quinta-feira, 22 de abril de 2021

Aquele do "Os causos contam..."

 Não, senhores e senhoras, não é fácil ser humano nos dias atuais. É preciso sim muito cuidado ao falar e mais ainda, muito mais cuidado ao pensar. Vivemos uma fase de intensa transformação social na qual, sequer pensar em algo já pode ser considerado algo ruim, algo em desacordo. O cancelamento e tudo mais são medos que vivenciamos hoje em dia.

Não, não demorou muito e eu ouvia no app de música um som que, talvez aos meus idos 16, 17 anos eu ouvia com certa frequência. Sim, mas naquela época era num CD, que insistia em dar erro ao girar o carrosel mesmo sendo uma aparelho novo. É, existiu uma época em que as coisas não funcionavam direito, mesmo sendo novas. Hoje, isso nem existe mais, nem CD, nem aparelhos de som dedicados a isso, hoje é tudo app, caixinha bluetooth e coisas assim.

Não, esse não é um texto sobre passado (é também), nem sobre tecnologia muito menos sobre alguém em específico. Mas é sim uma história, nomes trocados, fatos um tanto distorcidos afinal, é uma leitura e não uma narrativa.

Não, os personagens não coexistem mais. E ponto, a vida é assim!

Não, não é impressão, mas hoje todas as frases começaram com não!

Não mesmo, não era para ser do jeito foi. Pelo menos era o que ele imaginava. Ele, quando aparecer é uma pessoa comum, que sempre buscou fazer o bem para as pessoas. Talvez mal compreendido, talvez nunca entendido e talvez, mas um dos que aqui vieram sem saber ao certo o porque e durante sua estada nunca tenha compreendido o porque. Um personagem que facilmente ilustraria um Romance de Nelson Rodrigues, por sua irrelevância social e por sua curta estada.

Não, senhores e senhoras, ele nunca fez nada de "especial", como ele mesmo julgava. Ajudava sempre, dava um pouco do pouco que tinha para os pedintes, ah os pedintes... Se dedicava aos amigos, familiares, visinhos... Um dia, conversando com um amigo, ouviu uma frase que o marcou para sempre: você é trouxa!

Não, ele não era trouxa, ou melhor, não se sentia trouxa. Mas a frase bateu como um soco muito forte na boca de seu estômago. Ele, num ato de impulsividade, levantou da mesa onde estava, 2 copos de cerveja e o dele ainda cheio, algumas garrafas já eram testemunhas do grande encontro que há anos não acontecia, um prato de batata fritas, com pouco sal e sem a fedida maionese industrial... Os copos repousavam em porta-copos já molhados pelo suor que a cerveja gelada causava. Ao levantar, foi de encontro ao seu amigo, ou até então amigo, deu-lhe um abraço apertado, seguido dos famosos tapas nas costas que apenas grandes irmãos se dão... Olhou no fundo dos olhos do seu amigo e com uma simples e rápida palavra, resumiu o que seria desse segundo em diante: adeus!

Não, o trouxa nunca mais viu seu "amigo".

Não houve mais qualquer contato. Um dia, até pensou em ligar e desejar feliz aniversário, mas o amigo, já casado e com família formada, não era mais aquele amigo da cerveja, das conversas e do companheirismo, ele agora era outro homem, e é assim que deve ser.

Não, infelizmente nem mesmo os amigos podem ser eternos. Quem sabe um dia se encontrem mas isso não parece mais estar previsto. Como diria um dito popular, na vida, os amigos entram e saem como clientes em um restaurante. Uns entram, outros saem, uns voltam outros nunca mais.

Não, né, não há como descrever tudo isso senão como um ciclo. E como todo ciclo possui um alto e um baixo, tudo também terá, um alto e um baixo. Na mecânica, citamos um ciclo de um "pistão" como Ponto Máximo Superior e Ponto Máximo Inferior, que são os dois opostos. Mas, entre um e outro, tudo pode acontecer.

Não, não se engane. Sempre acontecerá. É inevitável, apenas não sabemos nem o quê, nem quem, nem quando, nem onde, nem como e nem o por que. Apenas acontecerá!

Não, hoje não são mais dois amigos. Cada qual, seguiu seu caminho!


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