domingo, 14 de março de 2021

Aquele do "Quando você olha, o que você vê?"

 O texto de agora precisa começar com uma pergunta, simples, mas de resposta mais do que complexa:


- Quando você, leitor, olha através da janela, o que você vê?


Hahaha, porque haveria de ser complexa? Afinal, é só olhar e dizer o que está vendo, não é mesmo? Sim e não. Tem pessoas que vão racionalizar e dizer o que enxergam. Sei lá, prédios visinhos, árvores, o sobrado à frente, um carro do ano super top na garagem, ou então um jardim muito bem planejado, que custa uma grana para manter lindo... Tem aqueles ainda que irão comentar seus netos correndo ou andando de bicicletas, e são tantas as vertentes que não dá para imaginar muito.

Mas tem aqueles que vão se limitar a dizer que vem o que realmente gostariam de ver naquele lugar, ou seja, vão fantasiar um pouco. E estes são também válidos, né... 

E por ultimo, mas não limitados aos 3, tem aqueles que romantizam a cena, afirmando verem coisas que só eles vem, muitas vezes relacionadas ao amor, a deus ou a qualquer outro sentimento que seja bom ao perguntado.

Eu, particularmente, gosto de só ver o céu. Gosto de olhar pela janela e esquecer de tudo que não seja o céu. Seja de dia ou de noite, quero e gosto de ver o céu. Sim, esse lindo azul que denuncia a imensidão da natureza e a limitação da vida. Esse mar azul deslumbrante que, hora ornado com a presença caliente do sol, hora escondido atrás de cinzas núvens, sempre me mostra que há um ciclo e que tudo, no final, vai dar certo.

Esse céu que ainda está em expansão, que trás aos nossos olhos o infinito do que se chama de espaço, onde nem o barulho se propaga. Se há vida, são tão evoluídas que jamais saberemos a menos que eles queiram que saibamos.

Meus olhos, que já está falhando e muito, necessitam de lentes multifocais, mas que sabem bem certinho recortar da vista da minha janela tudo que nela há que seja ação humana - carros, motos, asfalto, casas, prédios... Só enxergo o céu, seu azul/cinza, e isso me ajuda a me acalmar, a ser mais contente com as coisas.

Você pode até achar estranho esse texto, mas eu não queria escrever sobre tudo de ruim que está acontecendo. Sabe, tem tanta coisa boa acontecendo em paralelo, tanta coisa bonita, linda, maravilhosa...

Tem tanto amor surgindo, e como é bom amar, tem tanta gente fazendo o bem para tanta gente, tem aquele que mesmo virtualmente está dando a mão a outro que precisa de uma mão. Eu sei que muito morreram e me dói pensar que tudo isso poderia ter sido diferente. Dói só de pensar que nada disso acabou e que ainda um dos meus pode ir... Dói de pensar que as pessoas em geral, não olham mais por suas janelas para sentir, o que for para sentir.

Seja para amar, seja para odia, seja gostar, seja para criticar, olhar pela janela não significa pegar covid, olhar pela janela não significa força ou fraqueza, é apenas uma ação. Para alguns, que forças tem nas pernas, algo banal, para outros tantos, apenas com uma cadeira de rodas conseguiria chegar.

Pense que essa janela pode ser um vizinho seu, um amigo seu, alguém de sua família ou ainda, aquele doente que não tem como sair e pegar o remédio que sem ele, talvez morra também. Pense na janela mais como um alvo do que um elemento de construção civil.

Só em Curitiba, já somos mais de 2 milhões... Se cada um de nós pudesse olhar para "uma janelinha", imagine o bem que poderíamos fazer. E se, àquele que não tem o que comer esta noite a gente pudesse dar um prato de comida, sem ao mesmo questionar se ele merece ou não? Afinal, quem somos nós?

É isso, enfim, hoje é domingo, e assim como deve ser, espero que seja um excelente domingo a todos. Mas que esse texto possa ser lido na segunda-feira, na terça-feira, na quarta-feira, na quinta-feira, na sexta-feira e também no sábados.

E que cada um de nós possa achar ao menos "uma janelinha" para olhar. Não custará nada a não ser um pouco de atenção. E isso não se mensura em valores, né?

#abraçodoLG