sábado, 21 de agosto de 2021

Aquele do "Enfim, um dia a hora sempre chegará!"

 Sim, a hora chega. E Paloma não teve como evitar essa chegada. Ela estava na plenitude da vida, bom emprego, morava num apartamento bem bacana, se alimentava direitinho seguindo as instruções de sua "nutri" como ela mesmo se orgulhava em falar... Sua rotina era viver sem rotina. Seu emprego não exigia cumprimento de horário e sim, produtividade. E, depois do trabalho era bastante comum aquelas esticadinhas no PUB preferido pela galerinha.

Era uma mulher moderna, não exigia muito da vida mas vivia intensamente cada minuto. Gostava de defender o meio ambiente, costumava usar roupas de marcas ambientalmente responsáveis, produtos com pegada ecológica, não tinha carro, preferia sua bike, que com muito empenho comprou na cor e no modelo que tanto queria.

Paloma era um estereótipo de sucesso, ou de mulher de sucesso: independente, inteligente e por fim, muito linda também. De certa forma, se considerarmos os padrões impostos pela sociedade moderna, no que diz respeito ao ser, Paloma era tudo que poderia querer.

Infelizmente, foi em uma quarta-feira, um dia de sol lindo em Curitiba. Ela morava há 15 minutos de bike do ser trabalho. Nesse dia, resolveu acordar mais cedo, usou seu laptop para realizar algumas ações e deixar tudo preparado para a hora que chegasse no trabalho. Enviou os e-mails que precisava enviar, mandou algumas mensagens para alguns colegas avisando que já tinha dado o andamento e para uma amiga mais próxima, avisou que estava descendo para pegar sua bike e ir para o trabalho.

Ao chegar no estacionamento de bicicletas do seu prédio, ela teve uma sensação meio estranha, mas ignorou, pegou sua bicicleta e rumou para seu trabalho. Tudo ia muito bem, mas em um trecho extremamente tranquilo, uma BMW Branca, perdeu o controle mesmo sendo uma linha reta, atingiu um poste e de forma precisa, ao rodopiar, colheu Paloma que ao menos teve tempo de saber o que houvera acontecido. 

Todos temos a hora certa, e se era certa ou não, que diferença fará? Paloma, esticada embaixo da BMW toda destruída, um bêbado desce do carro, mal consegue ficar em pé e mesmo assim, meio que rastejando, tenta em vão fugir do local. Populares logo foram ao socorro de Paloma, que não respirava mais, a pancada foi forte. Enquanto alguns tentavam em vão chamar o SIATE e dar atenção ao corpo que ali estava, outros seguraram o bêbado, que insistia querer ir embora.

Essa quarta-feira, foi fatal para Paloma e foi um divisor de águas para o motorista da BMW que, sendo um bom advogado, conseguiu junto aos seus, receber uma punição tão ridícula quanto chupar um pirulito: 2 meses de trabalho voluntário, que simplesmente valeram muito muitos, mais muito menos do que a vida de Paloma. 

Quem chora hoje é a família dela, enquanto, o responsável vive impune!

A hora, sempre vai chegar!


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