sexta-feira, 16 de julho de 2021

Aquele do "Os causos contam..."

* Observação: este é um texto de ficção, não representa ou apresenta qualquer conexão com a realidade ou história de alguém. Ficção!

Hoje, depois de anos escrevendo nesse blog foi perceber que eu poderia escolher a fonte, pois eu amo essa fonte que estou usando agora. Verdana. Mas independente da fonte, hoje o texto é sobre ela, Josléia... Sim gente, há pessoas que recebem nomes como Josléia. E tão estranho quanto o nome era ela mesmo. Josléia não era estranha quanto à sua beleza, até porque era uma mulher linda, de lindas curvas e um carinho imenso. Mas ela era estranha.

Desde criança, não demonstrava muita vontade de interagir com seus amigos. Não, ficava isolada num canto, destruindo os cabelos de suas bonecas que seu pai, viúvo e batalhador fazia questão de comprar toda sexta-feira. Não gostava de vê-la a destruir as bonecas, mas isso era a unica coisa que acalmava a menina cujo nome, a mãe havia escolhido em homenagem a uma tataravó.

Josléia cresceu em meio aos carrochos de seu pai, seu pai sempre amável, algumas visitas das avós até que estas morressem e uma tia, a Zilda, solteirona na casa dos 65, meio safada. Josléia adorava sentar no seu banquinho no jardim, largava suas bonecas e ficava ouvindo histórias de sua tia, que sempre estava com um copo de pinga (tinha que ser a 51) e sua carteira de cigarros que durava algumas poucas horas (tinha que ser o Free), sempre.

As histórias iam de lições de vida à verdadeiras fantasias da velha senhora. Ela nunca quis se casar, era filha de militar, havia herdado uma boa herança e uma boa pensão digna de países como o Brasil. Nunca trabalhou, nunca estudou mas soube administrar e muito bem seus bens.

Foi nesse ambiente que Josléia cresceu e desenvolveu seu carater. Formou-se em letras, depois em pedagogia mas foi no direito que se encontrou e decidiu trabalhar por todas aquelas mulheres que infelizmente sofrem violência doméstica. 

Um dia, ao sair de casa, duas coisas aconteceram, as quais mudariam de forma muito contundente sua vida. E contundente aqui, vai se tornar algo bastante literal. Ao sair de seu condomínio, com seu carro, logo na primeira esquina envolveu-se num acidente de pequena monta, no qual, acabou por derrubar um ciclista que desrespeitou o sinal de pare. Pronta e sempre muito justa, parou, desceu do carro, ligou para e a emergência e foi prestar atendimento ao ciclista. 

Ao melhor estilho novela da Rede Bobo, quando ambos se olharam, ambos tiverem a certeza de que o atropelamento, não havia acontecido por acasa. Socorro prestado, tudo ajustado, Josléia partiu para seu escritório. Chegando lá, recebeu uma ligação de sua amiga, Rose, que cometou que ocorreria um concurso para policiais civis e que a vaga de delegada da mulher, estava aberta. Josléia não pensou duas vezes se inscreveu e começou a buscar se capacitar para tal. Ao mesmo tempo, teve que tratar de assuntos relacionados ao atropelamento, mas algo mais surpreendente aconteceu.

Eles começaram a sair. A cada encontro, a chama do amor foi ficando ainda mais aquecida, Josléia que nunca havia gostado assim de alguém, agora estava sentindo a sensação da mão que sua, do coração que dispara. Em pouco tempo estavam namorando e a história evoluindo...

Porém, como já comentado, aquele dia do atropelamento mudaria a vida dela para todo o sempre. No dia do concurso, após voltar da prova, Josléia chegou em casa e encontrou seu amado, bêbado, ele já havia destruído tudo que ela conquistou em anos de trabalho. Não contente, ele avançou sobre ela. Infelizmente, a pancada com o pedaço de cabo de enxada causou um traumatismo craniano que, se fosse socorrido a tempo, até poderia ser revertido. 

Infelizmente, ele pegou um litro de pinga, trancou a casa e foi embora. Ela, que nunca amou e depositou todas suas esperanças nesse homem, morreu como uma indigente, abandonada e vítima de tudo que ela mais queria defender.

A vida é uma caixinha de surpresas, a vida é sim, até deixar de ser, aí então, viramos apenas um corpo que a terra vai comer.

Triste fim de Josléia...


sexta-feira, 9 de julho de 2021

Aquele do "Os causos contam..."

 Sim... Ele era rico. Pensa em um homem rico... Aquele carro velho que ele dirigia escondia de forma muito contundente a dinherama que ele possiuia. Não era na conta corrente, mas eram em bens. Só de imóveis, ele tinha mais de 70 na cidade. Ouro debaixo da cozinha, jóias, obras de arte e tudo mais que você possa imaginar. Ele era realmente um desconhecido, não queria fama, não queria nem ser visto e assim mesmo que chegou ao seu fim!

O ano era 2019. Um dia, seu filho, que nem imaginava quanta riqueza seu pai tinha e que impreterivelmente todos os dias às 11h35 ligava para o pai, nesse dia 8 de agosto, uma quinta-feira, ligou. Mas o telefone não foi atendido. Insistiu às 11h36. Mas o telefone insistiu em não ser atendido. Às 11h37? Nada. E assim foi.

Seu filho então, pegou um Uber (essa geração moderna insiste em não possuir carro) e foi até a casa de seu pai, pois tinha a chave e toda liberdade para entrar a hora que fosse a menos que, houvesse um lenço na porta, o que indicaria que seu pai estava realmente ocupado (para bom entendedor...)

Mas, se assustou ao ver que não havia lenço. Ambos carros, o velho caindo os pedaços e a BMW zero KM estavam na garagem. Entou, ainda com a calma que lhe era peculiar, chamou por seu pai mas não houve resposta. Começou então a buscar pela casa, que não era gigante mas exigia um certo tempo entre subir para o segundo pavimento e depois o terceiro pavimento.

Quando chegou no terceiro pavimento, bateu na porta do quarto do pai, que tinha uma vista maravilhosa, não houve resposta. Foi ai que o coração de Bruno começou a bater mais forte. Havia anos que ambos se falavam sempre, chovesse ou fizesse sol, às 11h35, mesmo que fosse para dizer um oi, tudo bem ou então, um como vai, velhote...

Nesse dia 8 de agosto de 2019, já não houve esse contato tão importante, mas o que Bruno encontrou ao entrar no quarto, foi o que arrancou-lhe o chão. Seu pai estava de bruços no chão, caído, um pouco de sangue já muito coagulado estava no chão próximo à cabeça de seu pai. Tentou em vão achar algum batimento cardíaco, usando técnicas que aprendeu assistindo aos seriados médicos. Tentou no pescoço -sem sucesso; tentou nas têmporas - sem sucesso.

Sem chão e com a calma que não se sabe de onde veio, ele ligou para o serviço de urgências médicas, também conhecido como SAMU - Serviço de Atendimento Móvel de Urgência - que demorou apenas uns 8 minutos para chegar, mas que ao chegar só atestou o que Bruno não queria ter que ouvir, alí, sozinho: seu pai está morto! E já faz algum tempo, pois o corpo encontra-se em estágio inicial de decomposição.

- Impossível, gritou ele! Nos falamos ontem, às 11h35...

Fato é que não havia nada que pudesse ser feito. A vida existe até que a morte chegue. E chegou para Roberto. Todo o dinheiro do mundo, todo o ouro guardado, obras de arte, jóias, imóveis não foram suficiente para dar a ele o que ninguém pode ter: vida eterna.

Sua riqueza hoje é alvo de briga entre Bruno, sua mãe e uns dois ou três filhos que Roberto passou a ter após sua morte mas que nunca foram seus filhos, nem de criação muito menos de descendência. 

Sim, ele vivia uma vida solitária, sua mulher resolveu deixar ele depois que percebeu que Roberto gostava de sair pouco, que tinha hábitos mais caseiros. Seu filho, Bruno, até ia a sua casa, passava algumas horas, um recorde era quando passava mais de um dia. A solidão estava para sua vida assim como o dinheiro estava para suas contas: sobrava!

Bruno percebeu que a única coisa que seu pai nunca tivera foi um amor de verdade. Aquele incondicional que todos perseguem, poucos tem e menos ainda são aqueles que podem oferecer. Não estou falando de amor como nos filmes ou novelas, não estou falando de amor selvagem ou coisas assim, mas aquele amor incondicional mesmo, aquele de "na saúde ou na doença, na alegria ou na tristeza"... 

Enfim, Roberto, que durante seus 51 anos acumulou o que 100 homens comuns acumulariam numa vida inteira, se foi, sem sequer usufruir de uma mízera parte de toda essa riqueza.

Vá Roberto, descanse em paz. Tenha em seu coração a certeza que numa próxima, valorize o amor e menos o dinheiro... Valorize a vida e menos o sucesso econômico. Valorize pequenas coisas, pois no final da vida, grandes ou pequenas, daqui, não levaremos nada!

Vá Roberto, em tua memória ficará a lição!

Vá Roberto!!!