sexta-feira, 9 de julho de 2021

Aquele do "Os causos contam..."

 Sim... Ele era rico. Pensa em um homem rico... Aquele carro velho que ele dirigia escondia de forma muito contundente a dinherama que ele possiuia. Não era na conta corrente, mas eram em bens. Só de imóveis, ele tinha mais de 70 na cidade. Ouro debaixo da cozinha, jóias, obras de arte e tudo mais que você possa imaginar. Ele era realmente um desconhecido, não queria fama, não queria nem ser visto e assim mesmo que chegou ao seu fim!

O ano era 2019. Um dia, seu filho, que nem imaginava quanta riqueza seu pai tinha e que impreterivelmente todos os dias às 11h35 ligava para o pai, nesse dia 8 de agosto, uma quinta-feira, ligou. Mas o telefone não foi atendido. Insistiu às 11h36. Mas o telefone insistiu em não ser atendido. Às 11h37? Nada. E assim foi.

Seu filho então, pegou um Uber (essa geração moderna insiste em não possuir carro) e foi até a casa de seu pai, pois tinha a chave e toda liberdade para entrar a hora que fosse a menos que, houvesse um lenço na porta, o que indicaria que seu pai estava realmente ocupado (para bom entendedor...)

Mas, se assustou ao ver que não havia lenço. Ambos carros, o velho caindo os pedaços e a BMW zero KM estavam na garagem. Entou, ainda com a calma que lhe era peculiar, chamou por seu pai mas não houve resposta. Começou então a buscar pela casa, que não era gigante mas exigia um certo tempo entre subir para o segundo pavimento e depois o terceiro pavimento.

Quando chegou no terceiro pavimento, bateu na porta do quarto do pai, que tinha uma vista maravilhosa, não houve resposta. Foi ai que o coração de Bruno começou a bater mais forte. Havia anos que ambos se falavam sempre, chovesse ou fizesse sol, às 11h35, mesmo que fosse para dizer um oi, tudo bem ou então, um como vai, velhote...

Nesse dia 8 de agosto de 2019, já não houve esse contato tão importante, mas o que Bruno encontrou ao entrar no quarto, foi o que arrancou-lhe o chão. Seu pai estava de bruços no chão, caído, um pouco de sangue já muito coagulado estava no chão próximo à cabeça de seu pai. Tentou em vão achar algum batimento cardíaco, usando técnicas que aprendeu assistindo aos seriados médicos. Tentou no pescoço -sem sucesso; tentou nas têmporas - sem sucesso.

Sem chão e com a calma que não se sabe de onde veio, ele ligou para o serviço de urgências médicas, também conhecido como SAMU - Serviço de Atendimento Móvel de Urgência - que demorou apenas uns 8 minutos para chegar, mas que ao chegar só atestou o que Bruno não queria ter que ouvir, alí, sozinho: seu pai está morto! E já faz algum tempo, pois o corpo encontra-se em estágio inicial de decomposição.

- Impossível, gritou ele! Nos falamos ontem, às 11h35...

Fato é que não havia nada que pudesse ser feito. A vida existe até que a morte chegue. E chegou para Roberto. Todo o dinheiro do mundo, todo o ouro guardado, obras de arte, jóias, imóveis não foram suficiente para dar a ele o que ninguém pode ter: vida eterna.

Sua riqueza hoje é alvo de briga entre Bruno, sua mãe e uns dois ou três filhos que Roberto passou a ter após sua morte mas que nunca foram seus filhos, nem de criação muito menos de descendência. 

Sim, ele vivia uma vida solitária, sua mulher resolveu deixar ele depois que percebeu que Roberto gostava de sair pouco, que tinha hábitos mais caseiros. Seu filho, Bruno, até ia a sua casa, passava algumas horas, um recorde era quando passava mais de um dia. A solidão estava para sua vida assim como o dinheiro estava para suas contas: sobrava!

Bruno percebeu que a única coisa que seu pai nunca tivera foi um amor de verdade. Aquele incondicional que todos perseguem, poucos tem e menos ainda são aqueles que podem oferecer. Não estou falando de amor como nos filmes ou novelas, não estou falando de amor selvagem ou coisas assim, mas aquele amor incondicional mesmo, aquele de "na saúde ou na doença, na alegria ou na tristeza"... 

Enfim, Roberto, que durante seus 51 anos acumulou o que 100 homens comuns acumulariam numa vida inteira, se foi, sem sequer usufruir de uma mízera parte de toda essa riqueza.

Vá Roberto, descanse em paz. Tenha em seu coração a certeza que numa próxima, valorize o amor e menos o dinheiro... Valorize a vida e menos o sucesso econômico. Valorize pequenas coisas, pois no final da vida, grandes ou pequenas, daqui, não levaremos nada!

Vá Roberto, em tua memória ficará a lição!

Vá Roberto!!!

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