quarta-feira, 28 de abril de 2021

Aquele do "Os causos contam..."

 Não é sempre que acontece, mas infelizmente para Oscar as coisas estavam começando a entrar naquela reta que, por mais que seja reta, é uma diagonal que segue para o eixo 0 no gráfico. Sim, analisando a vida, podemos descrevê-la como algumas retas: nascemos no 0, partimos de forma ascendente para algum número aleatório, uns vão para o 100, outros para o 1000 e outros apenas um valor para "y"... e nesta a gente vive a maior parte do tempo até que mamãe natureza, se mostra presente e faz com que nossa reta estável até então, passe para uma descendente. Ou seja, nascemos, crescemos e vivemos e entramos na descida rumo a morte!

Não existem fórmulas para isso. A matemática jamais explicaria. O que interfere nessas retas são os ambientes em que vivemos e coexistimos, nossos hábitos, padrões comportamentais e demais fatores psico-sócio-culturais. Profundo né!

Fato é que, sempre haverá o dia em que vamos nos despedir da vida. Ao meu ver, fecharemos nossos olhos e num instante ainda com alguma reação cerebral teremos alguns espasmos e logo depois, para que morreu, acabou. A família pode orar, chorar, pedir, gritar - não ha volta. Não há como reverter isso e é até bom, viver também cansa!

Fato é que Oscar ontem, tinha que ter feito algo que não poderá mais fazer. Ele tinha que ter escrito seu texto, colocado no ar e olhado para si mesmo no espelho e ter dito, nossa, mais um que eu ainda tive capacidade de produzir. Ou seja, teria ele cumprido sua missão na terra, a de fazer o que sabe fazer melhor. Ele até tem outras qualidades, mas essa ele faz com maestria, mesmo que seja para ele a alguns poucos que dedicam tempo para ler.

Mas afinal, o que teria acontecido com o Oscar? Esquecimento? Preguiça? Falha na memória? Os deuses estão loucos? De todas as perguntas a ultima é a única que ele pode responder um não muito sonoro e com letras maiúsculas. NÃO! E para ele é simples, mesmo nadando contra a corrente, ele não consegue acreditar em deus, em deuses, na tríade ou em qualquer outro ser para ele inanimado e punitivo o qual ao invés de ajudar, mandaria pragas para punir os réles mortais pecadores.

Porém, para as outra perguntas, um sim tímido. A idade mostra que cobra um bom preço e esse preço está íntimamente interligado a qualidade de vida. Ouvimos pior, exergamos pior, começam as dores pelo corpo, o plano de saúde fica cada vez mais caro, a cestinha de remédios passa a ser ma caixa e essa caixa vai aumentando e um dia, virará um caixão!

Sim, ele por conta dos compromissos, objetivos e claro, da falha da memória não fez o que deveria ter feito e nunca mais poderá fazê-lo... Pois, um instante se não vivido e com intensidade, nucna mais voltará a ser um instante. Nunca!

A vida é medida em segundos, minutos, dias, meses, anos... Mas ao final, você terá a sensação de que ela foi muito curta e realmente foi. Talvez aí nasça o desespero que a morte causa. Ninguém quer morrer mas todos morreremos, cedo ou tarde. Uns, aceleram no "corredor" e, ops, um motorista desatente tira a vida do motoboy. Outros, saem para um estrada, aceleram até o limite e ai, meu irmão, até uma mosca vira pedra e arregaça uma cabeça. Muitos reagem ao assalto, outros decidem disputar com policiais, tem os doentes, os obesos os loucos e toda sorte de gente que parece mais procurar a morte.

Oscar, por sua vez, não pensa nisso. Não pensava!

Quando a idade chegou, tratou de começar a instruir os filhos a respeito disso que, ninguém quer, mas acontecerá. Passou a se cuidar mais, se antes eram 180mk/h hoje, ah, hoje é 110km/h no máximo ou 120 numa ultrapassagem seguro e cautelosa.

Ontem, ele esqueceu e se pune muito por isso. Hoje, pensa no que deveria ter feito ontem e assim segue. Promete nunca mais esquecer e se ele esquecer a promessa que fez?

Lembre-se, todos vão chegar no ponto de virada, todos vão chegar no ponto em que a linha começa a apontar para baixo, uns mais cedo, outros mais tarde. Oscar inclusive esses dias, observava seu pai, sempre um modelo a ser seguido e em um momento de forte emoção percebeu - e chorou muito - que uma hora outra, o pai se vai, a mãe se vai, e nesse dia, bastará apenas se despedir e torcer que tudo fique bem!


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