ambiente.

Nem 15 segundos haviam se passado, o sinaleiro acabará de fechar, quando as gargalhadas deram lugar a um grito ensurdecedor de uma voz doce feminina:

SEU FILHO DA PUTA! Berrou ela! Soltou o cinto de segurança, em movimentos rápidos e precisos desceu do carro e sem dizer mais nada saiu andando no meio do asfalto, como se direito tivesse de estar alí, mas decidida a arcar com as conseguências desse fato/ato.

O sinaleiro abriu, o carrão foi embora. Eu, quem estava atrás de mim, enfim, todos perpéxlos e perpléxas, abandonamos o posto, descemos e ficamos ali, observando, como se o tempo tivesse estacionado e apenas aquela moça linda e ex-sorridente tivesse vida ou algo assim.

Enfim, ela arranjou um cantinho de meio fio, sentou, passou as mãos em seu rosto, como se a secar algumas lágrimas, talvez, ou então, a vergonha que poderia lhe escorrer. Mas, ao que vimos, não foi para secar as lágrias, mas talvez, para disparar uma enxurrada de soluções, gritos e lágrimas, muitas lágrias.

A vida é injusta, né, principalmente para ela, moça, jovem e sorridente que agora, segundos depois está despedaçando em lágrimas. E sim, a vida é injusta, deus é injusto, alá é injusto pois, enquanto uma moça chora num meio fio, nenhuma das 30, 40 pessoas que estavam aqui ao meu lado, e eu me incluo nessa, fizemos nada para ajudar.

Ao que parece, deve ser choror da dor de amar. E só quem ama sabe o quanto dói o amor, que nos alimenta e nos desgraça. Que nos agride e nos afaga... Ah, como é bom amar! Mas Ah, como é ruim sofrer.

Então, ao pigarrear de uma sonhora que estava no carro ao lado, começamos a nos recompor como membros medíocres individualistas que somos, entramos no nossos carros, aguardamos o próximo sinal verde, cada um para seu lado, um egoísta buzinando e, enfim...

Me pego pensando, quem fim era e para onde foi aquela linda moça?

Os causos contam!


terça-feira, 13 de abril de 2021

Aquele do "Tudo enfim, um dia acaba...!

 Sim, senhores e senhoras leitores e leitoras. Para mim, a primeira coisa que posso dizer que acabou até porque nunca existiu é o tal "não binário". Aqui, nesse blog, a depender de mim, você nunca mais verá escrito qualquer palavra com o "x" no lugar errado. Ou seja, o que você lerá: senhorxs... Nunca mais será escrito por mim!

Acho realmente muito perigoso quando, pelo motivo que for, um grupo social se acha no direito de dominar outros, seja pelo argumento ou pelo burrão (como diria o Mestre Gabriel O Pensador), ou seja, pegam um tema e fazem com que todos os outros seres vivos se sintam tão menores quanto eles se sentem, seja pelo motivo que for. 

Mas, um dia tudo isso vai acabar. Sim, iniciamos a nossa destruição enquanto sociedade. O Covid-19 foi apenas um fraco alerta de que somos gente demais, numa terra pouco preparada para tanta evolução. Sim, todos achamos lindo termos celulares, redes wifi, 8g, 10g, cacildis, onde esses g vão parar? Recebi de uma pessoa especial um vídeo feito em 1974 no qual, falava-se que um dia os computadores estariam presentes em nossas mesas, daí o nome Desktop, mas eles levaram 20 anos apenas, ou menos. O meu primeiro PC-Desktop foi me dado por meu Lord Pai o qual usou suas suadas economias em Dólar para comprar de um picareta que entregou algo com defeito e sumiu do aparthotel onde estava. Bom, graças a isso me tornei um nerdzinho que arruma computadores por uns trocados hoje. 

Porém, um dia tudo vai acabar. Tudo! Eu, você, seu dinheiro, seu carro, a natureza é implacável. "Não há o que faça", parafraseando meu filho mais velho, LH(17), que usava essa frase em tantos contextos que hoje, uso em muitos os quais nem sei se são válidos ou não...

A Covid-19 vai acabar também. Vai demorar mas vai.

Porém, o texto de hoje é muito mais para mostrar o quanto a preocupação das pessoas, sim, daquelas que não fazem parte dos mais de 350k que já morreram, e que, ao menor sinal de melhora e claro, com o apoio mais do que ineficás e mais do que ineficiente das autoridades, seja em que âmbito for, são extremamente incompetentes. Digo isso pois, agora morando no centro, deu para perceber que tanto faz que tenham morrido mais de 350k, a vida voltou ao normal tão rápido quanto uma diarréia. Ou seja, mal da tempo de se preparar e tudo está OK!

Ciclistas em seus passeios, pais e filhos disfilando pela cidade, o trânsito em 2 ou 3 dias já voltou ao estágio quase caótico e por assim vai, afinal de contas, não existe mesmo como segurar esse povo. Que venham mais 350k!

Ao menor sinal de melhora, povo sai mesmo. Vida normal, vida que segue, vida que vai...

Eu nunca fui a favor do isolacionismo, até porque, não há provas científicas que ele seja efetivamente, efetivo, mas ok, ajudou. Ajudou enquanto estava em vigor e agora que não está mais? Máscaras, álcool em gel, o que mais?

Tudo está, como diria o grande capitão do navio, de vento em popa. Para quem não sabe, popa é a parte de trás de uma embarcação. Sim, chamamos de proa a parte da frente, popa a parte de trás, bombordo a parte direita e estibordo ou boreste a parte esquerda. Sim, eu tenho além de RG, CPF, CNH, Carteirinha de vacinação e atestado limpo de antecedentes criminais, um documento que me habilita navegar embarcações em Baias e até mesmo até um limite da costa, mas não em mar aberto. Chama-se Arrais Amador.

Bom, se era para escrever, escrevi. Se era para passar o tempo, passou. Se era para dizer que um dia tudo vai dar certo, sim, um dia tudo irá dar certo, é só esperar.

Vamo que vamo!!! Braziuuuuu

#abraçodoLG

domingo, 14 de março de 2021

Aquele do "Quando você olha, o que você vê?"

 O texto de agora precisa começar com uma pergunta, simples, mas de resposta mais do que complexa:


- Quando você, leitor, olha através da janela, o que você vê?


Hahaha, porque haveria de ser complexa? Afinal, é só olhar e dizer o que está vendo, não é mesmo? Sim e não. Tem pessoas que vão racionalizar e dizer o que enxergam. Sei lá, prédios visinhos, árvores, o sobrado à frente, um carro do ano super top na garagem, ou então um jardim muito bem planejado, que custa uma grana para manter lindo... Tem aqueles ainda que irão comentar seus netos correndo ou andando de bicicletas, e são tantas as vertentes que não dá para imaginar muito.

Mas tem aqueles que vão se limitar a dizer que vem o que realmente gostariam de ver naquele lugar, ou seja, vão fantasiar um pouco. E estes são também válidos, né... 

E por ultimo, mas não limitados aos 3, tem aqueles que romantizam a cena, afirmando verem coisas que só eles vem, muitas vezes relacionadas ao amor, a deus ou a qualquer outro sentimento que seja bom ao perguntado.

Eu, particularmente, gosto de só ver o céu. Gosto de olhar pela janela e esquecer de tudo que não seja o céu. Seja de dia ou de noite, quero e gosto de ver o céu. Sim, esse lindo azul que denuncia a imensidão da natureza e a limitação da vida. Esse mar azul deslumbrante que, hora ornado com a presença caliente do sol, hora escondido atrás de cinzas núvens, sempre me mostra que há um ciclo e que tudo, no final, vai dar certo.

Esse céu que ainda está em expansão, que trás aos nossos olhos o infinito do que se chama de espaço, onde nem o barulho se propaga. Se há vida, são tão evoluídas que jamais saberemos a menos que eles queiram que saibamos.

Meus olhos, que já está falhando e muito, necessitam de lentes multifocais, mas que sabem bem certinho recortar da vista da minha janela tudo que nela há que seja ação humana - carros, motos, asfalto, casas, prédios... Só enxergo o céu, seu azul/cinza, e isso me ajuda a me acalmar, a ser mais contente com as coisas.

Você pode até achar estranho esse texto, mas eu não queria escrever sobre tudo de ruim que está acontecendo. Sabe, tem tanta coisa boa acontecendo em paralelo, tanta coisa bonita, linda, maravilhosa...

Tem tanto amor surgindo, e como é bom amar, tem tanta gente fazendo o bem para tanta gente, tem aquele que mesmo virtualmente está dando a mão a outro que precisa de uma mão. Eu sei que muito morreram e me dói pensar que tudo isso poderia ter sido diferente. Dói só de pensar que nada disso acabou e que ainda um dos meus pode ir... Dói de pensar que as pessoas em geral, não olham mais por suas janelas para sentir, o que for para sentir.

Seja para amar, seja para odia, seja gostar, seja para criticar, olhar pela janela não significa pegar covid, olhar pela janela não significa força ou fraqueza, é apenas uma ação. Para alguns, que forças tem nas pernas, algo banal, para outros tantos, apenas com uma cadeira de rodas conseguiria chegar.

Pense que essa janela pode ser um vizinho seu, um amigo seu, alguém de sua família ou ainda, aquele doente que não tem como sair e pegar o remédio que sem ele, talvez morra também. Pense na janela mais como um alvo do que um elemento de construção civil.

Só em Curitiba, já somos mais de 2 milhões... Se cada um de nós pudesse olhar para "uma janelinha", imagine o bem que poderíamos fazer. E se, àquele que não tem o que comer esta noite a gente pudesse dar um prato de comida, sem ao mesmo questionar se ele merece ou não? Afinal, quem somos nós?

É isso, enfim, hoje é domingo, e assim como deve ser, espero que seja um excelente domingo a todos. Mas que esse texto possa ser lido na segunda-feira, na terça-feira, na quarta-feira, na quinta-feira, na sexta-feira e também no sábados.

E que cada um de nós possa achar ao menos "uma janelinha" para olhar. Não custará nada a não ser um pouco de atenção. E isso não se mensura em valores, né?

#abraçodoLG

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

Aquele do "Todo (sic) mundo queria, mas ninguém vai dizer obrigado..."

 Eu vou começar esse texto dizendo que, sim, a grande maioria, pelo menos da boca para fora queria mas ninguém, daqueles hipócritas de sempre, vai dizer obrigado ou sequer, um "valeu!"

Sim, sim, ninguém vai dizer. 

Vou relatar dois acontecimentos específicos que me chamam atenção. Vamos ao primeiro.

1º - O maior canal de televisão do Brasil nos últimos muitos anos, vinha sendo criticado, rechaçado, coisas assim. Era "*****" lixo para cá, "*****" lixo para lá, desligue a "*****", enfim, coisas assim. Quem nunca disse algo a esse respeito? Pior, esse canal sempre foi tudo isso porque alguém assista, não é mesmo? Mas ok, era. E não mais distante, ele opera quase que no Brasil inteiro na melhor faixa de frequência de transmissão, ou seja, na maior parte do Brasil o número do canal é basicamente o mesmo. E isso sempre foi de grande interesse do governos até porque esse mesmo canal sempre foi muito parceiro dos governos. E desses governos, recebia muitos dinheiros, de forma legal - ninguém discute isso. São verbas governamentais para a divulgação de ações, comerciais informativos entre outras coisas.

30 segundos nesse canal custavam muitos dinheiros. Muitos. Haja vistas que grandes marcas anunciam... Não é coisa para peixinhos é para tubarões.

Fato é que, por discordâncias múltiplas, o governo atual e o canal em questão, não se dão muito bem. E uma das formas de coação do governo é justamente cortar as verbas publicitárias. E assim aparentemente tem sido. E é visível que a grana acabou, a teta secou e sabe-se lá o que vai ser. Muitos "jornalistas", artistas e profissionais estão desempregados. Tadinhos! Muitos outros programas, eventos e demais produtos estão na geladeira ou então, foram cancelados. 

Ou seja, "*****" finalmente perdeu seu poder. E, cadê os hipócritas para dizer, hello, conseguimos?

Bom, sem mais para o momento, sabe... Afinal de contas, não há o que faça, pois quem conseguiu o que ninguém quis fazer até hoje, é o mais odiado de todos os tempos. Ele fez, mas não vai ser reconhecido por fazer. Ele teve uma coragem que nem o barba teve (isso que o "*****" tentou por vezes destruir o barba) mas, enfim...

2º - Ainda nessa temática do fez mas não será reconhecido, durante o governo atual, foi sancionada uma lei na qual maus tratos aos animais tornou-se um crime. Sim, hoje, qualquer tipo de tratamento para um animal que não seja digno, vai te colocar na cadeia ou te causar problemas bastantes sérios. E não vi nenhum ativista animal agradecendo. Nenhum outro governo anterior teve a coragem e o peito de fazer isso, o atual teve e ninguém disse obrigado. Claro que os pets não vão agradecer, eles não sabem falar muito menos sabem pensar de forma organizada como nós humanos conseguimos... E mesmo se soubessem talvez eles ficassem latindo a respeito da facada que não deu certo ao invés de agradecer.

Então, quando alguém me fala de inversão de valores, com toda certeza, consigo perceber isso, mas a inversão de valores está muito mais além da capacidade humana de conseguir explicar/entender, desejamos que alguém morra simplesmente por fazer o que outros não tiveram a coragem de fazer. Estamos lamentando a não morte de alguém que, por sua condição, desbancou os anteriores que não tiveram a vontade e a competência de fazer o que ninguém antes na história desse país teve a coragem de fazer. 

A lista vai além mas eu não vou tratar sobre ela ainda, estou buscando conhecimentos, mas posso adiantar que para o comércio exterior - exportações por exemplo - muitos avanças já foram feitos e ninguém disse um sequer - valeu!

Só sabem falar de cloroquina, facada e volta barba!

Triste fim de uma nação de bitolados!

#abraçodoLG

domingo, 14 de fevereiro de 2021

Aquele do "Preciso me importar menos e dizer mais Foda-se...!

 Veja, esse texto é mais um de uma série que nunca existiu. Quando começou a pandemia, era nítido que eu estava alheio às informações. Lá onde eu trabalhava estava todo mundo neurótico, CNN ligada o dia inteiro, mães pedido para ir para home office, os caras mais locos soltos sem pensar no amanhã, e eu ali, indo trabalhar todos os dias e me incomodando muito mais comigo do que com os demais. Mas ainda assim, algumas pessoas era algo de meu instinto de ajudar. Claro, nunca citarei nomes aqui, jamais seria insano a esse ponto, mas...

Bom, chegou a pandemia e aqui as coisas se misturam um pouco com o antes e o depois. Porque?

Porque, antes ou depois, eu sabia que tinha que ser um cara diferente do que eu vinha sendo. Eu sempre achei - por conta de minha formação religiosa e da educação que recebi de meus pais - que eu tinha que me prestar, servir aos demais e ajudar, ajudar e ajudar. Anos de terapia, de terapeuta em terapeuta, todos me dizia que não era egoísmo pensar mais em mim e menos nos outros. Sabe, é relativamente difícil para um cara como eu deixar de pensar nos demais, semelhantes ou não. Meu exercício começou a hora que eu eu decidi dar de ombros para os famosos pets. Não ligo mais para cachorro, gato, ou qualquer outro tipo de bicho nos quais os seres humanos despejem suas frustrações e sua falta de emoção.

Ou seja, não ligo se os pets estão ou não estão, se eles são ou não são, aliás, não ligo nem se eles existam o não existam, simplesmente isso. Passado isso, comecei a despejar meu "desprezo" para alguns tipos de seres humanos, iniciando por aqueles que nunca fizeram questão de estar ao meu lado, nem nas horas boas quiçá nas horas ruins. Sabe aqueles amigos que na verdade só são amigos quando precisam de você? Sabe aquele parente, até mesmo próximo que só te procura quando precisa? Pois é, essa foi e está sendo minha segunda etapa. Estou tentando me afastar dessas pessoas pessoas, pois cansei.

Me doeu muito na vida para pessoas que sequer mereciam meu olhar. Dediquei amizade para pessoas que não mereciam sequer o meu desprezo. Dediquei empenho em me fazer presente perto de pessoas que nem deveriam sentir meu cheiro. Cansei de dizer sim para quem sequer merecia meu não. Quantas vezes fiquei calado para não ter uma discussão ou para que eu não me sentisse sozinho.

Então, depois de muito tempo, estou percebendo que é melhor assumir que nunca votarei nessa merda de lula muito menos nessa desgraça de bolsonaro pois eu não concordo com nenhum dos dois, e se você, seja amigo parente ou qualquer merda não concorda comigo, simplesmente, foda-se. Eu preciso viver com a minha integridade e não com a sua concordância.

Sim, você não deve importar para mim. Eu sou sim ATEU, HETERO, não voto em lula ou bolsobosta, sou a favor de privatizar tudo até mesmo o SUS, sou contra benefícios trabalhistas, feriados religiosos... Sim, cara, eu não escuto ACDC, acho um lixo musical. Eu não curto sertanojo pois acho outro lixo musical. Eu curto ouvir pagode, samba, musica romântica, eu gosto de disco music. Ah, Além de não acreditar em deus eu também sou a favor de usar a Amazônia para fins maiores, sou contra o movimetno do aquecimento global mentiroso e, carne de frango feita de vegetais é "meus ovo", quer ser vegetariano, vegano, use nomes próprios. Frango, teve vida e andou, serve de alimento para carnívoros.

Nos últimos meses de pandemia tenho percebido que preciso ser mais eu e menos você. Preciso pensar menos em você, ajudar menos você, me preocupar menos com você (você é qualquer pessoa que leia esse texto, seja amigo, parente ou qualquer um), pois, "você", quando eu menos precisar, vai me abandonar. Assim como a grande maioria. E sabe o mais engraçado?

O mais engraçado é que aquela pessoa que nunca te pediu nada, as vezes está distante... Mas que por algum motivo nunca te tirou da rotina de lembrar de vez em quando. Ela nunca te pediu voto, nunca tentou te converter ou batizar, nunca fez militância, então, no dia que você cai no poço de merda, ela vem, sai de seu conforto, te dá as mãos sem medo de se sujar com a merda que você está atolado e como se você não pudesse acreditar, ela te ajuda e não te pede nada em troca. Nessa hora, provavelmente você vai chorar copiosamente pois, sempre se importou com os demais que te sugavam (e no mal sentido) mas que, nessa hora, que você queria uma mensagem de whats, elas te abandonaram pois você vota no partido contrário ou é ateu.

Eu experimentei isso, e posso afirmar que sim, tenho alguns poucos que eu agradeço muito, agradeço demais. Pessoas que me surpreenderam pois nunca me pediram sequer consideração, mas que me ajudaram em momentos especificamente difíceis e a vocês, sempre deverei minha gratidão!!!

Então, faz assim, foda-se os demais e viva você. Se ame antes de amar qualquer outro, seja o animal homem ou qualquer outro animal irracional e burro ou ainda uma planta.

Ame-se antes de amor o próximo pois o próximo, quando você precisar, não estará tão próximo assim. Isso só funciona naquela historinha de sei lá quantos mil anos, daquele livro de fantasias, com é mesmo, ah, bíblia.

#abraçodoLG

sábado, 13 de fevereiro de 2021

Aquele do "Eu prefiro ficar em cima do muro..."

 Sim, de verdade, após os últimos 5 ou 6 anos acompanhando de longe o cenário político nacional, tudo que nos chega e ainda o que eu busco por conta própria, cheguei a conclusão de que é mais seguro e mais saudável eu ficar em cima do muro. Sim, ficar nessa posição de poder olhar esquerda e direita e poder rir de ambos, observar ao longe tudo que está acontecendo no submundo da política, dos lulas e bolsonaros, de todos os atores políticos malditos que tanto nos fodem com F maiúsculo, mas que simplesmente somos obrigados a escolher.

Talvez eu não seja muito feliz com meu texto hoje mas é como se tivéssemos que escolher a pessoa que vai atirar em nós durante um assalto. Ou seja, imagine a cena de 4, 5 assaltantes olhando para você e você tem que escolher qual deles vai atirar na sua cabeça. Ai, você até pode ouvir as promessas de cada um, por exemplo um deles pode prometer que não vai doer, outro que o tiro vai ser certeiro e ainda o terceiro, vai te prometer dignidade, um lugar tranquilo no céu e algumas virgens celestiais ou uns maromba no caso das mulheres e afins... Mas no final, seja a escolha que for, você já sabe que ele vai te ferrar.

Eleições no brasil tem essa particularidade, aliás, nem é só aqui, as ultimas eleições nos estados unidos da américa do norte foram assim também. Mas, eu escrevo e trato sobre brasil.

A última coisa que eu pude observar é que, na eminência de um tal de Sérgio Moro ganhar as eleições em 2022, adivinhe quem é que já está se alucinando em formar uma chapa com lula-51? Bom, é assim, até que sempre foi contra, vira a favor um dia, eu até entendo porque mas não consigo aceitar. Meus princípios não tem preço!

Porém, nada é eterno nessa vida e eu que achava escrever com a direita descobri após esses poucos anos de uma direita tão idiota quanto a esquerda que havia antes que, talvez a última coisa que eu queria assistir antes de morrer seja um governo genuinamente de centro nesse país, que seja de um candidato rico e estudado, que tenha herança e fortuna de família pois o que tivemos até agora, depois de 1985 foi só lixo.

Ok, não foi só lixo não: tivemos o Collor que fez boas coisas mas mexeu com marimbondos que ferroaram ele até sua morte política e tivemos outro, também Fernando que fez com que economicamente esse país chegasse a 2021 estável, mesmo depois de quase 16 anos de governo sanguessuga e tudo mais.

Um governo de centro, focado em privatizar tudo que for possível, Banco do Brasil, Caixa Econômica, esse cabidão de emprego chamado Petrobrás... Quem esse governo de centro saiba que o que ele precisa é manter o básico com qualidade, uma boa segurança, saúde e educação básica, pois para mim, educação superior deve estar nas mãos privadas também. Acho muito injusto meu imposto ser usado para pagar uma maioria quase esmagadora de ativistas políticos vermelhos lulo-petistas travestidos de professores universitários. Escola é escola, política é política, partido é partido, uma escola partidária não é escola, é centro de doutrinação. Isso vale para esquerda, direita e centro. Ou seja, não temos escapatória.

Quero um governo de centro que faça o brasil crescer mas não apenas plantando soja e milho, mas vendendo produtos feitos com esses produtos, que possamos usar nosso aço e outros minérios para fazer produtos que tenham bom valor agregado, que deixemos de ser apenas agro, para quem sabe um dia possamos nos tornar agros+industriais+tecnológicos. 

Quer um exemplo: alunos de uma universidade da região nordeste fizeram um trabalho de pesquisa para dessalinizar água do mar, e eu pergunto, porque? É só falar com Israel, els já fazem isso há décadas, fazem bem feito... O dinheiro do nosso imposto investido nessa pesquisa poderia ser utilizado para outras tantas pesquisas...

Enfim, é isso, véspera de feriado de carnaval que não vai acontecer, eu de boa e vamo que vamo!!!

#abraçodoLG


segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021

Aquele do "Tudo tem um início, um meio e um fim...!"

 Sim senhores, nobres leitores. Sim, nobres leitores mas aqui englobo todos como pessoas, como seres humanos sem distinguir qualquer um que queira/goste de ler este blog. Aliás, como parece antigo escrever blog, parece um veículo do século XIX, não é mesmo? Aliás, alguém ainda usa algarismos romanos para descrever séculos? Enfim, talvez eu seja meio arcaico mas, assim a vida segue.

O título do texto de hoje é bastante amplo, afinal, afirmar que tudo tem um início, um meio e um fim parece ser uma pretensão muito grande. Mas, a natureza e a natureza humana nos mostram que isso é bem coerente no sentido mais restrito e no sentido mais amplo. A começar pelo mais básico e elementar, que é justamente a questão da vida. Somos concebidos, nascemos, crescemos e eventualmente, morremos. Ou seja, é um ciclo. Os animais, idem... Os bens que insistimos em ter, também. Ou seja, tudo que vem, volta, tudo que é, deixa de ser, tudo que nasce, um dia morre. OK, OK, algumas árvores duram centenas de anos (duvido que o homem não mate elas antes), mas um dia a vida acaba.

As pirâmides, alguém pode perguntar: ok, mas serão eternas? Será que um dia um presidente de algum país destes tantos que adoram uma guerra não vai acordar e mandar uma bomba para destruir tudo?

Um exemplo disso são as 7 Quedas, que existiam e eram uma das maravilhas do mundo e uma Usina Hidroelétrica fez com que deixassem de existir. 

As geleiras, muitas praia, florestas inteira, cidades pequenas... Existe sempre algo que existiu e deixou de existir. E claro, mesmo a sogra ou esperança, ambas são as ultimas que morrem, também deixam de existir.

2020 foi um ano marcado pela Pandemia de Covid-19. Durante os últimos 9 meses aproximadamente deste ano, a esperança era que a vacina produzida por diversos laboratórios pudesse ser a salvação do mundo, do qual, milhares de mortes concluíram o ciclo de vida de milhares de pessoas. Pois bem, a vacina começou a chegar no final de janeiro, início de fevereiro de 2021. 

Não tem vacina para todo mundo!

Não tem muita esperança de imunizar todo mundo!

Não deu para a esperança sobreviver muito!

Principalmente em países como o Brasil, por exemplo, nação na qual membros do poder executivo nomearam parentes para receber a vacina e que, foram exonerados no dia seguinte. Teve gente que nunca atuou numa profissão mas que na hora de tomar a vacina, mexeu seus pauzinhos e tudo certo. Grupos prioritários? Só para inglês ver...

Alguns países estão identificando ainda que a vacina produzida em tempo recorde, não tem eficácia contra as novas variantes do vírus em alguns países, ou seja, a vacina foi conseguida em tempo recorde mas chegou tarde. Não brinque com a mamãe natureza, por favor!

Nossa esperança nessa vacina já teve o início, estamos talvez no final do meio e caminhando para o fim. Não bastaram todas as mortes já ocorridas, muitas mais infelizmente haverão até porque, Estado e seus cidadãos estão tão cansados que, já nem se preocupam mais com os fatores de risco de transmissão. Escolas estão autorizadas, igrejas estão autorizadas, tudo voltou ao normal, tudo está no seu devido lugar e como tudo tem um início, um meio e um fim, podemos acreditar que o ciclo da covid ou do medo que a covid trouxe, chegou ao fim.

Nós, seres humanos que, cada vez mais usamos álcool em gel, bepantol e outros tantos produtos que nos transformam pouco a pouco mais vulneráveis aos patógenos, vamos nos adaptar a viver cada vez mais desprotegidos contra as ações da mamãe natureza. Não aprendemos muito com a gripe espanhola, demos de ombros para a gripe do porco e agora, relaxamos com o covid, que não está para brincadeira não. Ele é aquele garoto de prédio, que desce para o play mas não sabe brincar. O covid veio para mostrar o quanto somos nada, nadinha nesse globo. Mas ainda assim nos achamos os melhores.

Tudo tem um início, um meio e um fim. Tudo que começou, vai acabar. Tudo, incluindo a covid. Mas nunca mais perderemos o medo de uma nova covid. Haja vistas que temos ainda outros tantos vírus circulantes que, de qualquer forma ainda matam e não resolvemos a questão.

E assim será!

Governos terminarão!

Investimentos terminarão!

Famílias terminarão!

Tudo terminará, algum dia, alguma hora! Não há com escapar!

#abraçodoLG

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

Aquele do "O desespero toma conta da nação...!"

 Dizem que um povo que não conhece sua história está condenado a repeti-la. Bom, mentira ou verdade isso se faz presente novamente aqui no Brasil. Sim estamos vivendo mais um daqueles momentos infelizes de uma nação. O povo enlouqueceu e nem é quebra meta de grandes ou pequenas varejistas. Sim, chegou a tão esperada hora na qual a rede bobo de televisão e todos os outros veículos do "consórcio da covid" estavam esperando.

E, tão simples quanto andar pra trás, foi saber o que todos já até sabiam, mas talvez fizessem vistas grossas: não há e não haverá vacinas para todos! Os governos, sejam eles de quais partidos forem mundo afora, vão sim ter que escolher quem tem mais ou quem tem menos chance de vida, e finalmente, quem vai ou não morrer. É simples assim. Veja, se tu não concorda, eu entendo, mas de todas as vacinas que chegaram nesse país, muitas, muitas mesmo já foram desviadas. Foram parar nos corpos de filhos, padrinhos, pedrinhos, amigos e outras ligações promíscuas ou não de governantes.

Tão simples quanto isso. Era para médicos e funcionários da saúde em geral e alimentaram a imunidade em seus cupinchas.

E você, otário, achou que estaria a salvo com a vacina?

Você acha mesmo que china, inglaterra, índia e rússia iriam vender para esse país tupiniquin antes de imunizar suas nações? ah, ledo engano. Se você pensa assim, faz o seguinte, pega sua máscara, joga fora e bora para um estádio de futebol ouvir Anitta. Você realmente é o mais bitolado do planeta.

Melhor, vamos lá: vai para o estádio de futebol, ouve Anitta, depois passa na igreja universal ou mórmon, dá um beijo no capeta e vai pro bar, dirigindo. Se você realmente acreditava em vacina, a minha impressão é que você é meio burro, só. Não tem vacina para brasileiros, seja culpa de quem for, tem culpa eu?

Eu, que desfruto meus 4.3 com vigo tenho a ciência de que, de forma alguma, ou sem qualquer chance, terei acesso mesmo que pagando a vacina antes de 2023, 2024....simples assim.

E não me venham com essa de bolsonaro ou lula pois nenhum dos ultimos 4 presidentes idiotas contando com o atual fariam qualquer coisa diferente. Quem não lembra, tivemos a gripo do porco e nada foi feito, pelo menos ela matava menos.

Eu canso de gente assim, estou preferindo meu silêncio a ter que conversar com pessoas que tentam de alguma forma chegar nos assuntos como vacina, covid, bolsonaro, lula, essas merdas todas. Já deixei de conversar com meu pai, com minha mãe e por aí a lista vai seguindo. 

Não acredito em FAKENEWS pois, quem lê merda e espalha, assim como diz o ditado, a cada conto, aumenta um ponto e no Brasil, a cada Whats aumenta um pouco mais a verdade. Sim, nobres, tudo que o whatsapp, facebook, instagram e essas coisas fala é a sua verdade, conviva com ela, por favor, seja feliz....

Bom, deixando de lado qualquer outro assunto que realmente nem me interessa, vou parar por aqui. Esse assunto também já me cansou.

Desejo mesmo que a grande elite de amigos e cupinchas seja imunizada, pois dará mais gosto ao ver o povo descendo a porrada neles quando o caos tomar conta do nosso Brasil.

#abraçodo_LG

quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

Aquele do "E a última esperança... kkk está agonizando!"

Sim, senhores e senhoras, a nossa última esperança está agonizando, assim como milhares de brasileiros estão agonizando nos leitos de hospitais e nos leitos de UTI. A nossa última esperança - vou chamá-la de UE no texto, está agonizante esperando lentamente sua morte. E isso ocorre justamente porque eu, você e todos nós demos muito mais importância a algo que merecia quase nenhuma atenção. É fato, e eu que sou jornalista por formação, decidi não participar há anos, que nossa imprensa deixou de cumprir um dos seus melhores papéis que já teve que era de informar.

Hoje, o que se chama de imprensa, que deveria ser livre e informativa, chegou a grande ponto (ironia) de se tornar uma das maiores fontes de discórdia entre as pessoas. Sim, isso mesmo, é assim mesmo. Ou você torna-se de um lado ou torna-se de outro lado, tudo dependendo do veículo que você resolver seguir. Eu tenho argumentos muito fortes para até citar nomes aqui, mas não o farei por questões óbvias. Mas, se você liga seu radinho, sua televisão ou seu smartfone descobrirá que o que estou falando, tem sim fundamento. Aliás, se você fizer isso, começará seu processo de doutrinação. 

E hoje em dia essa doutrinação está claramente, tão transparente quanto o vidro mais bem limpo, que é para um dos lados, coincidência ou não, o lado mais perdedor das ultimas duas eleições. Sim, eles perderam as tetas e a imprensa de modo geral tomou as dores até porque, nunca antes na história desse país, os perdedores haviam gasto tanto dinheiro nos canais de mídia.

A pandemia chegou para liquidificar de qualquer forma nossas estruturas sociais. A pluralidade vem se tornando uma dicotomia de pensamentos os quais além de opostos são quase inaceitáveis por ambas partes quando se observa o lado contrário. Sim, lembrando o ícone do Yin-Yang no qual numa porção de branco havia sempre um pedacinho do preto e vice-versa, hoje, ou é um ou é outro. E não há mais ambiente mínimo para uma discussão saudável, aquele em que você, eu ou qualquer pessoa poderia apresentar um dado diferente se ser mortalizado por olhares ou até mesmo por agressões que chegam o nível físico.

Nossa existência foi então, com a pandemia, condicionada a uma vacina. Sim, mais uma vez, "nunca antes na história da humanidade" uma vacina foi produzida com tamanha pressa e em tão pouco tempo e com tantos resultados positivos. E ela chegou como a última esperança, tarde demais para os mais de 210 mil mortos no Brasil, sim, 1% da população considerando números não absolutos. Mas, ora, veja bem, não coloque essa esperança na sua mochila!

Mais uma vez, num claro momento divino, nossas autoridades - seja por incompetência ou por falta de inteligência ou pelos dois - vão escolher que vive e quem morre, quem pode e quem não pode. Muito festival foi feito, a imprensa, já tratou de usar o termo palco e é isso mesmo, pois num palco são poucos os atores e muitos que assistem e é assim mesmo que a coisa vai acontecer. A criação de grupos prioritários só vai causar ainda mais desgaste social uma vez que infelizmente, eu, por exemplo, não faço parte de qualquer grupo que tenha qualquer desejo de receber essa vacina antes de, sei lá, 2023.

Recebemos poucas doses, das quais não deixo de imaginar que todos os familiares e apadrinhados já tenham reservadas suas partes (no Brasil isso é comum) e assim sendo, esperanças para que?

Quero sim que tudo se normalize. Quero que todos os idosos e pessoas dos grupos de risco tomem essa vacina, quero que meus filhos possam tomar essa vacina, eles tem mais chances do que eu de fazer algo que seja bom para o bairro, cidade, estado, país, continente, mundo... Eu, como diria alguém que nem lembro quem, já estou "malacabado", na expectativa de vida do brasileiro, já cumpri metade de minhas funções, ou seja, está tudo certo. Além do que, eu me cuidei e consegui passar os picos do Mandeta de forma limpa, sem covid, seja ela 19, 20 ou 21.

Pude proporcionar aos meus pais o conforto que eles precisaram nesse meio tempo todo. Pude estar com meus filhos - salvo o primeiro mês - sempre que pudemos estar juntos e todos saudáveis, ao contrário daqueles mais de 210 mil que não tiveram a mesma sorte.

Não caí no jogo de falar bem ou mal de remédio tal ou tal, não caí no jogo de assistir televisão e ler jornal, pois se isso tivesse feito, talvez tivesse morrido de desgosto. Não dei a importância necessária a esse meio midiático que ampliou de forma desordenada a questão de lados. Acho nojento essa briga política que interfere diretamente na vida das pessoas. O Brasil tem tanto problema que chega a ser impensável que tem recursos pessoais, naturais e financeiros para resolver, mas os tem sim!

Uma pena que ainda não pudemos experimentar um governo que seja minimamente capaz de enxergar o que está embaixo de seu nariz. Ainda, como nunca até então vimos, tivemos a chance de ter um governo que seja capaz de ler, interpretar e escrever um "ato governamental" que seja minimamente inteligente. Somos 210 milhões de pessoas que sim, e certo momento até gosta e sabe trabalhar, mas que precisa infelizmente de um "boi de piranha", aquele que dê a cara a tapa e acabe nos mostrando o que, quando, como, onde e porque fazer e isso, não tivemos ainda.

Uma pena que essa vacina, vai ser apenas um placebo social que, ainda matará muita gente!

#abraçodoLG